Monday, November 06, 2006

Dia -377

Orçamento
Com tantos concertos de jazz a acontecerem este mês...
e em tantos pontos diferentes do país,
não há orçamento que resista!
Bah!

Saturday, November 04, 2006

Dia -374

As Coisas Importantes (IV)
Durante muito tempo achei que tinha perdido a capacidade de fazer amigos,
com a facilidade que tinha na infância e na adolescência.
Hoje em dia, a maior parte das pessoas aborrece-me.
As pessoas
(eu incluída)
parecem-me, geralmente, uma merda sem interesse nenhum
(mas a mim tenho de me aturar).
Há excepções naturalmente.
Ela é uma delas.
Ainda nem me conhecia e procedeu como se me conhecesse há anos.
E reconheceu-me de repente.
É ela a única pessoa que reparou que eu espeto o nariz
quando me fazem zangar
(eu não sabia, mas reparo que é verdade).
Hoje apareceu-me com um livro de capa azul nas mãos
e deu-mo.
O livro era o meu.
E parecia um livro a sério.
Mas muito menos a sério e muito menos importante
do que ela.

Thursday, November 02, 2006

Dia -373

O Mundo...
... está sempre a começar.
Mas ficamos parados como se não compreendessemos.

Dia -372

1 de Novembro
Para que serve este dia?

Wednesday, November 01, 2006

Dia -371

As Coisas Importantes (III)...
...as realizações pessoais dos nossos amigos mais queridos.
As coisas notáveis que se ouvem dizer a propósito deles
(neste caso, dela).
O sorriso idiota que se nos estampa no rosto,
quando os vemos serem brilhantes.
A felicidade deles é a coisa mais importante.
E é também nossa.

Monday, October 30, 2006

Dia -370

Os Alunos, essas fontes inesgotáveis de alegria
A professora é tão bem humorada
que eu não lhe dava mais de 25 anos.

Sunday, October 29, 2006

Dia -369

Uma Ideia Gira
Dizes-me que o amor não pode ser uma ideia gira.
Ou uma ideia sequer.
Porque não?
Eu não o amo.
Nem sequer estou apaixonada.
Mas posso ter essa ideia.
E achar que é uma bela ideia.
Mas não passa disso.

Thursday, October 26, 2006

Dia -366

Os muros e as lágrimas e o resto


Dia -365

Um Ano...

... Over the Rainbow*...


... a contar as pétalas das flores que seguem o sol.
Um ano são trezentos e sessenta e cinco dias.
Não é muito.


(* Keith Jarrett, pois claro)

Wednesday, October 25, 2006

Dia -364

Os meus parabéns, Carla.
Por saberes ouvir tão bem o sorriso dos pássaros.

Monday, October 23, 2006

Dia -363

As Coisas Extraordinárias (I)
O olhar que nos deitam os outros.
Quando não nos reconhecem.

Friday, October 20, 2006

Dia -360

Eu gosto do blog da Zazie.

Thursday, October 19, 2006

Dia -359

Eu...
... às vezes.
Sou brilhante.
Caraças!

Wednesday, October 18, 2006

Dia -358

Não sou o Astérix mas...*
... eu acho que o céu vai acabar por nos cair em cima da cabeça.
*... tenho pena, sim, ok.

Monday, October 16, 2006

Dia -357

Sapos
Eu gosto mais de sapos que de príncipes.
Os sapos, ao menos, não desapontam ninguém.
São verdes. Coacham. Saltam. E têm olhos esbugalhados.
Já os príncipes têm tão pouco de encantados como os sapos.
E, normalmente, são muito menos encantadores.

Dia -356

Anúncio
«(...) mulher desembaraçada
quer viver com alma irmã
de quem não seja criada
de quem não seja mamã (...)»
(Sérgio Godinho, pedacinho da letra de Etelvina)

Sunday, October 15, 2006

Dia -355

O Desconto
Hoje num cinema da Lusomundo (sim, sim, aqueles cinemas grandes, com muitas salas, onde vão imensas pessoas, todos os dias) fizeram-me um desconto.
Em vez de pagar os habituais 5 euros e 20 cêntimos, paguei 4 euros.
Quando perguntei: mas enganou-se ou o preço dos bilhetes baixou?
O moço olhou para mim e disse: não baixou nada, eu é que lhe estou a fazer um desconto.
Um desconto? perguntei eu, praticamente incrédula. Mas porquê?
Porque vem cá muitas vezes, respondeu.
Quando eu lhe perguntei como era possível, entre tanta gente, ele lembrar-se que eu ia lá muitas vezes, respondeu: ora, lembro-me da sua cara!
Genial, hein?

