Thursday, September 28, 2006

Dia -338

O Tempo Passa...
... pois passa
e
nós somos apenas
dois velhos
sentados
num autocarro.

Wednesday, September 27, 2006

Dia -337

Às Vezes...
... eu digo, muito baixinho,
destruir.
E tudo começa a cair à minha volta.

Monday, September 25, 2006

Dia -336

Preciso...
de verdade e aspirina.
(Fernando Pessoa - ainda que não seja uma grande constipação o que eu tenho. O que eu tenho chama-se hum... excesso de crença no ser humano? Talvez.)

Dia -335

Oh please...
...take me out of this mexican soap opera!

Saturday, September 23, 2006

Dia -334

I Am Just...
... playing dead

Friday, September 22, 2006

Dia -333

Lost in Translation
Oui je pourrai traduire. Mais je ne traduirai pas. Parce que. Je n’ai pas envie. Je n’ai pas envie de rien. Je n’aime pas cette musique. Et je n’aime pas qu’on ne peut pas parler comme on veut. Donc… fait ce qui tu veux. Efface moi. Comme tout le reste.

Sì potrò tradurre. Ma non tradurrò. Perché. Non voglio. Non voglio niente. Non mi piace questa musica. E non mi piace che non si può parlare poiché si vuole. Dunque... fa quello chi vuoi. Cancella me. Come tutto il resto.

Sí podré traducir. Pero no traduciré. Porque. No tengo deseo. No tengo deseo de nada. No me gusta esta música. Y no me gusta que no se pueda hablar como se quiere. Pues... hace lo que quieres. Borra me. Al igual que el resto.

Yes I will be able to translate. But I will not translate. Because. I do not want. I do not want anything. I do not like this music. And I do not like that it is not possible to say what we want. Then... do what you want. Erase me. Like the rest.

Да я буду перевести. Но я не переведу. Потому что. Я не хочу. Я не хочу что-нибыдь. Я не люблю это нот. И я не люблю что не по возможности сказать мы хотим. После этого... сделано вы хотите. Сотрите мой комментарий. Как остальные

Sim, poderei traduzir. Mas não traduzirei. Porque. Não quero. Eu não quero nada. Eu não gosto desta música. E eu não gosto que não seja possível dizer o que queremos. Então... faz o que quiseres. Apaga-me. Como apagaste tudo o resto.

Dia -332

Não Faltes ao Encontro...
... sê constante.*
* Frase da música Tinha Uma Sala Mal Iluminada, de José Afonso. Apesar das poucas luzes que possuo para me orientar na porra da vida, e ainda que frase se adeque à (minha) situação,esta nada tem que ver com o resto do texto da canção.

Thursday, September 21, 2006

Dia -331

Era e não era...
... foi e não foi.

Tuesday, September 19, 2006

Dia -330

'Eterna viajante dos sentidos'*
As únicas viagens que contam são as que queres fazer.
Com os sentidos.
Posso ser apenas isso.
Na verdade, creio que sou apenas.
Isso.
Mas estou viva.
E sinto. E vou.
Porque assim sinto.
E não.
Não me parece que haja outra razão.
Uma melhor razão.
Para estar vivo.
*alguém, há muito tempo, assim me definiu.

Momento de Intervalo...

Perfect Day*


Just a perfect day,
Drink Sangria in the park,
And then later,
when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...

* Lou Reed
(Bom, não pelas mesmas razões... but... oh yeah, it was just a perfect day for me)

Dia -329

...
há uma espécie de silêncio
que diminui.

Friday, September 15, 2006

Dia -325

Volto sempre ao mesmo poema,
(quando se trata de qualquer coisa vagamente parecida com o amor)
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito de sal e de silêncio,
concebo para minha serenidade uma ideia de pedra e de brancura.
Herberto Helder - O Amor em Visita

Thursday, September 14, 2006

Dia -324

Repetir... (não) disse ela
É tudo novo.
Tão novo que assusta.
Diverso do resto.
Quase diverso do mundo.
Como se fora do mundo
(e num certo sentido nada de tudo isto tem a ver com o mundo).
E apesar de tudo ser novo.
Diverso.
Assustadoramente belo.
Eu.
Eu tenho a certeza
(quase a certeza),
que tudo se vai repetir.
Tudo o que faço.
Sempre.
Mas agora eu não queria isso.
Porque é novo.
É diferente.
É tão igual a mim.
A imagem ao espelho.
Que temo que ao destruí-la,
seja a mim mesma que mato.

Wednesday, September 13, 2006

Dia -323

Que coisa é esta...
... que trago na cabeça?
Podia jurar, se jurasse,
que é o teu coração.
Um coração na cabeça!
Que coisa, esta!

Tuesday, September 12, 2006

Dia -322

And I did...
...panic.
What else is new?

Monday, September 11, 2006

Dia -321

Et Ça Veut Dire?
No supermercado encontrei o psiquiatra,
um ex-aluno com o teu (pouco comum) nome
e a seguir um rapaz com uma t-shirt em que estava escrito:
don't panic!

