Friday, April 07, 2006

Dia -165

Quem é a Imperatriz, afinal?
(ou de como, se eu acreditasse nesta treta, tudo seria mais fácil, ou pelo menos parecer-me-ia melhor)
Carta dominante: III A IMPERATRIZ
A IMPERATRIZ define um mês excelente para os nativos de Capricórnio.
A IMPERATRIZ permite desenvolver aspectos de personalidade, ultrapassar barreiras, estabelecer novas pontes de comunicação e alargar horizontes.
Capricórnio deve confiar mais em si próprio e em circunstância alguma colocar limites aos seus sonhos; este mês pode dar passos muito importantes fruto de iniciativa própria. Sentimentalmente este é sem dúvida um mês de evoluções muito agradáveis; em Abril a vida de Capricórnio pode dar uma volta significativa no sentido ascendente.
A renovação da vida sentimental está bem patente na conjuntura perspectivando-se momentos de grande intensidade e romance. Não volte as costas ao amor porque, de acordo com as cartas, ele virá este mês ao seu encontro.
No campo profissional o mês é muito positivo no campo profissional. Pode fazer alterações porque a conjuntura ajuda-o e “empurra-o “ para situações mais favoráveis. Este mês não esteja com meias medidas e enfrente decididamente o seu futuro; está no momento certo para iniciar uma nova fase profissional. Não dê ouvidos a quem pretende tolher-lhe o passo; dos fracos não reza a história. Na saúde está muito sensível e por isso sujeito a momentos de quebra energética ou cansaço excessivo.
LIGAÇÕES MAIS PROTEGIDAS COM – Carneiro, Leão e Sagitário

Thursday, April 06, 2006

Dia -164

O Decote
Por vezes compramos coisas que depois...
não nos fazem sentir muito bem, ainda que nem nos fiquem nada mal.
Passei o dia preocupada com a extensão do meu decote.

Wednesday, April 05, 2006

Dia -163

A Realidade
Custa-me muito. Estar aqui. E tu. Aí.
A realidade é uma coisa que estraga muito os sonhos.
A realidade é uma coisa que arruína a imaginação.
Não quero pensar na realidade. Só pensar. Imaginando-te aqui.

Tuesday, April 04, 2006

Dia -162

Não Existes
Não. Tu não existes.
Quer dizer. Não é possível que sejas de verdade.
Não. Não existes. Tu.
Fui eu que te inventei.
Não fui?
Inventei-te assim, exactamente.
Tal como esperei que fosses.
Não. Tu não existes.
Fui eu que te inventei.
Numa destas noites em que não durmo.
E, afinal (parece que sempre) sonho.

Monday, April 03, 2006

Dia -161

A Declaração
«(...)Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
Tenho feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente,
desesperadamente
à tua procura, sempre à tua procura
até me dar conta que estás em mim,
que em mim devo procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti,
a ti que eu amo. (...)»
Joaquim Pessoa, extracto do poema Eu sei, não te conheço mas existes

Sunday, April 02, 2006

Dia -160

Coisas Importantes (II)
Encontrar um Sputnik*.
E poder chamar-lhe, de facto, meu amor.
* Sputnik significa 'companheiro de viagem'.
Só soube isto quando li o livro de Haruki Murakami, justamente intitulado
Sputnik, meu amor

Saturday, April 01, 2006

Dia -159

Coisas Importantes (I)
Os teus olhos quando entram nos meus.

Friday, March 31, 2006

Dia -158

A Diferença
Dizemos que o que nos une é maior do que o que nos separa.
Gostamos de usar estas frases. A que a junção de água confere evidência.
Na prática. No amor. Na amizade. No trabalho. No tempo.
Na vida.
Aquilo que nos separa.
A todos.
Será sempre.
Maior. Mais forte. Mais impeditivo.
Que aquilo que nos une.
E assim sendo.
O que nos une é o quê?