Friday, October 13, 2006

Dia -354

Os corações bonitos, são os que...
...por un minuto de vida breve
única de ojos abiertos
por un minuto de ver
en el cerebro flores pequeñas
danzando como palabras en la boca de un mudo.
Alejandra Pizarnik (recebido por email)

Thursday, October 12, 2006

Dia -353

Uma Estranha Transferência
Folgo em anunciar que o meu terçolho diminui a olhos vistos
(bom... pelo menos o meu olho esquerdo já (se) vê bem).
Mas parece-me que está a acontecer um fenómeno de transferência esquisito:
há medida que o terçolho diminui, aumenta a borbulha que tenho do lado direito da cara.
Será que nunca posso ter uma aparência normal? Apre!

Wednesday, October 11, 2006

Dia -352

Jacinta
Tudo pode ser jazz... até as canções que nos habituámos a ouvir como outra coisa qualquer.
E isso está muito bem.
O que não pode ser... e por isso é que não gosto muito do Day Dream, da Jacinta, nem gostei do seu concerto de hoje.... é pegar em standards absolutamente fabulosos, como o Monk's Dream ou o In a Sentimental Mood e dar-lhes uma letra (e um título) perfeitamente patética.
Quer dizer, tenham dó.

Dia -351

Como...
... é que isto desaparece?
Quer dizer eu ponho a pomada que me receitaram e tal...
mas como (e quando) é que esta coisa desaparece do meu olho, hein?

Monday, October 09, 2006

Dia -350

Terçolho
Ai ai... era mesmo o que me faltava...
Meu pobre olho esquerdo.
Inchado e vermelho.
E tudo por causa do Staphylococcus aureus.

Wednesday, October 04, 2006

Dia -345

Poema de Um Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só.
António Ramos Rosa

Tuesday, October 03, 2006

Dia -344

Nem eu, nem eu
«E, não me agradando, também não me desagrada por aí além a ideia de não passarmos de projecções infinitas do mesmo vazio. Não sei que te diga. »
(recebido de alguém dado a melancolias e metafísicas bastantes, por email, hoje)

Dia -343

Claramente*
(Luís Januário n'A Natureza do Mal)
*Como em claro. Ou claridade.

Sunday, October 01, 2006

Dia -342

Eu Tive...
... pois tive,
o sol
à minha frente.
A imensidão de
luz
deve ter-me cegado.

Dia -341

É Grave?
Eu não tenho saudades de pessoas.
Eu tenho é saudades de situações.

Saturday, September 30, 2006

Dia -340

O Fado do Encontro*



*(Tim & Marisa. Sim, é lamechas, mas eu sei porque é que gosto desta canção. Pronto)

Thursday, September 28, 2006

Dia -339

Doi-me a Cabeça
A sério
doi-me
o raio
da
cabeça.
E
é estranho
porque
a
mim
nunca
me
dói
a
cabeça.

Dia -338

O Tempo Passa...
... pois passa
e
nós somos apenas
dois velhos
sentados
num autocarro.

Wednesday, September 27, 2006

Dia -337

Às Vezes...
... eu digo, muito baixinho,
destruir.
E tudo começa a cair à minha volta.

Monday, September 25, 2006

Dia -336

Preciso...
de verdade e aspirina.
(Fernando Pessoa - ainda que não seja uma grande constipação o que eu tenho. O que eu tenho chama-se hum... excesso de crença no ser humano? Talvez.)

Dia -335

Oh please...
...take me out of this mexican soap opera!

