Sunday, February 18, 2007

Dia -480

Ideias ou lá o que é
As ideias fazem-me mal.
A sério.
Sinto-me um bocadinho desencontrada.

Saturday, February 17, 2007

Dia -479

Só isto é verdade
O epicentro dos grandes terramotos
encontra-se na extrema mansidão
com que caminhas
a uma certa luz da tarde
e alheio
destróis os desertos
que levei anos
a esboçar.

Friday, February 16, 2007

Dia -478

Obrigada*



Amy Winehouse - Love is a Loosing Game

*Depois de ouvir atentamente esta é a minha favorita. A voz desta moça é profundamente interessante.

Thursday, February 15, 2007

Dia -477

E a Extrema Inutilidade das Comemorações Estúpidas
Como a deste dia...
como se namorar tivesse data marcada. A ser celebrada.
Ou melhor, como se o amor (essa treta!)
não fosse já celebração bastante.

Tuesday, February 13, 2007

Dia -476

A Extrema Utilidade das Perguntas Estúpidas
Telefonaram-lhe para casa e perguntaram-lhe
se estava em casa.
Foi então que deu pelo facto.
Realmente tinha morrido havia já dezassete dias.
Por vezes as perguntas estúpidas são de extrema utilidade.
(Mário Henrique Leiria - Telefonema)

Monday, February 12, 2007

Dia -475

A Terra Tremeu...
... e eu acordei, com o estremecimento da cama e pensei
'mas que raio... porque é que estou a tremer?'
Eram 10:38.
Muito cedo, para os meus hábitos.
Deixei-me ficar debaixo do edredon muito sossegada,
um pouco como a nêspera do Mário Henrique Leiria...
a ver o que acontecia...
até que percebi...
... a terra tremeu, em Portugal
(5,8 na escala de Richter)
mas foi de satisfação, claro.
(e acrescento que me levantei passado um bocado e que quando saí para a rua, as coisas todas, as pessoas todas, me pareceram... exactamente assim, mais sacudidas, com menos pó nas entrelinhas...)

Sunday, February 11, 2007

Dia -474

Hoje, os meus pensamentos são contentes
SIM
finalmente!

Dia -473

Reticências
Terror de te amar num sítio tao frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeiçao
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Sophia de Mello Breyner
(o poema não se chama reticências. Chama-se Terror de te amar)

Saturday, February 10, 2007

Momento de Intervalo...


... Ou Aqueles que Amam as Palavras, Fazem a Mesma Viagem, Quase Sempre

Obrigada Alexandre


por teres colocado num texto absolutamente belo todas as palavras que amo.


para a Elisa
Estive longos minutos sentado na cadeira sem que qualquer palavra surgisse
(e agora que penso melhor, os minutos são uma porção significativa de tempo quando as palavras não se dignam a estar presentes, e por isso minutos longos como quem conta todos os crepúsculos da manhã e da tarde, como quem vai sobrando à conta dos dias, distanciando-se com a boca calada e meneando a cabeça à descoberta de)
de coisas mundanas como os autocarros que passam aqui em frente a horas tardias, levando uma duas pessoas, aconchegadas no colo da noite perdidas sabe-se lá em que boca calada, meneando a cabeça à descoberta das palavras certas, e nenhuma que surgisse, de modo que eu
(provavelmente todos os segundos o mais demorado beijo, uma tarde de amor, uma viagem)
de autocarro fechado no colo da noite a querer lembrar-me de ti sem encontrar resposta para a teimosia das palavras ausentes durante tanto tempo
(fazendo das horas meses, o sol e a chuva, e a lua, tudo isso, quando vejo uma ou duas pessoas dentro dos autocarros a horas tardias, com as coisas pequenas meneando a cabeça dentro do colo da noite, de modo que eu)
deixo-me ficar sentadinho na cadeira como um traste velho à espera de todos os fins, são longos minutos que me faltam, não são uma duas pessoas que passam dentro do colo da noite pestanejando autocarros a horas tardias
(como se um demorado beijo, e as tardes de amor contadas pelos dedos a jurar que)
um dia serias tu, mas nada disso, quando digo que são uma duas pessoas aconchegadas às palavras sem dizer, só a ti te vejo, posso mesmo jurar que és tu dentro do autocarro levado no colo da noite, que são apenas minutos
(e pensando bem, minutos é uma maneira de dizer que uma porção significativa de crepúsculos esperando a tua saída, mas o sonho que tenho é sempre a mesma volta, com a mesma ambiguidade de que se faz a vida que vivemos sem percebermos que ao olhar para trás são dunas)
dunas de segundos pelo mais demorado beijo, uma tarde de amor. Sempre a mesma viagem.

Friday, February 09, 2007

Dia -472

Regresso aos Posts Absolutamente Profundos




















Hugh Laurie

Digam lá, mas assim mesmo honestamente...
não merecerei eu:
- os olhos azuis,
- a barba mal feita,
- o cabelo em desalinho,
- as olheiras fundas,
- a camisa escrupulosamente branca e
- a personalidade cáustica e indomável do Dr. House*???
É que eu, assim mesmo honestamente acho que menos não mereço.