Sunday, September 10, 2006

Dia -320

Mi piove sulla testa un temporale*...
Pois que chova.
Gosto de chuva.
De tempestades. E vendavais.
Alguma coisa ficará após a tempestade colossal.
Seguramente. A música.
As palavras não contam. Às vezes.
Só a música.
*Roberto Benigni - Quanto ti ho amato

Friday, September 08, 2006

Dia -319

Luna Rossa*

Vaca distrattamente abbandunato

L'uocchie sotto 'o cappiello annascunnute

Mane in'à sacca e bavero ajazto

Vaca fiscann'a 'e stelle caso'asciute

E 'a luna rossa me parla 'e te lo le dommando si aspiette a me

E me risponne: si ó vvuò sapé ?

Ccá 'num ce sta nisciuna!

E io chiamo 'o nomme pe'te vede'

Ma tutt'a gente ca parla 'e te responne:

"É tardi: che vuò sapé?!

Ccá 'num ce stá nisciuna!"

Luna rossa

Chi me sarrà sincera?

Luna rossa

Se n'é ghiuta l'alta sera

Senza me vedè!

E io dico ancora ca "aspietta a me

Fore'o balcone stanotte 'e ttre

E prega 'e sante pe'me vedê

Ma nun ce stà nisciuna!"

Mille 'e cchiù a appuntamente aggiu tenuto

Tante e cchiù sigarette aggio appicciato

Mille tazze `e cafè me sò `bevutto

Mille vucchelle amare aggiuvasato

E io dico ancora ca "aspietta 'e me

Fore 'o balcone stanotte 'e ttre

E prega 'e sante pe'me vedè

Ma nun ce stà nisciuna!

Ma nun ce stà nisciuna!

Ma nun ce stà nisciuna!

Luna, luna, luna ...

(V. de Crescenzo; A. Vian - aqui cantada, ao que me dizem, em bom napolitano arcaico, por Caetano Veloso)
* Pode dizer-se da lua cheia.

Thursday, September 07, 2006

Dia -318

E então...
... eu pergunto(te):
para que serve um coração vermelho?
Ou melhor.
Para que servem dois corações vermelhos?
Nada é transparente.
E no entanto.
Sim, há demasiada beleza na imperfeição das coisas.
Há demasiada evidência na música que ouvimos.
Como se, ainda que não transparente,
o meu coração fosse o teu coração.
Vermelho.
E o teu coração.
Vermelho.
Fosse o meu coração.
(mas, depois, penso que vermelho é a cor habitual nos corações e que os corações apenas têm a função de nos manter vivos. Mas, também, depois, penso que me sinto muito viva agora, apesar de ter tido, desde sempre, o mesmo coração. E é então que não compreendo nada. Mas assim mesmo, deixo-me estar)

Dia -317

Sim,
o meu coração é vermelho como o teu.
Ou melhor.
O meu coração está tão vermelho.
Como o teu.

Tuesday, September 05, 2006

Dia -316

Acontecer
Não se faz acontecer.
As coisas acontecem ou não acontecem.
Sem outro propósito.

Monday, September 04, 2006

Dia -315

Regressos (outra vez)
Não deixa de ser curioso que os primeiros olhos que encontrei
ao regressar
foram os teus.
Esses perigosos olhos.
E é curioso também ter sido hoje.
Hoje.
A primeira vez que falámos.

Sunday, September 03, 2006

Dia -314

Italiano...
... provavelmente a língua mais bonita do mundo.

Saturday, September 02, 2006

Dia -313

Regressos
É geralmente bom regressar.
À casa.
Às coisas rotineiras.
A certas pessoas.
À vida que temos e que,
quando viajamos,
perdemos um pouco.
Viajar não é, como disse Pessoa, perder países.
Ou lugares diversos.
Viajar é perder um bocadinho
a nossa vidinha de sempre.

Friday, September 01, 2006

Dia -312

A (Estranha) Escolha
Quando viajas com alguém, tens tendência para ver o que te rodeia com estranheza, enquanto que, quando viajas só, o estranho és sempre tu.
(Enrique Vila-Matas - A Viagem Vertical)

Thursday, August 10, 2006

Dia -290

Já Sabia

«O paraíso é um autocarro que não pára em sítio nenhum»
(Juan Jose Millás - Contos de Adúlteros Desorientados).

Dia -289

Hoje...
... enchi a banheira de água. Deitei uns sais de laranja.
Deitei-me lá dentro a (re)ler o In Cold Blood.
De vez em quando carreguei no botãozinho da hidromassagem.
Gosto muito de água.
E gostei muito (outra vez) do livro.
E gosto muito destes dias, sossegados.
Em que se viaja imenso dentro de um livro,
sem se sair da nossa banheira.

Wednesday, August 09, 2006

Dia -288

Tenho demasiado calor...
... para dizer o que quer que seja.
(mas não sei se já tinha dito que odeio o verão...)

Tuesday, August 08, 2006

Dia -287

Ler
Tenho lido desalmadamente.
Quase tão desalmadamente como quando
as férias de verão duravam três meses
inteirinhos
e eu só parava de ler
para comer ou beber
e, ocasionalmente, dormir.
Era bestial. Ainda é.

Monday, August 07, 2006

Dia -286

Os Gatos ou
o Amor
ou Miss Nina Simone*


*Esta coisa do You Tube é bem engraçada

Sunday, August 06, 2006

Dia -285

Para Nada, Evidentemente...*


*A quoi ça sert l'amour?

(visto em TalvezTeEscreva e roubado quase imediatamente)

Friday, August 04, 2006

Dia -284

Os Sonhos

Quase nunca me lembro do que sonho.
Sim, eu sei que sonho. Como toda a gente.
Mas raramente, muito raramente, me lembro dos sonhos.
Hoje lembro-me com o que sonhei.
Sonhei contigo.
Estavas vivo.
Mas depois acordei e continuas morto.