Saturday, September 23, 2006

Dia -334

I Am Just...
... playing dead

Friday, September 22, 2006

Dia -333

Lost in Translation
Oui je pourrai traduire. Mais je ne traduirai pas. Parce que. Je n’ai pas envie. Je n’ai pas envie de rien. Je n’aime pas cette musique. Et je n’aime pas qu’on ne peut pas parler comme on veut. Donc… fait ce qui tu veux. Efface moi. Comme tout le reste.

Sì potrò tradurre. Ma non tradurrò. Perché. Non voglio. Non voglio niente. Non mi piace questa musica. E non mi piace che non si può parlare poiché si vuole. Dunque... fa quello chi vuoi. Cancella me. Come tutto il resto.

Sí podré traducir. Pero no traduciré. Porque. No tengo deseo. No tengo deseo de nada. No me gusta esta música. Y no me gusta que no se pueda hablar como se quiere. Pues... hace lo que quieres. Borra me. Al igual que el resto.

Yes I will be able to translate. But I will not translate. Because. I do not want. I do not want anything. I do not like this music. And I do not like that it is not possible to say what we want. Then... do what you want. Erase me. Like the rest.

Да я буду перевести. Но я не переведу. Потому что. Я не хочу. Я не хочу что-нибыдь. Я не люблю это нот. И я не люблю что не по возможности сказать мы хотим. После этого... сделано вы хотите. Сотрите мой комментарий. Как остальные

Sim, poderei traduzir. Mas não traduzirei. Porque. Não quero. Eu não quero nada. Eu não gosto desta música. E eu não gosto que não seja possível dizer o que queremos. Então... faz o que quiseres. Apaga-me. Como apagaste tudo o resto.

Dia -332

Não Faltes ao Encontro...
... sê constante.*
* Frase da música Tinha Uma Sala Mal Iluminada, de José Afonso. Apesar das poucas luzes que possuo para me orientar na porra da vida, e ainda que frase se adeque à (minha) situação,esta nada tem que ver com o resto do texto da canção.

Thursday, September 21, 2006

Dia -331

Era e não era...
... foi e não foi.

Tuesday, September 19, 2006

Dia -330

'Eterna viajante dos sentidos'*
As únicas viagens que contam são as que queres fazer.
Com os sentidos.
Posso ser apenas isso.
Na verdade, creio que sou apenas.
Isso.
Mas estou viva.
E sinto. E vou.
Porque assim sinto.
E não.
Não me parece que haja outra razão.
Uma melhor razão.
Para estar vivo.
*alguém, há muito tempo, assim me definiu.

Momento de Intervalo...

Perfect Day*


Just a perfect day,
Drink Sangria in the park,
And then later,
when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.
Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow,
You're going to reap just what you sow...

* Lou Reed
(Bom, não pelas mesmas razões... but... oh yeah, it was just a perfect day for me)

Dia -329

...
há uma espécie de silêncio
que diminui.

Friday, September 15, 2006

Dia -325

Volto sempre ao mesmo poema,
(quando se trata de qualquer coisa vagamente parecida com o amor)
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito de sal e de silêncio,
concebo para minha serenidade uma ideia de pedra e de brancura.
Herberto Helder - O Amor em Visita

Thursday, September 14, 2006

Dia -324

Repetir... (não) disse ela
É tudo novo.
Tão novo que assusta.
Diverso do resto.
Quase diverso do mundo.
Como se fora do mundo
(e num certo sentido nada de tudo isto tem a ver com o mundo).
E apesar de tudo ser novo.
Diverso.
Assustadoramente belo.
Eu.
Eu tenho a certeza
(quase a certeza),
que tudo se vai repetir.
Tudo o que faço.
Sempre.
Mas agora eu não queria isso.
Porque é novo.
É diferente.
É tão igual a mim.
A imagem ao espelho.
Que temo que ao destruí-la,
seja a mim mesma que mato.

Wednesday, September 13, 2006

Dia -323

Que coisa é esta...
... que trago na cabeça?
Podia jurar, se jurasse,
que é o teu coração.
Um coração na cabeça!
Que coisa, esta!

Tuesday, September 12, 2006

Dia -322

And I did...
...panic.
What else is new?