(*sim, provavelmente o tipo mais interessante do mundo)

Dia -471

Do que eu gostei mais foi daquele instrumento a que eles chamam Contrabacia**, mas o resto também é muito... hum... original?*
*Pelo menos... divertido foi, sem qualquer dúvida.
Uma mistura de Kusturica com Almodovar ou... sei lá eu bem.
Chamam-se O'queStrada
** Contrabacia - um pau de vassoura enterrado numa bacia de plástico, com uma espécie de corda da roupa ao longo do pau... aparentemente produz música. Uma espécie de...

Thursday, February 08, 2007

Dia -470

Я тупоумн
e, parecendo que não, isso explica muita coisa.

Wednesday, February 07, 2007

Dia -469

Avec Moi, C'est Pareil
Le plus clair de mon temps, je le passe à l'obscurcir, parce que la lumière me gêne.
Boris Vian - L'Écume des Jours

Tuesday, February 06, 2007

Dia -468

I Turned Fourty and I Guess I'm Going Through a Life Crisis or Something


There's an old joke. Uh, two elderly women are at a Catskills mountain resort,
and one of 'em says: "Boy, the food at this place is really terrible."
The other one says, "Yeah, I know, and such ... small portions."
Well, that's essentially how I feel about life. Full of loneliness and misery and suffering and unhappiness, and it's all over much too quickly.
The-the other important joke for me is one that's, uh, usually attributed to Groucho Marx, but I think it appears originally in Freud's wit and its relation to the unconscious. And it goes like this-I'm paraphrasing: Uh ... "I would never wanna belong to any club that would have someone like me for a member."
That's the key joke of my adult life in terms of my relationships with women.
Tsch, you know, lately the strangest things have been going through my mind,
'cause I turned forty, tsch, and I guess I'm going through a life crisis or something,
I don't know.
I, uh ... and I'm not worried about aging.
I'm not one o' those characters, you know.
Although I'm balding slightly on top, that's about the worst you can say about me.
I, uh, I think I'm gonna get better as I get older, you know?
I think I'm gonna be the- the balding virile type, you know, as opposed to say the, uh, distinguished gray, for instance, you know?
'Less I'm neither o' those two. Unless I'm one o' those guys with saliva dribbling out of his mouth who wanders into a cafeteria with a shopping bag screaming about socialism. (Sighing)
Annie and I broke up and I-I still can't get my mind around that. You know,
I-I keep sifting the pieces of the relationship through my mind and-and examining my life and tryin' to figure out where did the screw-up come, you know,
and a year ago we were... tsch, in love.
You know, and-and-and ... And it's funny, I'm not-I'm not a morose type.
I'm not a depressive character.
I-I-I, uh,
(Laughing)
you know, I was a reasonably happy kid, I guess.
I was brought up in Brooklyn during World War II
(...)
Woody Allen - Annie Hall

Sunday, February 04, 2007

Dia -467

Bluuurrrrpppp
É que já não tenho idade.
Mesmo.
Nem personalidade, acrescente-se
(mas isso nunca tive).
Para beber, quero dizer.

Saturday, February 03, 2007

Dia -466

Mi perdo nel tuo sguardo colossale*
O amor. As coisas do amor.
Não deviam ser ditas. Nunca. Noutra língua.
(*frase da canção de Roberto Benigni Quanto ti ho Amato)

Dia -465

Well, I Hope That I Don't Fall in Love With You*
Well I hope that I don't fall in love with you
'Cause falling in love just makes me blue,
Well the music plays and you display
your heart for me to see,I had a beer and now I hear you
calling out for me
And I hope that I don't fall in love with you.
Well the room is crowded, people everywhere
And I wonder, should I offer you a chair?
Well if you sit down with this old clown,
take that frown and break it,
Before the evening's gone away,
I think that we could make it,
And I hope that I don't fall in love with you.
Well the night does funny things inside a man
These old tom-cat feelings you don't understand,
Well I turn around to look at you,
you light a cigarette,
I wish I had the guts to bum one,
but we've never met,
And I hope that I don't fall in love with you.
I can see that you are lonesome just like me,
and it being late, you'd like some company,
Well I turn around to look at you,
and you look back at me,
The guy you're with has up and split,
the chair next to you's free,
And I hope that you don't fall in love with me.
Now it's closing time, the music's fading out
Last call for drinks, I'll have another stout.
Well I turn around to look at you,
you're nowhere to be found,
I search the place for your lost face,
guess I'll have another round
And I think that I just fell in love with you.
(* Emiliana Torrini, whoever she is... encontrada par hasard
a cantar menos mal esta extraordinária letra de Tom Waits.)

Thursday, February 01, 2007

Dia -464

Eu Nunca Guardei Rebanhos*
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural .
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
Alberto Caeiro
* Para o Paulo.
Que não sei se conhece este poema, um dos 37 do Guardador de Rebanhos
(e que era a minha bíblia de bolso aos 15 anos),
e que anda preocupado com os pastores que ainda há.
Já não lia este poema há mais de 20 anos.
Embora alguns dos seus versos andem comigo, sempre, para toda a parte.
Vês, Paulo, como os alunos podem ser fontes inesgotáveis de alegria?