Dia -283

Limpezas de Verão
A verdade é que eu me queixo muito, mas gosto imenso de fazer limpezas.
Aliás, não só gosto como sou perfeitamente maníaca.
Não sobrou um grão de pó.
Tudo está escrupulosamente limpo.
Cheira divinamente cá em casa.
Quer dizer... a minha casa cheira sempre bem,
mas agora cheira mesmo mesmo mesmo muito bem.
Quase como se eu tivesse posto a casa toda num tanque,
a tivesse esfregado muito bem, passado por várias águas e posto a corar.

Thursday, August 03, 2006

Dia -282

Post It...
... para ver se me lembro disto da próxima vez que entrar numa livraria:
Estou morta. Subi e desci e desci e subi dezenas de vezes a e de uma cadeira.
Parece que o pó se entranhou nas minhas narinas.
Tirei os livros das estantes.
Limpei para aí uns 3000 e tal livros.
Um por um.
Voltei a colocar os livros nas estantes, perfeitamente ordenados.
Safa! E ainda faltam as estantes da sala!
(bom, ainda bem que não sou o Pacheco Pereira)

Tuesday, August 01, 2006

Dia -281

Massivamente

«Un appel international est lancé pour l'arrêt du
génocide au Liban et en Palestine.
Rejoignons-le
massivement et diffusons-le massivement


cliquer sur le lien ci-dessous»


http://libangaza.free.fr/index.php



Monday, July 31, 2006

Dia -280



«Carta a meus filhos *
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas
uma fiel dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse "com suma piedade e sem efusão de sangue".
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança,
ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de uma classe,
expiaram todos os erros que não tinham cometido
ou não tinham consciência de haver cometido.
Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor.
Mas isto nada é, meus filhos. Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero.
Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram,
aquele gesto de amor, que fariam "amanhã".
E por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor
que outros não amaram porque lho roubaram.»
Jorge de Sena
*É diferente, mas tão igual que...

Dia -279

Alguém...
... me sabe dizer como se diz filhos da puta em libanês?
E já agora em hebraico, para que os visados entendam?
Há dias em que tenho muita vergonha de ser pessoa.
Hoje é um deles.

Saturday, July 29, 2006

Dia -278

A Família
Eu tenho muitos familiares.
Mas para mim a minha família são os meus pais,
a minha irmã verdadeira,
a minha irmã que não é verdadeiramasécomosefosse,
o meu primo a fingir
e o filho de ambos, ou seja,
o meu sobrinho emprestado.
É uma mistura um bocado estranha.
Mas, na verdade, não há famílias normais.
E eu cá gosto da minha tal e qual como é.

Friday, July 28, 2006

Dia -277

A Tese
A minha amiga, aliás, a minha irmã-praticamente-gêmea
acabou a tese. Senti-me quase como quando fui eu.
Feliz e aliviada.
Parabéns, irmã!

Dia -276

Não me importo
É verdade que não me importo.
Que já não me importo.
Com as raparigas imaginárias,
de longos cabelos, à varanda,
a quem escreves as mesmas frases.
É verdade que já não me importo.
Com as raparigas.
São imaginárias
Mas a repetição das palavras, chateia-me.

Wednesday, July 26, 2006

Dia -275


Muitos Parabéns...

... e um monte de prendas e mais um monte de anos pela frente e mais um monte, daqueles mesmo grandes, de felicidades.
Para

Dia -274

Os Nossos Mortos e os Mortos dos Outros
Os mortos dos outros são sempre os mortos dos outros.
Os nossos...
ah os nossos (ou os daqueles que nos estão próximos)...
os nossos serão sempre melhores
que os mortos dos outros.
Mais pesados,
mais significativos,
mais valiosos.
Os nossos mortos representam aquilo em que acreditamos.
E aquilo em que acreditamos por vezes inclui conceitos tão bonitos,
como por exemplo: tolerância, respeito pela vida,
solidariedade, paz.
Os mortos dos outros representam geralmente tudo aquilo que repudiamos, como seja:
o terrorismo, a violência, o desrespeito pela vida, a intolerância.
O problema é quando tudo se mistura
(porque, na realidade, tudo está misturado, como é desejável (e tão humano) que esteja).
Não sou anti-semita. Tenho simpatia pelo povo judeu. Pela sua história.
Mas tal simpatia (e a proximidade cultural (enfim, para dizer o mínimo)) de Israel ao ocidente, não me leva a ignorar que os mortos dos outros são exactamente iguais aos nossos.
E que não há grande desculpa para matar centenas de pessoas. Sejam culpadas ou inocentes.
Pessoas que, apesar de tão diferentes, são iguaizinhas a nós.
Humanos como nós.
Portanto, tão nossos, como os nossos e não outros.
A guerra é um bicho cego.
E estúpido. Profundamente estúpido.

Monday, July 24, 2006

Dia -273

«Para te levar ao concerto que havia no Rivoli»
Eu já assinei.

Sunday, July 23, 2006

Dia -272

A Silly Season
As pessoas andam todas na rua.
Há ranchos folclóricos.
Feiras em cada esquina.
Não estreiam filmes interessantes.
Vai tudo para a praia.
Não acontece nada de especial.
Não percebo porque é que as pessoas ostentam um ar tão contente...
... deve ter-me escapado qualquer coisa.

