Friday, February 09, 2007

Dia -472

Regresso aos Posts Absolutamente Profundos




















Hugh Laurie

Digam lá, mas assim mesmo honestamente...
não merecerei eu:
- os olhos azuis,
- a barba mal feita,
- o cabelo em desalinho,
- as olheiras fundas,
- a camisa escrupulosamente branca e
- a personalidade cáustica e indomável do Dr. House*???
É que eu, assim mesmo honestamente acho que menos não mereço.

(*sim, provavelmente o tipo mais interessante do mundo)

Dia -471

Do que eu gostei mais foi daquele instrumento a que eles chamam Contrabacia**, mas o resto também é muito... hum... original?*
*Pelo menos... divertido foi, sem qualquer dúvida.
Uma mistura de Kusturica com Almodovar ou... sei lá eu bem.
Chamam-se O'queStrada
** Contrabacia - um pau de vassoura enterrado numa bacia de plástico, com uma espécie de corda da roupa ao longo do pau... aparentemente produz música. Uma espécie de...

Thursday, February 08, 2007

Dia -470

Я тупоумн
e, parecendo que não, isso explica muita coisa.

Wednesday, February 07, 2007

Dia -469

Avec Moi, C'est Pareil
Le plus clair de mon temps, je le passe à l'obscurcir, parce que la lumière me gêne.
Boris Vian - L'Écume des Jours

Tuesday, February 06, 2007

Dia -468

I Turned Fourty and I Guess I'm Going Through a Life Crisis or Something


There's an old joke. Uh, two elderly women are at a Catskills mountain resort,
and one of 'em says: "Boy, the food at this place is really terrible."
The other one says, "Yeah, I know, and such ... small portions."
Well, that's essentially how I feel about life. Full of loneliness and misery and suffering and unhappiness, and it's all over much too quickly.
The-the other important joke for me is one that's, uh, usually attributed to Groucho Marx, but I think it appears originally in Freud's wit and its relation to the unconscious. And it goes like this-I'm paraphrasing: Uh ... "I would never wanna belong to any club that would have someone like me for a member."
That's the key joke of my adult life in terms of my relationships with women.
Tsch, you know, lately the strangest things have been going through my mind,
'cause I turned forty, tsch, and I guess I'm going through a life crisis or something,
I don't know.
I, uh ... and I'm not worried about aging.
I'm not one o' those characters, you know.
Although I'm balding slightly on top, that's about the worst you can say about me.
I, uh, I think I'm gonna get better as I get older, you know?
I think I'm gonna be the- the balding virile type, you know, as opposed to say the, uh, distinguished gray, for instance, you know?
'Less I'm neither o' those two. Unless I'm one o' those guys with saliva dribbling out of his mouth who wanders into a cafeteria with a shopping bag screaming about socialism. (Sighing)
Annie and I broke up and I-I still can't get my mind around that. You know,
I-I keep sifting the pieces of the relationship through my mind and-and examining my life and tryin' to figure out where did the screw-up come, you know,
and a year ago we were... tsch, in love.
You know, and-and-and ... And it's funny, I'm not-I'm not a morose type.
I'm not a depressive character.
I-I-I, uh,
(Laughing)
you know, I was a reasonably happy kid, I guess.
I was brought up in Brooklyn during World War II
(...)
Woody Allen - Annie Hall

Sunday, February 04, 2007

Dia -467

Bluuurrrrpppp
É que já não tenho idade.
Mesmo.
Nem personalidade, acrescente-se
(mas isso nunca tive).
Para beber, quero dizer.

Saturday, February 03, 2007

Dia -466

Mi perdo nel tuo sguardo colossale*
O amor. As coisas do amor.
Não deviam ser ditas. Nunca. Noutra língua.
(*frase da canção de Roberto Benigni Quanto ti ho Amato)

Dia -465

Well, I Hope That I Don't Fall in Love With You*
Well I hope that I don't fall in love with you
'Cause falling in love just makes me blue,
Well the music plays and you display
your heart for me to see,I had a beer and now I hear you
calling out for me
And I hope that I don't fall in love with you.
Well the room is crowded, people everywhere
And I wonder, should I offer you a chair?
Well if you sit down with this old clown,
take that frown and break it,
Before the evening's gone away,
I think that we could make it,
And I hope that I don't fall in love with you.
Well the night does funny things inside a man
These old tom-cat feelings you don't understand,
Well I turn around to look at you,
you light a cigarette,
I wish I had the guts to bum one,
but we've never met,
And I hope that I don't fall in love with you.
I can see that you are lonesome just like me,
and it being late, you'd like some company,
Well I turn around to look at you,
and you look back at me,
The guy you're with has up and split,
the chair next to you's free,
And I hope that you don't fall in love with me.
Now it's closing time, the music's fading out
Last call for drinks, I'll have another stout.
Well I turn around to look at you,
you're nowhere to be found,
I search the place for your lost face,
guess I'll have another round
And I think that I just fell in love with you.
(* Emiliana Torrini, whoever she is... encontrada par hasard
a cantar menos mal esta extraordinária letra de Tom Waits.)