Wednesday, January 31, 2007

Dia -463

Mais um semestre que começa...
... com cento e quarenta novos alunos.
Que inesperadas alegrias me trarão estas
(vistas assim, ainda só de relance)
amáveis criaturas?

Momento de Intervalo...

Esta é a Pergunta

«Concorda com a despenalização da interrupção
voluntária da gravidez,
se realizada, por opção da mulher,
nas primeiras 10 semanas,
em estabelecimento de saúde
legalmente autorizado?»

E é com ela que, a partir de hoje e até dia 11 de Fevereiro de 2007,
deixo de escrever sobre a questão do aborto.
Já disse tudo o que penso.
Sou uma mulher.
Não quero que pensem por mim.
Que falem por mim.
Que decidam por mim.
Que me imponham valores por Decreto.
Que me obriguem a ter filhos, se os não quiser.
Obviamente, Eu Voto Sim!

Dia -462

Obviamente, Eu Voto Sim (10)
Porque,
parafraseando o José Manuel Pureza*,
não quero viver num país onde haja prisioneiros de consciência!
(*no programa Prós&Contras, que acabou há pouco, na RTP1
e cujo o tema foi o Referendo de 11 de Fevereiro sobre a despenalização da IVG)

Tuesday, January 30, 2007

Dia -461

Agora, Julguem-me e Depois Prendam-me, Como se Fosse Preciso*
Passei anos, logo a seguir, a transpirar pelas noites fora. Não tinha calor.
Tinha medo. Ou qualquer coisa parecida com o medo. Talvez um medo sem objecto.
Uma espécie de angústia.
Visitavam-me bocados de feto. Pedaços de carne. Picada. Desfeita.
E o sangue a misturar tudo.
Visitavam-me os cabelos louros dos filhos que esperava ter.
E os pezinhos pequenos desses filhos imaginários,
a correr por uma casa qualquer, que seria a minha.
Uns pés pequenos amarrados a uma vozinha também pequena
que haveria, numa casa qualquer que seria minha,
de dizer 'mamã'.
Visitavam-me os cabelos louros misturados com o sangue.
A vozinha perdida na carne desfeita.
Passei anos, logo a seguir a transpirar pelas noites fora.
Visitava-me a angústia. De ter triturado cabelinhos louros.
Carnes tenrinhas. Vozinhas doces. Pezinhos pequenos.
Todos os gritinhos excitados.
Todas as possibilidades de ouvir chamar 'mamã'.
Alguns anos a seguir, a esses anos suados de angústia, visitaram-me de novo, os pequenos pés, as pequenas vozes, os cabelos louros, a covinha atrás, no pescoço, onde se enterra o nariz e sempre, quase sempre, sim, sempre, encontramos o cheiro original de todas as coisas vivas.
Também desta vez todas as coisas acabaram trituradas. Desfeitas. Picadas. Ensanguentadas. Mas como não tinha cometido um crime, não as vi.
Ou não me as mostraram, como manda a decência dos hospitais públicos e a solidariedade com a dor de uma mulher quase-mãe que perde um filho.
Ou a possibilidade de um filho.
Acho que entre uma e outra coisa, se passaram dez anos.
Acho que continuei a desfazer-me em água pelas noites fora.
Até hoje. Agora mesmo. Que falo disto.
Da covinha atrás do pescoço, logo ali onde nascem os cabelinhos louros do meu possível filho.
Essa covinha onde haveria de enterrar o nariz para me certificar do mundo.
Noite após noite, ainda, as coisas que me visitam, anunciam-me que a segunda vez só aconteceu por causa da primeira.
E é assim que cá vou indo.
A desfazer-me, líquida.
Às vezes, penso: 'Vá, agora julguem-me. Agora prendam-me'.
Como se fosse preciso.
*ou Obviamente, Eu Voto Sim (9)

Sunday, January 28, 2007

Dia -460

O Frio
Eu gosto deste frio que corta a pele e invade os ossos distraídos.

Saturday, January 27, 2007

Dia -459

O Problema do(a) Papa e a Questão do Aborto
O meu sobrinho emprestado, que tem oito anos e o ouvido atento ao que dizem os adultos quando acham que ele não está a ouvir, teve a seguinte conversa com o pai:
Ele: sabes, pai, estou muito pessimista, acho que o não vai ganhar
O pai: então porquê, filho?
Ele: por causa do papa, que diz às pessoas para votarem não... e o papa tem muita influência nas pessoas não é?
O pai: ?...?
Ele: mas também... quem é que se chama papa? Que nome tão esquisito para um homem... papa... papa é comida de bebés, não é?