Monday, September 11, 2006

Dia -321

Et Ça Veut Dire?
No supermercado encontrei o psiquiatra,
um ex-aluno com o teu (pouco comum) nome
e a seguir um rapaz com uma t-shirt em que estava escrito:
don't panic!

Sunday, September 10, 2006

Dia -320

Mi piove sulla testa un temporale*...
Pois que chova.
Gosto de chuva.
De tempestades. E vendavais.
Alguma coisa ficará após a tempestade colossal.
Seguramente. A música.
As palavras não contam. Às vezes.
Só a música.
*Roberto Benigni - Quanto ti ho amato

Friday, September 08, 2006

Dia -319

Luna Rossa*

Vaca distrattamente abbandunato

L'uocchie sotto 'o cappiello annascunnute

Mane in'à sacca e bavero ajazto

Vaca fiscann'a 'e stelle caso'asciute

E 'a luna rossa me parla 'e te lo le dommando si aspiette a me

E me risponne: si ó vvuò sapé ?

Ccá 'num ce sta nisciuna!

E io chiamo 'o nomme pe'te vede'

Ma tutt'a gente ca parla 'e te responne:

"É tardi: che vuò sapé?!

Ccá 'num ce stá nisciuna!"

Luna rossa

Chi me sarrà sincera?

Luna rossa

Se n'é ghiuta l'alta sera

Senza me vedè!

E io dico ancora ca "aspietta a me

Fore'o balcone stanotte 'e ttre

E prega 'e sante pe'me vedê

Ma nun ce stà nisciuna!"

Mille 'e cchiù a appuntamente aggiu tenuto

Tante e cchiù sigarette aggio appicciato

Mille tazze `e cafè me sò `bevutto

Mille vucchelle amare aggiuvasato

E io dico ancora ca "aspietta 'e me

Fore 'o balcone stanotte 'e ttre

E prega 'e sante pe'me vedè

Ma nun ce stà nisciuna!

Ma nun ce stà nisciuna!

Ma nun ce stà nisciuna!

Luna, luna, luna ...

(V. de Crescenzo; A. Vian - aqui cantada, ao que me dizem, em bom napolitano arcaico, por Caetano Veloso)
* Pode dizer-se da lua cheia.

Thursday, September 07, 2006

Dia -318

E então...
... eu pergunto(te):
para que serve um coração vermelho?
Ou melhor.
Para que servem dois corações vermelhos?
Nada é transparente.
E no entanto.
Sim, há demasiada beleza na imperfeição das coisas.
Há demasiada evidência na música que ouvimos.
Como se, ainda que não transparente,
o meu coração fosse o teu coração.
Vermelho.
E o teu coração.
Vermelho.
Fosse o meu coração.
(mas, depois, penso que vermelho é a cor habitual nos corações e que os corações apenas têm a função de nos manter vivos. Mas, também, depois, penso que me sinto muito viva agora, apesar de ter tido, desde sempre, o mesmo coração. E é então que não compreendo nada. Mas assim mesmo, deixo-me estar)

Dia -317

Sim,
o meu coração é vermelho como o teu.
Ou melhor.
O meu coração está tão vermelho.
Como o teu.

Tuesday, September 05, 2006

Dia -316

Acontecer
Não se faz acontecer.
As coisas acontecem ou não acontecem.
Sem outro propósito.

Monday, September 04, 2006

Dia -315

Regressos (outra vez)
Não deixa de ser curioso que os primeiros olhos que encontrei
ao regressar
foram os teus.
Esses perigosos olhos.
E é curioso também ter sido hoje.
Hoje.
A primeira vez que falámos.

Sunday, September 03, 2006

Dia -314

Italiano...
... provavelmente a língua mais bonita do mundo.

Saturday, September 02, 2006

Dia -313

Regressos
É geralmente bom regressar.
À casa.
Às coisas rotineiras.
A certas pessoas.
À vida que temos e que,
quando viajamos,
perdemos um pouco.
Viajar não é, como disse Pessoa, perder países.
Ou lugares diversos.
Viajar é perder um bocadinho
a nossa vidinha de sempre.