Thursday, March 30, 2006

Dia -157

A Terra de Ninguém
No meio caminho entre a mentira e a verdade.
Entre o possível e o impossível.
Onde repousa o que não pode ser dito.
É onde eu te digo.
Amo-te.

Wednesday, March 29, 2006

Dia -156

O Folêgo
Aquilo que nos corta o folêgo
é
a única
razão
por que respiramos.
A grande
razão.

Tuesday, March 28, 2006

Momento de Intervalo...

... Ou Outra Coisa Qualquer

«And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her skies
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...
And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you...
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind...
My mind...
my mind...
'Til I find somebody new»

Damien Rice The blower's daughter
da banda sonora do filme Closer, de Mike Nichols

Dia -155

O (teu) Vazio
Nada a fazer quando o silêncio toma o lugar outrora ocupado. Pela música.
Nada a fazer quando a única coisa possível é fechar os olhos.
E voltar a abri-los para reconhecer que falhaste.
Outra vez.
Que ainda não. Que ainda não.
Que agora. Já. Não.
Já não sentes a música. Que foste assaltado pelo silêncio.
Quando antes todas as coisas se dissolviam na música.
Não quero que deixes de ouvir a música. Mas sei.
Que há silêncios que nos tomam.
Nada a fazer. Quando. A única coisa possível é reconhecer que ainda não.
Que. Agora. Já não.
Nada a fazer?

Monday, March 27, 2006

Dia -154

A Saída
Hesito. Entre a esquerda alta e a direita baixa.
O pano de cena enreda-se em mim.
Caí numa armadilha.
Não sou capaz de encontrar uma saída.
Posso deixar-me cair no meio do palco.
Como quem morre.
Talvez a equipa de limpeza repare no que de mim resta.
E amavelmente me transporte para fora.
De mim.

Sunday, March 26, 2006

Dia -153

Lugares
O meu lugar é onde a tua voz começa.

Saturday, March 25, 2006

Dia -152

«Mas Dancemos
já que temos
a valsa começada»
Reinaldo Ferreira - Extracto de Rosie

Friday, March 24, 2006

Dia -151

Tu
«(...) Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
(...) E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.»
Heberto Helder - Extracto de O Amor em Visita

Thursday, March 23, 2006

Dia -150

O Precipício
«Afinal o que importa é não ter medo: fechar os
olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício»*
Acontece-me passar a vida que me resta até à morte a saltar. De precipício em precipício.
A merda toda é que não há um farol que indique o caminho do abismo.
* Mário Cesariny - extracto do poema Pastelaria

Dia -149

A Impotência
A minha maior morte é a morte de mim em ti. É uma morte dificil. Deve ser.
Porque é a morte completa. Aquela de que nunca se regressará.
Aquela que põe uma pedra definitiva e sólida entre o que foi e o que há-de ser.
Eu sei que te traí de multiplas maneiras.
Não há caminho para voltar de uma morte assim.
Eu sei.
E não é triste que me sinto. É desarmada.
Para abrir uma janela qualquer nessa pedra.
Ou uma pequena fresta por onde passe um dos teus dedos em direcção ao meu cabelo.

Tuesday, March 21, 2006

Dia -148

O Dia da Poesia

Somos todos de aqui. Basta-nos a pátria
que uma tarde de domingo -nos consente
entre folhas de outono e frases de abandono
E abrem-se-nos ruas
para ir a sítios demasiado precisos
quando um só sítio se encontra
ao fim de todas as ruas e de todos os rios
Somos todos da raça dos mortos
ou vivos mais além
Mensagens de outra pátria não as traz
arauto algum que o nosso tempo vestisse

O que é preciso é dar lugar
aos pássaros nas ruas da cidade
Ruy Belo - Espaço Preenchido

Monday, March 20, 2006

Dia -147

A Pergunta sem Resposta
Como se pode viver depois da morte do teu riso?
Como esperas que eu viva depois de ti?