Saturday, July 22, 2006

Dia -271

As Nossas Casas
Porque é que a casa dos nossos pais é sempre a nossa casa
e a nossa casa parece estranha quando os nossos pais nos visitam?

Friday, July 21, 2006

Dia -270

Avaliações
Gosto da minha profissão.
Mas detesto corrigir exames e trabalhos.
Avaliar, em suma.

Dia -269

I Wish...
...I have a doctor exactly like this in my house.
... I have a House like this as my private doctor.














Hugh Laurie*


* provavelmente o tipo mais interessante do mundo. Ou a prova de que também para mim começou a silly season

Thursday, July 20, 2006

Dia -268

Up's and Down's
Há bocado parei na passadeira.
Enquanto atravessava, o rapaz começou a acenar-me freneticamente.
Sorri e pensei
' bolas! Devo ser mesmo gira. Tenho de apanhar os cabelos mais vezes'.
O rapaz atravessou e do outro lado continuou a acenar-me.
Comecei a estranhar tanto entusiasmo...
'Ok sou gira, mas assim tanto?'
Até que percebi. Tinha os faróis desligados.

Wednesday, July 19, 2006

Dia -267

J'Aime Bien La Mer*


La mer

Qu'on voit danser le long des golfes clairs

A des reflets d'argent

La mer

Des reflets changeants

Sous la pluie

La mer

Au ciel d'été confond

Ses blancs moutons

Avec les anges si purs

La mer bergère d'azur

Infinie

Voyez

Près des étangs

Ces grands roseaux mouillés

Voyez

Ces oiseaux blancs

Et ces maisons rouillées

La mer

Les a bercés

Le long des golfes clairs

Et d'une chanson d'amour

La mer

A bercé mon cœur pour la vie


*mais pas la plage.

La mer, dans la voix de Paolo Conte c'est vraiment magnifique, n'est ce pas?

Tuesday, July 18, 2006

Dia -266

Cada um é para o que nasce
Eu cá nasci para ser rica. Imensamente rica.
Não percebo...
há qualquer coisa que não bate certo.

Sunday, July 16, 2006

Dia -265

As Vozes
Tudo se mistura. Leio-te. E lembro-me de como era
quando éramos um do outro.
Mas, na verdade,
já não tenho nada para te dizer.

Dia -264

Postal de Férias
Nunca me tinham escrito um postal de férias tão bonito.
Obrigada.

Friday, July 14, 2006

Dia -263

Derreter (Mais) Ainda
Se eu pensava que ontem derretia. Hoje estou uma papa
Odeio o Verão (enésimo take)

Thursday, July 13, 2006

Dia -262

Derreto-me
Odeio o verão!
(não sei se já tinha dito isto)

Wednesday, July 12, 2006

Dia -261

Heróis a Bestas
É impressionante a facilidade com que o povo deixou de ver
os jogadores da selecção nacional como heróis
e passou a encará-los como bestas.
O que é que mudou, afinal?

Tuesday, July 11, 2006

Dia -260

Retomar...
...o fio da vida.
Ou dos dias a menos para a morte.
Não. Não quero morrer agora.
Não. Não quero perder mais dias.
Não. Não quero ser (para já) a seiva que alimentará
um dia
um castanheiro
em Montesinho.

Thursday, June 29, 2006

Dia - 247

(A)Deus
Eu vou-me embora.
Não me apetece, para já, escrever mais.
O blog fica.
Acho que Deus existe, afinal.
E onde está Deus?
Talvez cá dentro.

Friday, June 23, 2006

Dia -242

Estou...
... um bocado angustiada.
Espero não ter qualquer razão, ou pelo menos pouca,
esta minha angústia.

Thursday, June 22, 2006

Momento de Intervalo...

Não é Preciso...
... pedires desculpa de nada.
A ti sempre te desculparei tudo.
Mesmo o que não tem razão para pedidos de desculpa.
Pensei que soubesses isso.
Ao menos isso.

Dia -241

Alors vraiment, avec le temps… On n'aime plus



Avec le temps,
avec le temps, va, tout s'en va,
on oublie le visage
et l'on oublie la voix,
le cœur quand ça bat plus,
c'est pas la peine d'aller chercher plus loin.
Faut laisser faire, c'est très bien.

Avec le temps,
avec le temps, va, tout s'en va.
L'autre qu'on adorait,
qu'on cherchait sous la pluie ;
l'autre qu'on devinait au détour d'un regard entre les lignes,
entres les mots et sous le fard d'un serment maquillé
qui s'en va faire sa nuit ;

avec le temps tout s'évanouit...
Avec le temps, avec le temps, va, tout s'en va.
Même les plus chouettes souvenirs,
ça t'a une de ces gueules.
A la galerie "J'farfouille" dans les rayons de la mort,
le samedi soir quand la tendresse s'en va toute seule.

Avec le temps,
avec le temps, va, tout s'en va…
L'autre à qui l'on croyait, pour un rhume, pour un rien.
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux ;
pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous.
Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens.

Avec le temps, avec le temps, va,
tout s'en va…
On oublie les passions et l'on oublie les voix
qui vous disaient tout bas, les mots des pauvres gens :
"Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid".