Friday, September 01, 2006

Dia -312

A (Estranha) Escolha
Quando viajas com alguém, tens tendência para ver o que te rodeia com estranheza, enquanto que, quando viajas só, o estranho és sempre tu.
(Enrique Vila-Matas - A Viagem Vertical)

Thursday, August 10, 2006

Dia -290

Já Sabia

«O paraíso é um autocarro que não pára em sítio nenhum»
(Juan Jose Millás - Contos de Adúlteros Desorientados).

Dia -289

Hoje...
... enchi a banheira de água. Deitei uns sais de laranja.
Deitei-me lá dentro a (re)ler o In Cold Blood.
De vez em quando carreguei no botãozinho da hidromassagem.
Gosto muito de água.
E gostei muito (outra vez) do livro.
E gosto muito destes dias, sossegados.
Em que se viaja imenso dentro de um livro,
sem se sair da nossa banheira.

Wednesday, August 09, 2006

Dia -288

Tenho demasiado calor...
... para dizer o que quer que seja.
(mas não sei se já tinha dito que odeio o verão...)

Tuesday, August 08, 2006

Dia -287

Ler
Tenho lido desalmadamente.
Quase tão desalmadamente como quando
as férias de verão duravam três meses
inteirinhos
e eu só parava de ler
para comer ou beber
e, ocasionalmente, dormir.
Era bestial. Ainda é.

Monday, August 07, 2006

Dia -286

Os Gatos ou
o Amor
ou Miss Nina Simone*


*Esta coisa do You Tube é bem engraçada

Sunday, August 06, 2006

Dia -285

Para Nada, Evidentemente...*


*A quoi ça sert l'amour?

(visto em TalvezTeEscreva e roubado quase imediatamente)

Friday, August 04, 2006

Dia -284

Os Sonhos

Quase nunca me lembro do que sonho.
Sim, eu sei que sonho. Como toda a gente.
Mas raramente, muito raramente, me lembro dos sonhos.
Hoje lembro-me com o que sonhei.
Sonhei contigo.
Estavas vivo.
Mas depois acordei e continuas morto.

Dia -283

Limpezas de Verão
A verdade é que eu me queixo muito, mas gosto imenso de fazer limpezas.
Aliás, não só gosto como sou perfeitamente maníaca.
Não sobrou um grão de pó.
Tudo está escrupulosamente limpo.
Cheira divinamente cá em casa.
Quer dizer... a minha casa cheira sempre bem,
mas agora cheira mesmo mesmo mesmo muito bem.
Quase como se eu tivesse posto a casa toda num tanque,
a tivesse esfregado muito bem, passado por várias águas e posto a corar.

Thursday, August 03, 2006

Dia -282

Post It...
... para ver se me lembro disto da próxima vez que entrar numa livraria:
Estou morta. Subi e desci e desci e subi dezenas de vezes a e de uma cadeira.
Parece que o pó se entranhou nas minhas narinas.
Tirei os livros das estantes.
Limpei para aí uns 3000 e tal livros.
Um por um.
Voltei a colocar os livros nas estantes, perfeitamente ordenados.
Safa! E ainda faltam as estantes da sala!
(bom, ainda bem que não sou o Pacheco Pereira)

Tuesday, August 01, 2006

Dia -281

Massivamente

«Un appel international est lancé pour l'arrêt du
génocide au Liban et en Palestine.
Rejoignons-le
massivement et diffusons-le massivement


cliquer sur le lien ci-dessous»


http://libangaza.free.fr/index.php



Monday, July 31, 2006

Dia -280



«Carta a meus filhos *
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas
uma fiel dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse "com suma piedade e sem efusão de sangue".
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança,
ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de uma classe,
expiaram todos os erros que não tinham cometido
ou não tinham consciência de haver cometido.
Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor.
Mas isto nada é, meus filhos. Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero.
Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram,
aquele gesto de amor, que fariam "amanhã".
E por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor
que outros não amaram porque lho roubaram.»
Jorge de Sena
*É diferente, mas tão igual que...

Dia -279

Alguém...
... me sabe dizer como se diz filhos da puta em libanês?
E já agora em hebraico, para que os visados entendam?
Há dias em que tenho muita vergonha de ser pessoa.
Hoje é um deles.

