Thursday, August 10, 2006

Dia -290

Já Sabia

«O paraíso é um autocarro que não pára em sítio nenhum»
(Juan Jose Millás - Contos de Adúlteros Desorientados).

Dia -289

Hoje...
... enchi a banheira de água. Deitei uns sais de laranja.
Deitei-me lá dentro a (re)ler o In Cold Blood.
De vez em quando carreguei no botãozinho da hidromassagem.
Gosto muito de água.
E gostei muito (outra vez) do livro.
E gosto muito destes dias, sossegados.
Em que se viaja imenso dentro de um livro,
sem se sair da nossa banheira.

Wednesday, August 09, 2006

Dia -288

Tenho demasiado calor...
... para dizer o que quer que seja.
(mas não sei se já tinha dito que odeio o verão...)

Tuesday, August 08, 2006

Dia -287

Ler
Tenho lido desalmadamente.
Quase tão desalmadamente como quando
as férias de verão duravam três meses
inteirinhos
e eu só parava de ler
para comer ou beber
e, ocasionalmente, dormir.
Era bestial. Ainda é.

Monday, August 07, 2006

Dia -286

Os Gatos ou
o Amor
ou Miss Nina Simone*


*Esta coisa do You Tube é bem engraçada

Sunday, August 06, 2006

Dia -285

Para Nada, Evidentemente...*


*A quoi ça sert l'amour?

(visto em TalvezTeEscreva e roubado quase imediatamente)

Friday, August 04, 2006

Dia -284

Os Sonhos

Quase nunca me lembro do que sonho.
Sim, eu sei que sonho. Como toda a gente.
Mas raramente, muito raramente, me lembro dos sonhos.
Hoje lembro-me com o que sonhei.
Sonhei contigo.
Estavas vivo.
Mas depois acordei e continuas morto.

Dia -283

Limpezas de Verão
A verdade é que eu me queixo muito, mas gosto imenso de fazer limpezas.
Aliás, não só gosto como sou perfeitamente maníaca.
Não sobrou um grão de pó.
Tudo está escrupulosamente limpo.
Cheira divinamente cá em casa.
Quer dizer... a minha casa cheira sempre bem,
mas agora cheira mesmo mesmo mesmo muito bem.
Quase como se eu tivesse posto a casa toda num tanque,
a tivesse esfregado muito bem, passado por várias águas e posto a corar.

Thursday, August 03, 2006

Dia -282

Post It...
... para ver se me lembro disto da próxima vez que entrar numa livraria:
Estou morta. Subi e desci e desci e subi dezenas de vezes a e de uma cadeira.
Parece que o pó se entranhou nas minhas narinas.
Tirei os livros das estantes.
Limpei para aí uns 3000 e tal livros.
Um por um.
Voltei a colocar os livros nas estantes, perfeitamente ordenados.
Safa! E ainda faltam as estantes da sala!
(bom, ainda bem que não sou o Pacheco Pereira)

Tuesday, August 01, 2006

Dia -281

Massivamente

«Un appel international est lancé pour l'arrêt du
génocide au Liban et en Palestine.
Rejoignons-le
massivement et diffusons-le massivement


cliquer sur le lien ci-dessous»


http://libangaza.free.fr/index.php



Monday, July 31, 2006

Dia -280



«Carta a meus filhos *
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas
uma fiel dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse "com suma piedade e sem efusão de sangue".
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança,
ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de uma classe,
expiaram todos os erros que não tinham cometido
ou não tinham consciência de haver cometido.
Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor.
Mas isto nada é, meus filhos. Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero.
Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram,
aquele gesto de amor, que fariam "amanhã".
E por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor
que outros não amaram porque lho roubaram.»
Jorge de Sena
*É diferente, mas tão igual que...

Dia -279

Alguém...
... me sabe dizer como se diz filhos da puta em libanês?
E já agora em hebraico, para que os visados entendam?
Há dias em que tenho muita vergonha de ser pessoa.
Hoje é um deles.

Saturday, July 29, 2006

Dia -278

A Família
Eu tenho muitos familiares.
Mas para mim a minha família são os meus pais,
a minha irmã verdadeira,
a minha irmã que não é verdadeiramasécomosefosse,
o meu primo a fingir
e o filho de ambos, ou seja,
o meu sobrinho emprestado.
É uma mistura um bocado estranha.
Mas, na verdade, não há famílias normais.
E eu cá gosto da minha tal e qual como é.

Friday, July 28, 2006

Dia -277

A Tese
A minha amiga, aliás, a minha irmã-praticamente-gêmea
acabou a tese. Senti-me quase como quando fui eu.
Feliz e aliviada.
Parabéns, irmã!

Dia -276

Não me importo
É verdade que não me importo.
Que já não me importo.
Com as raparigas imaginárias,
de longos cabelos, à varanda,
a quem escreves as mesmas frases.
É verdade que já não me importo.
Com as raparigas.
São imaginárias
Mas a repetição das palavras, chateia-me.

Wednesday, July 26, 2006

Dia -275


Muitos Parabéns...

... e um monte de prendas e mais um monte de anos pela frente e mais um monte, daqueles mesmo grandes, de felicidades.
Para

Dia -274

Os Nossos Mortos e os Mortos dos Outros
Os mortos dos outros são sempre os mortos dos outros.
Os nossos...
ah os nossos (ou os daqueles que nos estão próximos)...
os nossos serão sempre melhores
que os mortos dos outros.
Mais pesados,
mais significativos,
mais valiosos.
Os nossos mortos representam aquilo em que acreditamos.
E aquilo em que acreditamos por vezes inclui conceitos tão bonitos,
como por exemplo: tolerância, respeito pela vida,
solidariedade, paz.
Os mortos dos outros representam geralmente tudo aquilo que repudiamos, como seja:
o terrorismo, a violência, o desrespeito pela vida, a intolerância.
O problema é quando tudo se mistura
(porque, na realidade, tudo está misturado, como é desejável (e tão humano) que esteja).
Não sou anti-semita. Tenho simpatia pelo povo judeu. Pela sua história.
Mas tal simpatia (e a proximidade cultural (enfim, para dizer o mínimo)) de Israel ao ocidente, não me leva a ignorar que os mortos dos outros são exactamente iguais aos nossos.
E que não há grande desculpa para matar centenas de pessoas. Sejam culpadas ou inocentes.
Pessoas que, apesar de tão diferentes, são iguaizinhas a nós.
Humanos como nós.
Portanto, tão nossos, como os nossos e não outros.
A guerra é um bicho cego.
E estúpido. Profundamente estúpido.

Monday, July 24, 2006

Dia -273

«Para te levar ao concerto que havia no Rivoli»
Eu já assinei.

Sunday, July 23, 2006

Dia -272

A Silly Season
As pessoas andam todas na rua.
Há ranchos folclóricos.
Feiras em cada esquina.
Não estreiam filmes interessantes.
Vai tudo para a praia.
Não acontece nada de especial.
Não percebo porque é que as pessoas ostentam um ar tão contente...
... deve ter-me escapado qualquer coisa.

Saturday, July 22, 2006

Dia -271

As Nossas Casas
Porque é que a casa dos nossos pais é sempre a nossa casa
e a nossa casa parece estranha quando os nossos pais nos visitam?