Thursday, February 01, 2007

Dia -464

Eu Nunca Guardei Rebanhos*
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural .
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
Alberto Caeiro
* Para o Paulo.
Que não sei se conhece este poema, um dos 37 do Guardador de Rebanhos
(e que era a minha bíblia de bolso aos 15 anos),
e que anda preocupado com os pastores que ainda há.
Já não lia este poema há mais de 20 anos.
Embora alguns dos seus versos andem comigo, sempre, para toda a parte.
Vês, Paulo, como os alunos podem ser fontes inesgotáveis de alegria?

Wednesday, January 31, 2007

Dia -463

Mais um semestre que começa...
... com cento e quarenta novos alunos.
Que inesperadas alegrias me trarão estas
(vistas assim, ainda só de relance)
amáveis criaturas?

Momento de Intervalo...

Esta é a Pergunta

«Concorda com a despenalização da interrupção
voluntária da gravidez,
se realizada, por opção da mulher,
nas primeiras 10 semanas,
em estabelecimento de saúde
legalmente autorizado?»

E é com ela que, a partir de hoje e até dia 11 de Fevereiro de 2007,
deixo de escrever sobre a questão do aborto.
Já disse tudo o que penso.
Sou uma mulher.
Não quero que pensem por mim.
Que falem por mim.
Que decidam por mim.
Que me imponham valores por Decreto.
Que me obriguem a ter filhos, se os não quiser.
Obviamente, Eu Voto Sim!

Dia -462

Obviamente, Eu Voto Sim (10)
Porque,
parafraseando o José Manuel Pureza*,
não quero viver num país onde haja prisioneiros de consciência!
(*no programa Prós&Contras, que acabou há pouco, na RTP1
e cujo o tema foi o Referendo de 11 de Fevereiro sobre a despenalização da IVG)

Tuesday, January 30, 2007

Dia -461

Agora, Julguem-me e Depois Prendam-me, Como se Fosse Preciso*
Passei anos, logo a seguir, a transpirar pelas noites fora. Não tinha calor.
Tinha medo. Ou qualquer coisa parecida com o medo. Talvez um medo sem objecto.
Uma espécie de angústia.
Visitavam-me bocados de feto. Pedaços de carne. Picada. Desfeita.
E o sangue a misturar tudo.
Visitavam-me os cabelos louros dos filhos que esperava ter.
E os pezinhos pequenos desses filhos imaginários,
a correr por uma casa qualquer, que seria a minha.
Uns pés pequenos amarrados a uma vozinha também pequena
que haveria, numa casa qualquer que seria minha,
de dizer 'mamã'.
Visitavam-me os cabelos louros misturados com o sangue.
A vozinha perdida na carne desfeita.
Passei anos, logo a seguir a transpirar pelas noites fora.
Visitava-me a angústia. De ter triturado cabelinhos louros.
Carnes tenrinhas. Vozinhas doces. Pezinhos pequenos.
Todos os gritinhos excitados.
Todas as possibilidades de ouvir chamar 'mamã'.
Alguns anos a seguir, a esses anos suados de angústia, visitaram-me de novo, os pequenos pés, as pequenas vozes, os cabelos louros, a covinha atrás, no pescoço, onde se enterra o nariz e sempre, quase sempre, sim, sempre, encontramos o cheiro original de todas as coisas vivas.
Também desta vez todas as coisas acabaram trituradas. Desfeitas. Picadas. Ensanguentadas. Mas como não tinha cometido um crime, não as vi.
Ou não me as mostraram, como manda a decência dos hospitais públicos e a solidariedade com a dor de uma mulher quase-mãe que perde um filho.
Ou a possibilidade de um filho.
Acho que entre uma e outra coisa, se passaram dez anos.
Acho que continuei a desfazer-me em água pelas noites fora.
Até hoje. Agora mesmo. Que falo disto.
Da covinha atrás do pescoço, logo ali onde nascem os cabelinhos louros do meu possível filho.
Essa covinha onde haveria de enterrar o nariz para me certificar do mundo.
Noite após noite, ainda, as coisas que me visitam, anunciam-me que a segunda vez só aconteceu por causa da primeira.
E é assim que cá vou indo.
A desfazer-me, líquida.
Às vezes, penso: 'Vá, agora julguem-me. Agora prendam-me'.
Como se fosse preciso.
*ou Obviamente, Eu Voto Sim (9)

Sunday, January 28, 2007

Dia -460

O Frio
Eu gosto deste frio que corta a pele e invade os ossos distraídos.