Friday, January 26, 2007

Dia -458

Obviamente, Eu Voto Sim (8)
... mas tão cedo não me apanham num jantar como o de ontem.
Dos vários movimentos pelo Sim. Em Coimbra.
Onde falamos uns para os outros. De e para quem já vota sim.
Apesar de a recolha de fundos que tais iniciativas supõem ser importante...
é muito questionável a sua eficácia. Quer na própria recolha de fundos, quer informativa.
Prefiro contribuir, como contribuo com frequência, com dinheiro a troco de nada, por assim dizer*, e ser poupada aos bifinhos com cogumelos subversivos e ao vinho tinto sem qualificação.
E aos discursos e comportamentos de uma certa esquerda
absolutamente monolítica.
E aos desejos de protagonismo de certas ilustres cabeças.
Mesmo que sejam pelo sim, isso não desculpa tudo.
(* além do meu contributo de outros modos: a recolher assinaturas, a colocar cartazes, a escrever crónicas, a escrever nos meus blogs. Pode não ser muito mas pelo menos preservo-me do ruído, da estridência, da militância às vezes quase cega que move certas pessoas. O que pode ser louvável. Mas para mim, não.)

Dia -457

A Carta de Condução...
... chegou hoje pelo correio, num envelope da Loja do Cidadão,
mas sem um nome próprio no remetente.
Acompanhava a minha carta de condução, roubada no sábado
juntamente com todos os meus documentos de identificação,
um papel onde estava escrito à mão:
envio-lhe a sua carta de condução que encontrei perdida
na estação de comboios de Aveiro (nas traseiras).
Anónimo/a um grande bem-haja pela devolução.
Já agora, se vir perdidos por aí
o meu bilhete de identidade,
o meu cartão de eleitor,
o meu cartão de contribuinte,
o livrete e registo de propriedade do meu carro,
o meu cartão da ADSE,
o meu cartão do ACP,
o meu Medeia Card,
o meu cartão do Cineclube de Aveiro,
a carta verde,
o meu cartão de identificação da universidade,
o monte de papéis inúteis que enchiam a minha mandarina duck
e a própria...
e se não lhe der muita maçada...
a morada é a mesma.

Thursday, January 25, 2007

Dia -456

Tadadatatam, tadatadadam

*

Le donne odiavano il jazz
non si capisce il motivo
du-dad-du-dad*


Claro que não se compreende o motivo!

*Paolo Conte - Sotto le stelle del jazz

Wednesday, January 24, 2007

Dia -455

Ça Va Mieux, Merci

Com a ajuda de um belo concerto*,
num belo sítio,
com uma companhia muito simpática.
:-)
*refiro-me ao concerto do Brad Mehldau, no Teatro Circo de Braga.
A 24 Brad Mehldau toca no CCB e a 25 em Alcobaça.
A música que ouvem - Anything Goes - adequa-se ao meu melhor estado de espírito,
mas não foi tocada no Teatro Circo

Tuesday, January 23, 2007

Dia -454

Obviamente, Eu Voto Sim (7)

Tanto que arranjei tempo para ir à Junta de Freguesia pedir
uma segunda via do Cartão de Eleitor.
Está pronto na 5ª feira e acho que é o 1º documento
(bom, tinha o passaporte dentro de uma gaveta aqui em casa
e foi durante 1 dia a minha única forma de provar que eu sou eu)
que vou ter.

Monday, January 22, 2007

Dia -453

CSI à Portuguesa, com certeza
Diz-me o senhor agente, após minha inquirição sobre as diligências que costumavam desencadear nestes casos de furto: "oh minha senhora de certeza que o caso está encaminhado, mas sabe que isto toca a todos. A mim roubaram-me a carteira profissional e o casaco da farda, nunca apareceram e ainda por cima tenho um processo disciplinar por causa disso"
Era suposto isto deixar-me mais descansada?

Sunday, January 21, 2007

Dia -452

O Roubo
Vejam lá vocês que foi preciso esperar até aos 40 anos para que me assaltassem.
Ou melhor, roubaram-me a carteira, com todos os documentos e cartões multibanco
e etc e etc, dentro.
Eu que me gabava de nunca ter sido assaltada.
Toma lá! E às seis e meia da tarde!
Já cancelei cartões, Já bloqueei contas...
mas... só de pensar nas longas filas que vou ter de enfrentar para
tratar dos documentos...
(todos! Só me sobrou o passaporte, que estava em casa,
para poder demonstrar que eu sou eu),
...dá-me uma coisa.
Bom, o senhor agente da PSP que me tratou da queixa-crime,
o senhor da Caixa Geral de Depósitos
e a senhora do SIBS
foram muito simpáticos.
Gostava que o senhor ladrão ou a dona ladra tivesse, ao menos,
a decência de me devolver a minha mandarina duck
(que me foi oferecida por uma pessoa especialíssima,
que já morreu)
com os meus documentos lá dentro.
Que vida esta!