Avec le temps,
avec le temps, va, tout s'en va et l'on se sent blanchi
comme un cheval fourbu et l'on se sent glacé
dans un lit de hasard et l'on se sent tout seul,
peut-être, mais pénard.
Et l'on se sent floué par les années perdues.
Alors vraiment, avec le temps…
On n'aime plus


(Léo Ferré)

Wednesday, June 21, 2006

Dia -240

Arrogância
É um bocado triste ver em ti essa arrogância.
Talvez tenhas razão.
Não te conheci nunca.
Não costumo ter queda para gajos arrogantes.

Tuesday, June 20, 2006

Dia -239

Por isso...
... é melhor assim.

Monday, June 19, 2006

Dia -238

Provavelmente, sim
(é verdade,
que viveremos)

Sunday, June 18, 2006

Dia -237

Este Gato (também) Era Meu
(na medida em que um gato pode ser de alguém)

Blacky (1990 - 2006)

Saturday, June 17, 2006

Dia -236

As Aulas
Talvez seja um bocado deprimente.
Ser sábado.
E eu ter dado aulas das 10h até às 19h.
Ter gasto vários dias, até de madrugada a prepará-las.
(Acrescento: sem ninguém me pagar mais por isso)
Mas às vezes, há coisas pequeninas
que retiram o lado deprimente a isto
(bom, não estou certa se terá mesmo um lado deprimente, mas talvez pareça).
Como dizerem-me: se todos os professores fossem como a professora!
Ou em oito alunos, três quererem fazer as teses comigo.
Ou, como outro dia, noutra Universidade.
Vários alunos, no fim,
me terem agradecido muito
a aula que lhes dei
(sem que eu os fosse avaliar).
Sometimes, I love my life.
Sometimes I love my work.

Dia -235

Com um Brilhozinho nos Olhos
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há
(Sérgio Godinho)

Thursday, June 15, 2006

Dia -234

Destroço Recuperado...
...de Uma Carta Muito Antiga
Não que ele fosse um homem maravilhoso,
era apenas um homem,
mas deu-me
uma dimensão
de mim, de tudo,
que eu não tinha.

Dia -233

Escapismo
Disse Pacheco Pereira que a febre que nos acomete
(nos, aos portugueses)
(quer dizer, a vocês, a eles, a mim não)
nas alturas de grandes eventos desportivos
(quer dizer, de futebol)
(haverá outro desporto? A acreditar nos 'media' não há)
chama-se escapismo.
Em vez de sentirmos
(sempre)
que pertencemos a um país
(portugal)
sentimos que fazemos parte de uma equipa
(a selecção portuguesa).
E o nosso orgulho nacionalista
(nosso não, vosso ou deles... tudo menos meu)
esgota-se nisso.
Se a nossa
(quer dizer, a vossa, ou a deles, tudo menos minha)
selecção perder o campeonato
não seremos portugueses.
Apenas derrotados.
E é isto que nos define
(antes de tudo o resto)
como povo.
Não somos portugueses sempre.
Somos escapistas.
Entusiastas momentâneos.
(enquanto estamos a ganhar).
Quando perdermos.
Diremos mal de tudo e de todos.
Principalmente do treinador.
E do governo.
(não é o mesmo, embora às vezes pareça).
Tiraremos o orgulho
que pendurámos à janela
(quer dizer, vocês, eles, eu não pendurei nada e nada tenho para tirar)
e cabisbaixos voltaremos
a ser tristes.

É o que se pode chamar
patriotismo de merda.

Tuesday, June 13, 2006

Dia -232

Repetição
Vejo o que escreves.
E o que escreves.
Mesmo com outra destinatária
(ou talvez sem nenhuma).
É igual.
Estranhamente igual.
Ao que escrevias antes.
Para mim.

Dia -231

Entender
As palavras não fazem o homem compreender,
é preciso fazer-se homem para entender as palavras.
(Herberto Helder)

Sunday, June 11, 2006

Dia -230

Prazer
«Ai que prazer
ter um livro para ler
e não o fazer...»

Saturday, June 10, 2006

Friday, June 09, 2006

Dia -228

A Verdade...
... é que até para respirar,
me fazes falta.

Thursday, June 08, 2006

Dia -227

Destinatários
Por vezes. Eu escrevo a pensar em alguém.
E vem outra pessoa e pergunta:
escreveste aquilo para mim?
A comunicação é uma coisa tramada.

Wednesday, June 07, 2006

Dia -226

O Ponto
Vens aqui picar o ponto.
Não pontualmente
como se deve.
Picar.
O ponto.
Mas vens.
Ponto.

Tuesday, June 06, 2006

Dia -225

O Namoro
Alguém me disse
namorar é desnecessário.
Bom, com a minha idade.
E o resto.
(Mais o resto que a idade).
Depois de pensar por um bocado.
E dormir sobre o assunto.
Até sou capaz de concordar.

Monday, June 05, 2006

Dia -224

Domingo
Pois. Acabou o Domingo. São 1:01.
Leio o que escreves.
Há uma coisa repetida, pelo menos dessa recordo-me.
Que já estava antes. No princípio.
Mas ocorre-me que estejas apaixonado.
Não sei bem se gosto disso
(não tenho que gostar ou não gostar).
Sentei-me na varanda hoje.
À hora que o sol começa a descer.
Para as bandas do mar.
Que se vê (um bocadinho) daqui.
Lembrei-me da expressão que fazias.
Quando a uma hora parecida o sol te batia em cheio na cara.
Na minha varanda.
Lembrei-me disso.
E fiz a mesma expressão que fazias.
Mas não aconteceu nada.
Era Domingo.
Continuou a ser.