Saturday, January 27, 2007

Dia -459

O Problema do(a) Papa e a Questão do Aborto
O meu sobrinho emprestado, que tem oito anos e o ouvido atento ao que dizem os adultos quando acham que ele não está a ouvir, teve a seguinte conversa com o pai:
Ele: sabes, pai, estou muito pessimista, acho que o não vai ganhar
O pai: então porquê, filho?
Ele: por causa do papa, que diz às pessoas para votarem não... e o papa tem muita influência nas pessoas não é?
O pai: ?...?
Ele: mas também... quem é que se chama papa? Que nome tão esquisito para um homem... papa... papa é comida de bebés, não é?

Friday, January 26, 2007

Dia -458

Obviamente, Eu Voto Sim (8)
... mas tão cedo não me apanham num jantar como o de ontem.
Dos vários movimentos pelo Sim. Em Coimbra.
Onde falamos uns para os outros. De e para quem já vota sim.
Apesar de a recolha de fundos que tais iniciativas supõem ser importante...
é muito questionável a sua eficácia. Quer na própria recolha de fundos, quer informativa.
Prefiro contribuir, como contribuo com frequência, com dinheiro a troco de nada, por assim dizer*, e ser poupada aos bifinhos com cogumelos subversivos e ao vinho tinto sem qualificação.
E aos discursos e comportamentos de uma certa esquerda
absolutamente monolítica.
E aos desejos de protagonismo de certas ilustres cabeças.
Mesmo que sejam pelo sim, isso não desculpa tudo.
(* além do meu contributo de outros modos: a recolher assinaturas, a colocar cartazes, a escrever crónicas, a escrever nos meus blogs. Pode não ser muito mas pelo menos preservo-me do ruído, da estridência, da militância às vezes quase cega que move certas pessoas. O que pode ser louvável. Mas para mim, não.)

Dia -457

A Carta de Condução...
... chegou hoje pelo correio, num envelope da Loja do Cidadão,
mas sem um nome próprio no remetente.
Acompanhava a minha carta de condução, roubada no sábado
juntamente com todos os meus documentos de identificação,
um papel onde estava escrito à mão:
envio-lhe a sua carta de condução que encontrei perdida
na estação de comboios de Aveiro (nas traseiras).
Anónimo/a um grande bem-haja pela devolução.
Já agora, se vir perdidos por aí
o meu bilhete de identidade,
o meu cartão de eleitor,
o meu cartão de contribuinte,
o livrete e registo de propriedade do meu carro,
o meu cartão da ADSE,
o meu cartão do ACP,
o meu Medeia Card,
o meu cartão do Cineclube de Aveiro,
a carta verde,
o meu cartão de identificação da universidade,
o monte de papéis inúteis que enchiam a minha mandarina duck
e a própria...
e se não lhe der muita maçada...
a morada é a mesma.

Thursday, January 25, 2007

Dia -456

Tadadatatam, tadatadadam

*

Le donne odiavano il jazz
non si capisce il motivo
du-dad-du-dad*


Claro que não se compreende o motivo!

*Paolo Conte - Sotto le stelle del jazz

Wednesday, January 24, 2007

Dia -455

Ça Va Mieux, Merci

Com a ajuda de um belo concerto*,
num belo sítio,
com uma companhia muito simpática.
:-)
*refiro-me ao concerto do Brad Mehldau, no Teatro Circo de Braga.
A 24 Brad Mehldau toca no CCB e a 25 em Alcobaça.
A música que ouvem - Anything Goes - adequa-se ao meu melhor estado de espírito,
mas não foi tocada no Teatro Circo

Tuesday, January 23, 2007

Dia -454

Obviamente, Eu Voto Sim (7)

Tanto que arranjei tempo para ir à Junta de Freguesia pedir
uma segunda via do Cartão de Eleitor.
Está pronto na 5ª feira e acho que é o 1º documento
(bom, tinha o passaporte dentro de uma gaveta aqui em casa
e foi durante 1 dia a minha única forma de provar que eu sou eu)
que vou ter.