Wednesday, January 17, 2007

Dia -449

Obviamente, Eu Voto Sim (5)

Tuesday, January 16, 2007

Dia -448

Obviamente, Eu Voto Sim (4)
Porque o aborto, na dimensão em que frequentemente se discute em Portugal, é sobretudo uma questão de mulheres sem poder económico. Ninguém se recordará de ver uma mulher rica no banco dos réus por prática de aborto. Essas costumam ir a Espanha ou a Inglaterra.
Ouvimos inúmeras vezes o argumento de que o aborto é uma questão de consciência.
Não discuto. É também uma questão de consciência. Apenas podemos lamentar que a maior parte dos responsáveis políticos se esconda atrás de tal argumento e se recuse a ter um debate sério, digno e claro sobre a questão. Se é uma questão de consciência individual porque se invocam, com tanta frequência, razões de natureza colectiva, relacionadas com o direito, relacionadas com a religião? Se é uma questão de consciência ela coloca-se no plano das escolhas pessoais. Neste sentido é hipócrita continuar a não ter as condições legais que nos permitam, de facto, decidir em consciência. Se é uma questão de consciência porque é criminalizada? Porque sentem vergonha as sete mulheres que estão agora sentadas no banco dos réus? Porque ficam em silêncio quando poderiam argumentar que desconhecemos tudo a seu respeito? Que nenhum de nós, os outros, os que tiveram sorte, sabe quem são estas mulheres?*
(*excerto da primeira crónica que escrevi para O Jornal de Notícias, publicada a 6 de Janeiro de 2004, a propósito do julgamento em Aveiro de sete mulheres por prática de aborto)

Dia -447

A Fotografia, Sem Ti, jamais estaria completa...


... Muitos Parabéns, Irmã!

Friday, January 12, 2007

Dia -444

Obviamente, Eu Voto Sim (3)

Porque é disto que se trata

(imagem roubada em The Estrogen Diaries)

Dia -443

Obviamente, Eu Voto Sim (2)
Porque defendo o direito à vida.
Com dignidade.
Sobretudo a vida com dignidade das mulheres que,
por circunstâncias várias,
se viram na situação de interromper voluntariamente* uma gravidez.
*ah como esta palavra é enganadora!

Tuesday, January 09, 2007

Minuto de Intervalo... Aliás, Nota de Rodapé Mesmo Muito Pequenina...

... ou agradecimento (último e definitivo) pelas graças recebidas...
ao big brother ortográfico.
Como já agradeci. E o visado pelo agradecimento já leu
(embora certamente não tenha registado o pedido encarecido para que me desampare a loja)
não faço mais publicidade ao dito. Naturalmente.

Dia -441

Ai, já em bebé eras tão gira...
... diz-me, numa sms, o meu sempre simpático amigo Alberto.
Eu respondi-lhe: gira??? Eu, em bebé, era linda!*
O problema foi ter começado a envelhecer.
Eu bem queria ter ficado sempre pequenina.
*E se não acreditam, perguntem à minha mãe, ora essa!

Dia -440

Parabéns...





... A mim, que fui assim.
Pequenina e tudo.
Na verdade... nestes 40 anos... nunca cresci.

Monday, January 08, 2007

Dia -439

Contagem Decrescente (II)
Falta 1 dia... brrrbrrrbrrr.

Sunday, January 07, 2007

Dia -438

Contagem Decrescente (I)
Faltam 2 dias. Brrrr....

Thursday, January 04, 2007

Dia -436

Coisas (mesmo mesmo muito) Importantes


Ver o Dr. House, hoje*

(*bom, já sabem que se a vida fosse como as comédias românticas eu e o Hugh Laurie seríamos o casal perfeito)

Wednesday, January 03, 2007

Dia -435

Não sei se já disse...*
... mas eu gostava era de ser espanhola. Olé!
(*já devo ter dito, mas pronto)

Dia -434

Hoje...
...já não estou de férias.
O que, do meu ponto de vista, é uma coisa muito chata.

Tuesday, January 02, 2007

Dia -433

2
0
0
7
Até agora, nada de novo.
Só o número a seguir aos zeros.

Monday, January 01, 2007

Dia -432

Temos mesmo de mudar...
... de ano?

Sunday, December 31, 2006

Dia -431

A «Civilização»...
...como se viu hoje, é uma grande treta.

Saturday, December 30, 2006

Dia -430

Babel*
Não sei se é o melhor filme do ano. Mas é um grande filme.
O que se passa em Tóquio.
Sobretudo o que (não) se passa em Tóquio.
É de uma solidão tão desamparada.
Somos pequenos.
E estamos todos tão ligados.
(um filme de Alejandro González Iñárritu, com Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, entre outros)

Thursday, December 28, 2006

Dia -429

The Holiday*
Odeio comédias românticas! Bah!
(*título do filme de Nancy Meyers, com Jude Law, Cameron Diaz, Kate Winslet e Jack Black)

Dia -428

Balanço
Dizem-me que a maior parte dos bloggers anda em fase de balanço.
Eu não faço balanços.
Tenho vertigens. E enjoo com frequência.
E além disso... que balanço se pode fazer?
Este ano foi assim... o ano que vem,
mais coisa menos coisa,
há-de ser muito semelhante.
E sinceramente não me importarei nada se assim for.

Friday, December 22, 2006

Dia -423

Agora Sim
Feliz Natal
Joyeux Nöel
Buon Natale
Merry Christmas
Feliz Navidad
Веселое Рождество

Thursday, December 21, 2006

Dia -422

Comida
Já se sabe que celebramos tudo com comida.
Já se sabe que nesta quadra os almoços, lanches e jantares são abundantes.
Mas... um almoço, um lanche e um jantar de Natal tudo no mesmo dia... hoje, mais exactamente...
... é um bocadinho exagerado, não?