Sunday, June 04, 2006

Dia -223

Balanço
Cento e vinte sete testes para corrigir.
Aliás, duas perguntas
em
c e n t o
e
v i n t e
s e t e
testes
para corrigir.
Não posso fazer mais nada até ter visto todos os testes.
Bah.
Sometimes I Hate My Life.
(A boa notícia é que já dei um 19. A má notícia é que já dei um 0)

Saturday, June 03, 2006

Dia -222

Today, I feel this way
(a alegria é o que nos torna os dias úteis...
... o prazer é o que nos torna os dias raros...)
Dias úteis
às vezes pretextos fúteis
pra encontrar felicidade
no percurso de um só dia
Dias úteis
são tão frágeis as verdades
que se rompem com a aurora
quem as não remendaria?
Dias úteis
mesmo se a dor nos fizer frente
a alegria é de repente transparente
quem a não receberia?
Mesmo por pretextos fúteis
a alegria é o que nos torna os dias úteis
Dias raros
aqueles que por amparos
do bom senso e da imprudência
fazem os prazeres do dia
Dias raros
como os ares, rarefeitos
amores mais do que perfeitos
quem os recomendaria?
Dias raros
em que os mais dados às rotinas
ouvem sinos, seguem sinas cristalinas
quem as não perseguiria?
Por motivos talvez claros
o prazer é o que nos torna os dias raros
Por pretextos talvez fúteis
a alegria é que nos torna os dias úteis
Por motivos talvez claros
o prazer é o que nos torna os dias raros
Por pretextos talvez fúteis
por motivos talvez claros
Sérgio Godinho - Dias Úteis in 'Domingo no Mundo'
Se quiserem ouvir a belíssima música sigam o único link que encontrei
e que a contém toda:

Friday, June 02, 2006

Dia -221

Esquece Tudo O Que Te Disse
Esquece tudo o que te disse
leva as promessas que fiz.
Manter este amor, é pura tolice
se teu coração nunca o quis.
O nosso lar não tem futuro
já não me queres na velhice.
Quebraste a jura, ergueste um muro
esquece tudo o que te disse
Estas lágrimas que choro,
são o princípio do fim.
Rogo aos céus
meu Deus imploro:
leva o homem que adoro
para bem longe de mim.
Esquece o que te disse
leva as promessas que fiz.
Quebraste a jura, ergueste um muro.
Esquece tudo o que te disse.
(Azembla's Quartet - Esquece tudo o que te disse, banda sonora original do filme com o mesmo título de António Ferreira)

Thursday, June 01, 2006

Dia -220

Late Night Show
Duzentos e setenta testes para corrigir.
D u z e n t o s
e
s e t e n t a.
Testes.
Para corrigir.

Wednesday, May 31, 2006

Dia -219

Dilatação
O calor dilata os corpos.
Vou explodir no ar.
Odeio o Verão!

Tuesday, May 30, 2006

Dia -218

(há um link aqui)
Há demasiadas coisas dentro de mim.
Demasiadas pessoas.
Demasiadas vidas.
Demasiadas mortes.
Tenho de escrever qualquer coisa.
Mesmo mal.
Mesmo demasiado.
Se não.
Rebento.
Ou vivo.
Ou morro.
Ou assim.