Saturday, July 29, 2006

Dia -278

A Família
Eu tenho muitos familiares.
Mas para mim a minha família são os meus pais,
a minha irmã verdadeira,
a minha irmã que não é verdadeiramasécomosefosse,
o meu primo a fingir
e o filho de ambos, ou seja,
o meu sobrinho emprestado.
É uma mistura um bocado estranha.
Mas, na verdade, não há famílias normais.
E eu cá gosto da minha tal e qual como é.

Friday, July 28, 2006

Dia -277

A Tese
A minha amiga, aliás, a minha irmã-praticamente-gêmea
acabou a tese. Senti-me quase como quando fui eu.
Feliz e aliviada.
Parabéns, irmã!

Dia -276

Não me importo
É verdade que não me importo.
Que já não me importo.
Com as raparigas imaginárias,
de longos cabelos, à varanda,
a quem escreves as mesmas frases.
É verdade que já não me importo.
Com as raparigas.
São imaginárias
Mas a repetição das palavras, chateia-me.

Wednesday, July 26, 2006

Dia -275


Muitos Parabéns...

... e um monte de prendas e mais um monte de anos pela frente e mais um monte, daqueles mesmo grandes, de felicidades.
Para

Dia -274

Os Nossos Mortos e os Mortos dos Outros
Os mortos dos outros são sempre os mortos dos outros.
Os nossos...
ah os nossos (ou os daqueles que nos estão próximos)...
os nossos serão sempre melhores
que os mortos dos outros.
Mais pesados,
mais significativos,
mais valiosos.
Os nossos mortos representam aquilo em que acreditamos.
E aquilo em que acreditamos por vezes inclui conceitos tão bonitos,
como por exemplo: tolerância, respeito pela vida,
solidariedade, paz.
Os mortos dos outros representam geralmente tudo aquilo que repudiamos, como seja:
o terrorismo, a violência, o desrespeito pela vida, a intolerância.
O problema é quando tudo se mistura
(porque, na realidade, tudo está misturado, como é desejável (e tão humano) que esteja).
Não sou anti-semita. Tenho simpatia pelo povo judeu. Pela sua história.
Mas tal simpatia (e a proximidade cultural (enfim, para dizer o mínimo)) de Israel ao ocidente, não me leva a ignorar que os mortos dos outros são exactamente iguais aos nossos.
E que não há grande desculpa para matar centenas de pessoas. Sejam culpadas ou inocentes.
Pessoas que, apesar de tão diferentes, são iguaizinhas a nós.
Humanos como nós.
Portanto, tão nossos, como os nossos e não outros.
A guerra é um bicho cego.
E estúpido. Profundamente estúpido.

Monday, July 24, 2006

Dia -273

«Para te levar ao concerto que havia no Rivoli»
Eu já assinei.

Sunday, July 23, 2006

Dia -272

A Silly Season
As pessoas andam todas na rua.
Há ranchos folclóricos.
Feiras em cada esquina.
Não estreiam filmes interessantes.
Vai tudo para a praia.
Não acontece nada de especial.
Não percebo porque é que as pessoas ostentam um ar tão contente...
... deve ter-me escapado qualquer coisa.

Saturday, July 22, 2006

Dia -271

As Nossas Casas
Porque é que a casa dos nossos pais é sempre a nossa casa
e a nossa casa parece estranha quando os nossos pais nos visitam?

Friday, July 21, 2006

Dia -270

Avaliações
Gosto da minha profissão.
Mas detesto corrigir exames e trabalhos.
Avaliar, em suma.

Dia -269

I Wish...
...I have a doctor exactly like this in my house.
... I have a House like this as my private doctor.














Hugh Laurie*


* provavelmente o tipo mais interessante do mundo. Ou a prova de que também para mim começou a silly season

Thursday, July 20, 2006

Dia -268

Up's and Down's
Há bocado parei na passadeira.
Enquanto atravessava, o rapaz começou a acenar-me freneticamente.
Sorri e pensei
' bolas! Devo ser mesmo gira. Tenho de apanhar os cabelos mais vezes'.
O rapaz atravessou e do outro lado continuou a acenar-me.
Comecei a estranhar tanto entusiasmo...
'Ok sou gira, mas assim tanto?'
Até que percebi. Tinha os faróis desligados.