Wednesday, December 20, 2006

Dia -421

A Espuma Dos Dias...
...um dos meus blogs favoritos acabou aqui.
Mas a Sarah mudou-se para acolá.
Do mal, o menos.

Tuesday, December 19, 2006

Dia -420

Com O Frio Que Está...*




*parece-me que podemos sonhar com um White Christmas
(aqui na voz de Frank Sinatra)

Monday, December 18, 2006

Dia -419

O Teu Aniversário...
Era hoje. Não sei se ainda é.
Quando se morre, continua-se a fazer anos?

Wednesday, December 13, 2006

Dia -414

Eu Agora Vou Para Aqui*













Universidade de Évora


* mas depois volto para o campus universitário mais bonito do país. Este:





Universidade de Aveiro

Tuesday, December 12, 2006

Dia -413

Eu Gosto Muito da Época Natalícia*


*so... jingle bells, jingle bells, jingle all the away...

Monday, December 11, 2006

Dia -412

Camadas
Devíamos viver por camadas.
Devíamos morrer juntamente com aqueles que amamos.
Deixava de haver ausência, escuridão, vazio.
Este buraco aqui dentro que nunca se encherá de outra coisa senão tristeza.

Dia -411

Santa Claus Is Coming to Town...

O Pai Natal que há em mim já fez todas as suas compras de Natal.
Ufffffff.
O Pai Natal que há em mim, não sei... mas eu sinto-me aliviada.

Thursday, December 07, 2006

Dia -408

A Grito....
... é o que me apetece.
Exactamente.
Matar cachorro a grito.
Se bem que os desgraçados dos cães não tenham muito a ver com o assunto.

Wednesday, December 06, 2006

Dia -407

O Frio
Isto sabe-me bem. De verdade que este frio me sabe bem.
Gosto tanto do Inverno.

Tuesday, December 05, 2006

Dia -406

A Solidão
A solidão não é estarmos sózinhos.
É sentirmo-nos sózinhos.
Enquanto estou só não me incomodo.
Estou. Só.
Mas às vezes sinto-me só.
E é aí que começo a preocupar-me.
Com o futuro da minha solidão e assim.

Monday, December 04, 2006

Dia -404

Paris, Je T'Aime
São 20 pequenos filmes sobre 20 bairros de Paris.
Deliciosos.

Thursday, November 30, 2006

Dia -401

Afinal sempre é verdade...
Ela diz-me: ó pá, tu é que podias dar esta 'cadeira', é na tua área, já deste uma semelhante.
Eu respondi: sim, ok é na minha área, mas vou ter 140 alunos de licenciatura no próximo semestre, mais aulas a outros dois mestrados, um dos quais a 200 km daqui, quase todas as sextas e sábados de Março a Maio... como é que eu vou conseguir fazer tudo?
Ela: vá lá, são só 'x' horas, não te vai custar nada a preparar.
Eu: pronto, ok. Eu dou, mas acho que já arranjei sarna para me coçar.
Ela: ó pá, obrigada.... eu ajudo-te a coçar.
Bom, parece que afinal sempre é verdade...
os professores universitários coçam mesmo as costas (e a sarna) uns dos outros.

Wednesday, November 29, 2006

Dia -400

Os Libros Arden Mal*...
... todos os verdadeiros amantes de livros sabem isto e é isto que Manuel Rivas, um dos meus escritores (e poeta e jornalista e galego e tudo) preferidos, nos diz.
Que o fogo não apaga a memória de um (bom) livro.
E também que os livros, quando ardem, desprendem um cheiro a carne humana.
A mim não me surpreende.
Sabe-se que os livros têm muitas vidas dentro.
* título do último romance de Manuel Rivas, que tem como pano de fundo a queima de livros que os fascistas levaram a cabo na Coruña em Agosto de 1936.

Tuesday, November 28, 2006

Dia -399

Coçar as costas ou a incompetência dos professores universitários
Num intervalo entre coçar as costas ao meu colega, professor universitário, mais próximo
e ele coçar as minhas, manifesto a minha perplexidade:
o professor Mariano Gago já não se lembra do que é ser professor universitário?
Do equílibrio (por vezes a raiar o impossível)
entre as funções docentes, a investigação e as tarefas de gestão?
Já não se recorda do que é ter 25 horas lectivas atribuídas
(quando o ECDU prevê apenas 18) anualmente*?
Do tempo que essas 25 horas demoram a preparar?
Do que é ter 300 alunos, procurando que cada um deles adquira competências fundamentais e que seja avaliado justamente?
Do que é ser Director de uma Licenciatura?
Do que é ser Presidente de um Conselho Directivo?
Coordenador Científico? Coordenador Pedagógico?
Das horas necessárias em reuniões dos diversos orgãos
(Comissões Científicas, Comissões Pedagógicas, Senado, Assembleia de Representantes, Conselho Científico, Conselho Pedagógico)
que permitem às Universidades funcionarem de forma democrática e transparente?
Já não se recorda das horas dedicadas ao estudo? Ao trabalho de campo? Aos laboratórios?
Já não se lembra da dificuldade que há em gerir orçamentos
sempre mais pequenos do que as necessidades a serem supridas?
O Professor Mariano Gago, enquanto professor universitário deve ter passado muitas horas a coçar qualquer coisa, se já se esqueceu de tudo isto ou então, as suas passagens pelo governo foram o passaporte para um outro país que não é o meu.
(talvez para a quinta dimensão, a avaliar pela irrealidade das suas palavras)
Eu às vezes coço as costas, é certo,
mas entre as aulas de licenciatura, de mestrado, a orientação de teses, os projectos de investigação e as tarefas de gestão que tenho atribuídas...
em conjunto com os parcos recursos financeiros e humanos disponíveis no meu departamento e na minha universidade...
não admira que sofra de alergias várias.
Incompetência não é o nome de nenhuma delas.
* melhor dizendo, 12,5h/semana por semestre, quando o ECDU não prevê mais de 9h/s/s