Monday, May 29, 2006

Dia -217

O Desamparado Desespero
Descubro isto, pronto a usar,no blog da CGR.
Conhecia este desespero. Mas nunca o tinha encontrado.
Assim.
Tão pronto a usar.
Este desespero é hoje. Também o meu.
E tão antigo.
Nada mais triste que alguém que ama.
Nada mais triste que alguém que amando.
Não tem já qualquer possibilidade de ser amado.
«Que será de mim?....e que queres tu que eu faça?...
Vejo-me bem longe de tudo o que tinha imaginado!
(...)
Não sei nem o que sou, nem o que faço, nem o que desejo...
Mil tormentos contrários me despedaçam!...
Quem poderá imaginar um estado mais deplorável?...
Amo-te como uma perdida, e modero-me ainda assim contigo, até não ousar talvez desejar-te as mesmas tribulações, os mesmos transportes que me agitam...
Matar-me-ia, ou a não fazê-lo, morreria de dor, se estivesse certa que nunca tinhas repouso, que a tua vida era uma contínua desordem e perturbação, que não cessavas de derramar lágrimas, e que tudo aborrecias...
Eu não me sinto com forças para os meus males, como poderia suportar a dor que me causariam os teus, mil vezes mais penetrantes?...
Contudo não posso do mesmo modo resolver-me a desejar que não me tragas no pensamento, e para falar-te sinceramente, sinto com furor ciúmes de tudo quanto possa causar-te alegria; comover ä teu coração, e dar-te gosto (...)
Ignoro por que motivo te escrevo...
Vejo que apenas terás dó de mim, e eu rejeito a tua compaixão, e nada quero dela;
Enfado-me contra mim mesma, quando faço reflexão sobre tudo o que te sacrifiquei...
(...)
Parece-me até não estar contente, nem das minhas mágoas, nem do excesso de meu Amor, ainda que, ai de mim! não possa, mal pecado, lisonjear-me de estar contente de ti...
(...)
Se eu te amasse com aquele extremo que milhares de vezes te disse, não teria eu já de longo tempo cessado de viver?...
Enganei-te... tens toda a razão de queixar-te de mim... Ah ! por que não te queixas?...
Vi-te partir; nenhumas esperanças posso ter de mais ver-te. E ainda respiro!...
É uma traição...
Peço-te dela perdão.
Mas não mo concedas...
Trata-me rigorosamente.
Não julgues os meus sentimentos veementes...
Sê mais difícil de contentar...
Ordena-me nas tuas cartas que morra de Amor por ti...
(...)
Um fim trágico obrigar-te-ia, sem dúvida, a pensar muitas vezes em mim...
A minha memória te seria cara, e quiçá esta morte extraordinária te causaria uma sensível comoção.
E a morte não é porventura preferível ao estado a que me abaixaste?...
Adeus!
Muito quisera nunca haver posto os olhos em ti.
Ah! sinto vivamente a falsidade deste sentimento, e conheço neste mesmo instante em que te escrevo, quanto prefiro e prezo mais ser infeliz amando-te, do que não te haver jamais visto.
Cedo sem murmurar à minha malfadada sorte, já que tu não quiseste torná-la melhor. Adeus.
Promete-me de conservar uma terna e maviosa saudade de mim, se eu falecer de dor; e assim possa ao menos a violência da minha paixão, inspirar-te desgosto e afastar-te de tudo!
(...)
Dize, não seria nímia crueldade a tua, se te servisses da minha desesperação para, pareceres mais amável, mostrando que acendeste a maior paixão que houve no mundo?
Adeus outra vez...
Escrevo-te cartas excessivamente longas, o que é uma falta de consideração para ti: peço-te mil perdões, e atrevo-me a esperar que terás alguma indulgência para com uma pobre insensata, que o não era, como tu bem sabes, antes de amar-te.
Adeus.
Parece-me que demasiadas vezes me dilato em falar do estado insuportável em que estou.
Contudo agradeço-te, do íntimo do meu coração, a desesperação que me causas, e aborreço o sossego em que vivi antes de conhecer-te...
Adeus.
A minha paixão cresce a cada momento.
Ah! quantas cousas tinha ainda para dizer-te!...»
(Soror Mariana Alcoforado - Terceira Carta in Lettres Portugaises)

Sunday, May 28, 2006

Dia -216

Uma Revelação
(porque estou a precisar de afagos no ego.
Ou simplesmente de festinhas na cabeça)
Caro e amável leitor:
Esta de que se fala no texto mais abaixo sou eu.
Eu sou a LiZZie
(por causa do Azul que acha que os Z's, como no JaZZ devem fazer parte do meu nome).
E eu sou a Elisa.
(porque é o diminutivo mais simpático do meu nome).
Sou ainda outras pessoas de quem nunca ouviram falar.
(Nem eu).
Obrigada Rosmaninho pelo afago aqui transcrito.
(Não foste tu que te ausentaste. Fui eu que deixei que te ausentasses):
«Shame on me
Conheci-a, há 4 ou 5 anos, já não interessa como. O que conta é que percebi, no meio do grupo em que a encontrei, que havia qualquer coisa de especial na Elisa. Na atitude, na inteligência, na presença... Depois de um único e breve encontro, circunstâncias inesperadas fizeram com que me afastasse daquele grupo, daquelas andanças e o contacto perdeu-se. Perdemo-nos uma da outra, por culpa minha, até há cerca de alguns meses atrás, quando a reencontrei por aqui.Novamente, o fascínio, a admiração, o orgulho de já ter conversado com alguém assim, bem como uma pontinha de inveja (da boa, claro) de tanta arte numa pessoa só. Esta tarde, ao passear pelos blogs vizinhos, dei com um
Cheers à Elisa e ao seu Bebedeiras de Jazz, e ao passar pelos comentários, critiquei-lhe a modéstia. Ela respondeu-me com um "menina simpática" e relembrou-me o café prometido há tanto tempo.E eu respondo-lhe agora, aqui, que terei, não todo o gosto, nem todo o prazer, mas o maior orgulho em reencontrá-la.
Desculpa-me a ausência, Elisa, e até já.»
E obrigada à Blahblah pelo 'cheers' imerecido.
(E não me venham dizer, que depois disto sou modesta.
Estendi aqui o meu ego agradecido.
E fizeram-me bem, caraças, estes afagos!)

Saturday, May 27, 2006

Dia -215

Um vai nu. Outro também
Gosto de ti. Pronto.
Ponto.

Friday, May 26, 2006

Dia -214

A Depressão Suspensa*
Também eu me encontro em estado pré-depressionário.
Se isso existe. É tal e qual assim que me encontro.
Basta qualquer coisa. Neste momento.
Para desencadear uma entrada triunfal no profundo reino.
Dos que não se interessam por nada.
Dos que só querem dormir.
Dos que não vêem razões para se levantar.
Dos que choram lágrimas brutais.
Dos que não sabem a razão e nem querem saber.
Basta qualquer coisa.
Uma certa música que se ouve inesperadamente.
Ou mesmo propositadamente.
Até à náusea.
Uma certa frase que ouvimos.
Porque nos disseram.
E não nos sai da cabeça.
Uma qualquer coisa. Será agora bastante.
Para entrar nesse turbilhão de nadas.
Para mergulhar no mais profundo vazio.
*João desculpa o uso e abuso. Tu já sabes que sou uma ladra de expressões.
Mas na realidade, a minha sorte é que não tenho tempo . Nem vida.
Para entrar em depressão.
Só para a sentir pairar. Suspensa.
Estranho paradoxo.

