Tuesday, September 19, 2006

Momento de Intervalo...

Perfect Day*


Just a perfect day,
Drink Sangria in the park,
And then later,
when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...

* Lou Reed
(Bom, não pelas mesmas razões... but... oh yeah, it was just a perfect day for me)

Dia -329

...
há uma espécie de silêncio
que diminui.

Friday, September 15, 2006

Dia -325

Volto sempre ao mesmo poema,
(quando se trata de qualquer coisa vagamente parecida com o amor)
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito de sal e de silêncio,
concebo para minha serenidade uma ideia de pedra e de brancura.
Herberto Helder - O Amor em Visita

Thursday, September 14, 2006

Dia -324

Repetir... (não) disse ela
É tudo novo.
Tão novo que assusta.
Diverso do resto.
Quase diverso do mundo.
Como se fora do mundo
(e num certo sentido nada de tudo isto tem a ver com o mundo).
E apesar de tudo ser novo.
Diverso.
Assustadoramente belo.
Eu.
Eu tenho a certeza
(quase a certeza),
que tudo se vai repetir.
Tudo o que faço.
Sempre.
Mas agora eu não queria isso.
Porque é novo.
É diferente.
É tão igual a mim.
A imagem ao espelho.
Que temo que ao destruí-la,
seja a mim mesma que mato.

Wednesday, September 13, 2006

Dia -323

Que coisa é esta...
... que trago na cabeça?
Podia jurar, se jurasse,
que é o teu coração.
Um coração na cabeça!
Que coisa, esta!

Tuesday, September 12, 2006

Dia -322

And I did...
...panic.
What else is new?

Monday, September 11, 2006

Dia -321

Et Ça Veut Dire?
No supermercado encontrei o psiquiatra,
um ex-aluno com o teu (pouco comum) nome
e a seguir um rapaz com uma t-shirt em que estava escrito:
don't panic!

Sunday, September 10, 2006

Dia -320

Mi piove sulla testa un temporale*...
Pois que chova.
Gosto de chuva.
De tempestades. E vendavais.
Alguma coisa ficará após a tempestade colossal.
Seguramente. A música.
As palavras não contam. Às vezes.
Só a música.
*Roberto Benigni - Quanto ti ho amato

Friday, September 08, 2006

Dia -319

Luna Rossa*

Vaca distrattamente abbandunato

L'uocchie sotto 'o cappiello annascunnute

Mane in'à sacca e bavero ajazto

Vaca fiscann'a 'e stelle caso'asciute

E 'a luna rossa me parla 'e te lo le dommando si aspiette a me

E me risponne: si ó vvuò sapé ?

Ccá 'num ce sta nisciuna!

E io chiamo 'o nomme pe'te vede'

Ma tutt'a gente ca parla 'e te responne:

"É tardi: che vuò sapé?!

Ccá 'num ce stá nisciuna!"

Luna rossa

Chi me sarrà sincera?

Luna rossa

Se n'é ghiuta l'alta sera

Senza me vedè!

E io dico ancora ca "aspietta a me

Fore'o balcone stanotte 'e ttre

E prega 'e sante pe'me vedê

Ma nun ce stà nisciuna!"

Mille 'e cchiù a appuntamente aggiu tenuto

Tante e cchiù sigarette aggio appicciato

Mille tazze `e cafè me sò `bevutto

Mille vucchelle amare aggiuvasato

E io dico ancora ca "aspietta 'e me

Fore 'o balcone stanotte 'e ttre

E prega 'e sante pe'me vedè

Ma nun ce stà nisciuna!

Ma nun ce stà nisciuna!

Ma nun ce stà nisciuna!

Luna, luna, luna ...

(V. de Crescenzo; A. Vian - aqui cantada, ao que me dizem, em bom napolitano arcaico, por Caetano Veloso)
* Pode dizer-se da lua cheia.

Thursday, September 07, 2006

Dia -318

E então...
... eu pergunto(te):
para que serve um coração vermelho?
Ou melhor.
Para que servem dois corações vermelhos?
Nada é transparente.
E no entanto.
Sim, há demasiada beleza na imperfeição das coisas.
Há demasiada evidência na música que ouvimos.
Como se, ainda que não transparente,
o meu coração fosse o teu coração.
Vermelho.
E o teu coração.
Vermelho.
Fosse o meu coração.
(mas, depois, penso que vermelho é a cor habitual nos corações e que os corações apenas têm a função de nos manter vivos. Mas, também, depois, penso que me sinto muito viva agora, apesar de ter tido, desde sempre, o mesmo coração. E é então que não compreendo nada. Mas assim mesmo, deixo-me estar)

Dia -317

Sim,
o meu coração é vermelho como o teu.
Ou melhor.
O meu coração está tão vermelho.
Como o teu.

Tuesday, September 05, 2006

Dia -316

Acontecer
Não se faz acontecer.
As coisas acontecem ou não acontecem.
Sem outro propósito.

Monday, September 04, 2006

Dia -315

Regressos (outra vez)
Não deixa de ser curioso que os primeiros olhos que encontrei
ao regressar
foram os teus.
Esses perigosos olhos.
E é curioso também ter sido hoje.
Hoje.
A primeira vez que falámos.

Sunday, September 03, 2006

Dia -314

Italiano...
... provavelmente a língua mais bonita do mundo.

Saturday, September 02, 2006

Dia -313

Regressos
É geralmente bom regressar.
À casa.
Às coisas rotineiras.
A certas pessoas.
À vida que temos e que,
quando viajamos,
perdemos um pouco.
Viajar não é, como disse Pessoa, perder países.
Ou lugares diversos.
Viajar é perder um bocadinho
a nossa vidinha de sempre.

Friday, September 01, 2006

Dia -312

A (Estranha) Escolha
Quando viajas com alguém, tens tendência para ver o que te rodeia com estranheza, enquanto que, quando viajas só, o estranho és sempre tu.
(Enrique Vila-Matas - A Viagem Vertical)

Thursday, August 10, 2006

Dia -290

Já Sabia

«O paraíso é um autocarro que não pára em sítio nenhum»
(Juan Jose Millás - Contos de Adúlteros Desorientados).

Dia -289

Hoje...
... enchi a banheira de água. Deitei uns sais de laranja.
Deitei-me lá dentro a (re)ler o In Cold Blood.
De vez em quando carreguei no botãozinho da hidromassagem.
Gosto muito de água.
E gostei muito (outra vez) do livro.
E gosto muito destes dias, sossegados.
Em que se viaja imenso dentro de um livro,
sem se sair da nossa banheira.

Wednesday, August 09, 2006

Dia -288

Tenho demasiado calor...
... para dizer o que quer que seja.
(mas não sei se já tinha dito que odeio o verão...)

Tuesday, August 08, 2006

Dia -287

Ler
Tenho lido desalmadamente.
Quase tão desalmadamente como quando
as férias de verão duravam três meses
inteirinhos
e eu só parava de ler
para comer ou beber
e, ocasionalmente, dormir.
Era bestial. Ainda é.