Monday, November 27, 2006

Dia -398

Eu vou nascer feliz numa cidade futura*...
Radiograma

Alegre triste meigo feroz bêbedo
lúcido
no meio do mar
Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar
Nado-morto às quatro morto a nada às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar

Mário Cesariny

* frase de outro poema de Mário Cesariny - O Jovem Mágico

Sunday, November 26, 2006

Dia -397

Faz-me o Favor
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor - muito melhor!-
Do que tu.
Não digas nada.
Sê Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny (1923 - 2006)
O poeta morre. A poesia não.

Friday, November 24, 2006

Dia -395

Ser ou não ser?
Eu digo muitas vezes que me falta um bocadinho assim para ser lésbica.
Acho as mulheres, em geral, melhores seres humanos que os homens.
Muito mais interessantes.
E até mais giras.
Na verdade, não sei se me falta ou não me falta o tal bocadinho... e não sei
provavelmente porque, apesar de já me ter apaixonado por algumas mulheres,
nunca aconteceu sentir por elas qualquer desejo carnal.
Se um dia sentir... acho que não negarei esse sentimento.
Deve ser um sentimento como qualquer outro não?

Dia -394

Probably I Am Not So Straight As I Thought*













Scarlett Johansson


A beleza, seja do que seja e de quem seja,

é uma coisa que deve ser apreciada.



(*ou de como, por exemplo, esta moça se quisesse poderia pôr em causa
a minha orientação sexual)
(isto a propósito de um comentário da Vanessa, ao post anterior)

Wednesday, November 22, 2006

Dia -393






























A mim, honestamente, tanto me faz nu ou vestido. Mas nestas fotografias faz-lhe falta a barba de 3 ou 4 dias para lhe dar aquele aspecto verdadeiramente 'tortuoso' que faria do maybe, baby um of course I am ready, baby, for everything you want to do with me.

Mas, com ou sem barba, o Hugh Laurie merece toda a nossa devoção naturalmente.


* Imagens do filme Maybe Baby em que há um monte de cenas de sexo, para os mais libidinosos, mas onde não há um nu frontal do Hugh. Temos pena. Muita pena.

Dia -392

Sim, Regresso aos Entusiasmos da Adolescência...

... e faço um remake do dia -269,

com outra fotografia do encantador* Hugh Laurie, na pele de Dr. House...

... provavelmente o tipo mais interessante do mundo.

(*para dizer o mínimo)

Tuesday, November 21, 2006

Dia -391

Adenda (ao dia anterior)
'Podíamos ser felizes. Lá isso podíamos'...
Se o homem fosse de verdade, claro está.

Monday, November 20, 2006

Dia -390

Eu Olho Muito...
... para as pessoas que estão à minha volta, em qualquer lado.
Reparo em muitas coisas. No que fazem, como se vestem, no que dizem umas às outras.
(não, não sou apenas cuscuvilheira... foi assim que me tornei socióloga*)
Reparo frequentente que os elementos de um casal são, geralmente, muito semelhantes.
E é nessas alturas que penso que eu e o Dr. House temos imenso em comum.
Podíamos ser felizes. Lá isso podíamos.
(*sim, roubei a frase ao título de um conto do David Lodge, pronto)

Sunday, November 19, 2006

Dia -389

Hã?
- um bilhete para Children of Men, se faz favor.
- Normal ou de estudante?
- Hã??

Friday, November 17, 2006

Dia -388

Le Parole Giuste*
Chi parla male, pensa male e vive male.
Bisogna trovare le parole giuste: le parole sono importanti!
* ou toda a filosofia da personagem Michele (e de Nanni Moretti e já agora a minha) no filme Palombella Rossa. E quando estreia Il Caimano, hein?

Thursday, November 16, 2006

Dia -387

As Datas
Faz hoje 15 anos.
Não me escreveste nenhuma carta.
Mas olhaste para mim como se me atravessasses
(atravessaste).
Depois já não sei o quê.
Fumámos uma cigarrilha.
Bebemos um copo.
Andámos pela cidade.
Dormimos.
Faz hoje 15 anos.
As pessoas morrem(nos).
Para que servem as datas?