Dia -213

Ler(-Te)
Por que me lês? Perguntas-me.
Porque me lês quando há tantos livros por ler?
Eu leio-te porque escreves.
Com as entranhas.
Eu leio-te porque tens frases.
Impossíveis.
Para onde se olha.
Se torna a olhar.
E se olha novamente.
À espera que se esgote o espanto.
Ou se confirme o assombro.
Ou nos passe pela cabeça
foda-se!
Percebes, agora, porque te leio?
E ler-te não exclui que eu leia esses outros livros. Por ler.
E não coloco aqui quem és, porque não te pedi autorização para o fazer. Pois.
E entretanto, acusas-te e eu faço o link.

Thursday, May 25, 2006

Momento de Intervalo...

... com vacas à vista
Eu gostei de ver a minha cidade invadida pelas Vacas.
Umas falam da vida. Outras de sonhos.
Outras do amor.
Outras de coisas concretas.
Aqui estão as minhas preferidas.





Vaca Enamorada - Marquês de Pombal


Vaca Noite e Dia - CC Colombo



Vaca Pessoana - Largo do Rato


Os Gatos da Vaca Preta - Rua do Carmo


Clowds - Aeroporto

Dia -212

Ó Pá!
(momento de imodéstia, vaidadezinha e tal...)
Eu não mereço. Que me citem assim.
Em outros blogs.
Surpreende-me que os outros.
Achem que o que escrevo merece estar assim.
Citado. Nos sítios deles.
Não exactamente o que Eu escrevo.
Mas o que a Outra, a que não sou eu. Escreve.
Talvez essa Outra escreva realmente bem.
Mas talvez o faça só porque tem um coração surdo.
Tão mouco que não houve o que lhe dizem.
E, surdo, deixa-se invadir pela tristeza.
E a tristeza. Já se sabe.
É o melhor veículo (que eu conheço) para a escrita.
Mesmo daqueles que. Como Eu. E como a Outra.
Carecem de talento especial.
Para escrever.
Ou para viver.
O que, por vezes, é o mesmo.

Wednesday, May 24, 2006

Dia -211

An so it is
O fim é o fim é o fim. E depois?
O fim é apenas o fim.
Mas eu não gosto de fins.
Confesso. Faço tudo.
Quase tudo.
Por um fim qualquer.
E depois?
Fico a remoer no fim.
A pensar no antes. No durante.
A desejar. Quase ardentemente.
Que o fim volte a ser princípio.
E o melhor.
É que costuma ser.

Tuesday, May 23, 2006

Dia -210

Ser Uma Cabra
(tem algumas vantagens...)
'A mim nunca nenhum homem me deixou
por uma coisa tão prosaica
como outra mulher'*
Ora bem!
*frase de Alma, no filme Os Inconscientes de Joaquín Oristrell.
A estrear, brevemente, talvez numa sala perto de si

Monday, May 22, 2006

Dia -209

A Estúpida Ironia
Chego a Lisboa. Ontem. Sábado. Exactamente às 16:15.
Se fosse propositado, não seria tão estupidamente irónico.
Mas assim?
Não houve nenhum girassol à minha espera.
O local era o exacto.
A hora era a exacta.
Apenas uma pétala abandonada.
Num caderno de apontamentos.
Onde aponto também flores.
Ou o que delas (me) resta.
E uma etiqueta colada numa folha.
Que (ainda) me diz: Amo-te.
Numa espécie de grego.

Sunday, May 21, 2006

Dia -208

Contradições
É assim tão pouco humano
Tão pouco digno
Tão pouco saudável
Ter tendência para
dizer
e
contradizer?

Saturday, May 20, 2006

Dia -207

As Touradas
O touro é vítima ou lutador?*
Quer dizer... neste contexto... alguém tem dúvidas quanto à resposta?
Ou melhor.
Isto é realmente uma pergunta que se faça?
Ou ainda.
Se já sabe, por que é que pergunta?
*pergunta que vi agora mesmo na Sic Notícias.

Thursday, May 18, 2006

Dia -206

Frases do Caraças
Apesar do meu ateísmo.
Às vezes, de madrugada.
Quando o calor.
A saudade.
Os remorsos.
O arrependimento.
Ou apenas a solidão.
Me caem em cima.
Evidentes.
Também me ocorre.
Se Deus existe.
E se, a existir, não será somente qualquer coisa como o lado fresco.
Da almofada.

Dia -205

Absolutamente
Porque é que quando agora digo meu amor
não acontece absolutamente
nada?

Wednesday, May 17, 2006

Dia -204

As Coisas (uma vez) Feitas...
... ganham uma dimensão quase absoluta.
Porque não se pode simplesmente desfazer o feito?
Como quem faz malha e se engana e puxa os fios para desfazer o erro?
Porque é que a vida não é como o raio do tricot?

Tuesday, May 16, 2006

Dia -203

Iogurtes com moral...
Há uns iogurtes que têm provérbios.
Antes tinham frases lamechas.
Agora têm provérbios.
O meu iogurte de hoje dizia:
Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje!
Pelo sim pelo não, segui o conselho.
Nunca se sabe.

Sunday, May 14, 2006

Dia -202

A Pergunta a que ninguém (me) responde

Para onde vão os amores que foram um dia?

R.Guedes de Carvalho - Mulher em Branco