Wednesday, July 19, 2006

Dia -267

J'Aime Bien La Mer*


La mer

Qu'on voit danser le long des golfes clairs

A des reflets d'argent

La mer

Des reflets changeants

Sous la pluie

La mer

Au ciel d'été confond

Ses blancs moutons

Avec les anges si purs

La mer bergère d'azur

Infinie

Voyez

Près des étangs

Ces grands roseaux mouillés

Voyez

Ces oiseaux blancs

Et ces maisons rouillées

La mer

Les a bercés

Le long des golfes clairs

Et d'une chanson d'amour

La mer

A bercé mon cœur pour la vie


*mais pas la plage.

La mer, dans la voix de Paolo Conte c'est vraiment magnifique, n'est ce pas?

Tuesday, July 18, 2006

Dia -266

Cada um é para o que nasce
Eu cá nasci para ser rica. Imensamente rica.
Não percebo...
há qualquer coisa que não bate certo.

Sunday, July 16, 2006

Dia -265

As Vozes
Tudo se mistura. Leio-te. E lembro-me de como era
quando éramos um do outro.
Mas, na verdade,
já não tenho nada para te dizer.

Dia -264

Postal de Férias
Nunca me tinham escrito um postal de férias tão bonito.
Obrigada.

Friday, July 14, 2006

Dia -263

Derreter (Mais) Ainda
Se eu pensava que ontem derretia. Hoje estou uma papa
Odeio o Verão (enésimo take)

Thursday, July 13, 2006

Dia -262

Derreto-me
Odeio o verão!
(não sei se já tinha dito isto)

Wednesday, July 12, 2006

Dia -261

Heróis a Bestas
É impressionante a facilidade com que o povo deixou de ver
os jogadores da selecção nacional como heróis
e passou a encará-los como bestas.
O que é que mudou, afinal?

Tuesday, July 11, 2006

Dia -260

Retomar...
...o fio da vida.
Ou dos dias a menos para a morte.
Não. Não quero morrer agora.
Não. Não quero perder mais dias.
Não. Não quero ser (para já) a seiva que alimentará
um dia
um castanheiro
em Montesinho.

Thursday, June 29, 2006

Dia - 247

(A)Deus
Eu vou-me embora.
Não me apetece, para já, escrever mais.
O blog fica.
Acho que Deus existe, afinal.
E onde está Deus?
Talvez cá dentro.

Friday, June 23, 2006

Dia -242

Estou...
... um bocado angustiada.
Espero não ter qualquer razão, ou pelo menos pouca,
esta minha angústia.

Thursday, June 22, 2006

Momento de Intervalo...

Não é Preciso...
... pedires desculpa de nada.
A ti sempre te desculparei tudo.
Mesmo o que não tem razão para pedidos de desculpa.
Pensei que soubesses isso.
Ao menos isso.

Dia -241

Alors vraiment, avec le temps… On n'aime plus



Avec le temps,
avec le temps, va, tout s'en va,
on oublie le visage
et l'on oublie la voix,
le cœur quand ça bat plus,
c'est pas la peine d'aller chercher plus loin.
Faut laisser faire, c'est très bien.

Avec le temps,
avec le temps, va, tout s'en va.
L'autre qu'on adorait,
qu'on cherchait sous la pluie ;
l'autre qu'on devinait au détour d'un regard entre les lignes,
entres les mots et sous le fard d'un serment maquillé
qui s'en va faire sa nuit ;

avec le temps tout s'évanouit...
Avec le temps, avec le temps, va, tout s'en va.
Même les plus chouettes souvenirs,
ça t'a une de ces gueules.
A la galerie "J'farfouille" dans les rayons de la mort,
le samedi soir quand la tendresse s'en va toute seule.

Avec le temps,
avec le temps, va, tout s'en va…
L'autre à qui l'on croyait, pour un rhume, pour un rien.
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux ;
pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous.
Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens.