Wednesday, November 15, 2006

Dia -386

In(Decisão)
Porque decidimos coisas sobre as quais não há decisão possível?

Dia -385

Pequena...
...pequenina. Pequenininha. Eis o que eu gostava de ser.
Em idade. Que no resto já sou, naturalmente.

Tuesday, November 14, 2006

Dia -384

Os Alunos, essas fontes inesgotáveis de alegria (II)
Olhe que estamos desde as 11h sem ter aulas e ficámos aqui só para vir à sua.
(as razões talvez não tenham a ver com o interesse da matéria leccionada, mas vá...)

Monday, November 13, 2006

Dia -383

A Felicidade...
... pode vir da música. Vem. Frequentemente. Da música.
Os dedos espalham as cinzas sobre o piano.
Acabam por varrer a fealdade.
Fica só a beleza.
O resto importa? Não. Nada.
Absolutamente. Nada.

Saturday, November 11, 2006

Dia -381

Empalideçam de inveja, vá...
... que eu vou ao concerto do Keith Jarrett, no CCB.
Sono felice. Molto felice.
:-)

Friday, November 10, 2006

Dia -380

Guimarães
Ontem fui pela primeira vez ao Centro Cultural Vila Flor,
na abertura do Guimarães Jazz deste ano.
(Um concerto fenomenal do sempre novo Wayne Shorter,
muito bem acompanhado por Brian Blade, John Patitucci e Danilo Perez).
Por razões diversas não fui à edição de 2005 do GJ,
pelo que ainda não conhecia aquele espaço belíssimo.
Todas as cidades deviam ter um espaço assim.
Guimarães já era, pela praça da oliveira, pelas ruas estreitas carregadinhas de pedra
e pelo jazz (claro) a minha cidade preferida em Portugal.
Ainda é. Agora mais.

Thursday, November 09, 2006

Dia -379

Eu não tenho paciência...
... para as pessoas estúpidas.
Embora ache que não há pessoas estúpidas.
Só pessoas que fazem coisas estúpidas.
Não estou convencida que seja o mesmo.
Talvez seja.
Às vezes também não tenho
paciência nenhuma
comigo.

Wednesday, November 08, 2006

Dia -378

O Tédio
Eu às vezes tenho saudades do tempo em que me entediava.
Muito. Ao mesmo tempo. Que tu.

Monday, November 06, 2006

Dia -377

Orçamento
Com tantos concertos de jazz a acontecerem este mês...
e em tantos pontos diferentes do país,
não há orçamento que resista!
Bah!

Saturday, November 04, 2006

Dia -374

As Coisas Importantes (IV)
Durante muito tempo achei que tinha perdido a capacidade de fazer amigos,
com a facilidade que tinha na infância e na adolescência.
Hoje em dia, a maior parte das pessoas aborrece-me.
As pessoas
(eu incluída)
parecem-me, geralmente, uma merda sem interesse nenhum
(mas a mim tenho de me aturar).
Há excepções naturalmente.
Ela é uma delas.
Ainda nem me conhecia e procedeu como se me conhecesse há anos.
E reconheceu-me de repente.
É ela a única pessoa que reparou que eu espeto o nariz
quando me fazem zangar
(eu não sabia, mas reparo que é verdade).
Hoje apareceu-me com um livro de capa azul nas mãos
e deu-mo.
O livro era o meu.
E parecia um livro a sério.
Mas muito menos a sério e muito menos importante
do que ela.

Thursday, November 02, 2006

Dia -373

O Mundo...
... está sempre a começar.
Mas ficamos parados como se não compreendessemos.

Dia -372

1 de Novembro
Para que serve este dia?

Wednesday, November 01, 2006

Dia -371

As Coisas Importantes (III)...
...as realizações pessoais dos nossos amigos mais queridos.
As coisas notáveis que se ouvem dizer a propósito deles
(neste caso, dela).
O sorriso idiota que se nos estampa no rosto,
quando os vemos serem brilhantes.
A felicidade deles é a coisa mais importante.
E é também nossa.

Monday, October 30, 2006

Dia -370

Os Alunos, essas fontes inesgotáveis de alegria
A professora é tão bem humorada
que eu não lhe dava mais de 25 anos.

Sunday, October 29, 2006

Dia -369

Uma Ideia Gira
Dizes-me que o amor não pode ser uma ideia gira.
Ou uma ideia sequer.
Porque não?
Eu não o amo.
Nem sequer estou apaixonada.
Mas posso ter essa ideia.
E achar que é uma bela ideia.
Mas não passa disso.

Thursday, October 26, 2006

Dia -366

Os muros e as lágrimas e o resto


Dia -365

Um Ano...

... Over the Rainbow*...


... a contar as pétalas das flores que seguem o sol.
Um ano são trezentos e sessenta e cinco dias.
Não é muito.


(* Keith Jarrett, pois claro)

Wednesday, October 25, 2006

Dia -364

Os meus parabéns, Carla.
Por saberes ouvir tão bem o sorriso dos pássaros.

Monday, October 23, 2006

Dia -363

As Coisas Extraordinárias (I)
O olhar que nos deitam os outros.
Quando não nos reconhecem.