Avec le temps, avec le temps, va,
tout s'en va…
On oublie les passions et l'on oublie les voix
qui vous disaient tout bas, les mots des pauvres gens :
"Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid".

Avec le temps,
avec le temps, va, tout s'en va et l'on se sent blanchi
comme un cheval fourbu et l'on se sent glacé
dans un lit de hasard et l'on se sent tout seul,
peut-être, mais pénard.
Et l'on se sent floué par les années perdues.
Alors vraiment, avec le temps…
On n'aime plus


(Léo Ferré)

Wednesday, June 21, 2006

Dia -240

Arrogância
É um bocado triste ver em ti essa arrogância.
Talvez tenhas razão.
Não te conheci nunca.
Não costumo ter queda para gajos arrogantes.

Tuesday, June 20, 2006

Dia -239

Por isso...
... é melhor assim.

Monday, June 19, 2006

Dia -238

Provavelmente, sim
(é verdade,
que viveremos)

Sunday, June 18, 2006

Dia -237

Este Gato (também) Era Meu
(na medida em que um gato pode ser de alguém)

Blacky (1990 - 2006)

Saturday, June 17, 2006

Dia -236

As Aulas
Talvez seja um bocado deprimente.
Ser sábado.
E eu ter dado aulas das 10h até às 19h.
Ter gasto vários dias, até de madrugada a prepará-las.
(Acrescento: sem ninguém me pagar mais por isso)
Mas às vezes, há coisas pequeninas
que retiram o lado deprimente a isto
(bom, não estou certa se terá mesmo um lado deprimente, mas talvez pareça).
Como dizerem-me: se todos os professores fossem como a professora!
Ou em oito alunos, três quererem fazer as teses comigo.
Ou, como outro dia, noutra Universidade.
Vários alunos, no fim,
me terem agradecido muito
a aula que lhes dei
(sem que eu os fosse avaliar).
Sometimes, I love my life.
Sometimes I love my work.

Dia -235

Com um Brilhozinho nos Olhos
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há
(Sérgio Godinho)

Thursday, June 15, 2006

Dia -234

Destroço Recuperado...
...de Uma Carta Muito Antiga
Não que ele fosse um homem maravilhoso,
era apenas um homem,
mas deu-me
uma dimensão
de mim, de tudo,
que eu não tinha.

Dia -233

Escapismo
Disse Pacheco Pereira que a febre que nos acomete
(nos, aos portugueses)
(quer dizer, a vocês, a eles, a mim não)
nas alturas de grandes eventos desportivos
(quer dizer, de futebol)
(haverá outro desporto? A acreditar nos 'media' não há)
chama-se escapismo.
Em vez de sentirmos
(sempre)
que pertencemos a um país
(portugal)
sentimos que fazemos parte de uma equipa
(a selecção portuguesa).
E o nosso orgulho nacionalista
(nosso não, vosso ou deles... tudo menos meu)
esgota-se nisso.
Se a nossa
(quer dizer, a vossa, ou a deles, tudo menos minha)
selecção perder o campeonato
não seremos portugueses.
Apenas derrotados.
E é isto que nos define
(antes de tudo o resto)
como povo.
Não somos portugueses sempre.
Somos escapistas.
Entusiastas momentâneos.
(enquanto estamos a ganhar).
Quando perdermos.
Diremos mal de tudo e de todos.
Principalmente do treinador.
E do governo.
(não é o mesmo, embora às vezes pareça).
Tiraremos o orgulho
que pendurámos à janela
(quer dizer, vocês, eles, eu não pendurei nada e nada tenho para tirar)
e cabisbaixos voltaremos
a ser tristes.

É o que se pode chamar
patriotismo de merda.

Tuesday, June 13, 2006

Dia -232

Repetição
Vejo o que escreves.
E o que escreves.
Mesmo com outra destinatária
(ou talvez sem nenhuma).
É igual.
Estranhamente igual.
Ao que escrevias antes.
Para mim.

Dia -231

Entender
As palavras não fazem o homem compreender,
é preciso fazer-se homem para entender as palavras.
(Herberto Helder)

Sunday, June 11, 2006

Dia -230

Prazer
«Ai que prazer
ter um livro para ler
e não o fazer...»