Wednesday, March 21, 2007

Dia -511

Outras coisas acontecidas em Março e que vale a pena recordar...
(ou se fosse há um ano era mais ou menos assim que eu começava a sentir-me)

Mad about the boy
I know it's stupid to be mad about the boy
I'm so ashamed of it but must admit the sleepless nights I've had
About the boy
On the silverscreen
He melts my foolish heart in every single scene
Although I'm quite aware that here and there are traces of the cad
About the boy
Lord knows I'm not a fool girl
I really shouldn't care
Lord knows I'm not a school girl
In the fury of her first affair
Will it ever cloy
This odd diversity of misery and joy
I'm feeling quite insane and young again
And all because I'm mad about the boy
So if I could employ
A little magic that will finally destroy
This dream that pains me and enchains me
But I can't because
I'm mad...I'm mad about the boy
(Dinah Washington canta esta letra de Noel Coward)

Tuesday, March 20, 2007

Dia -510

E quem é o pai mais lindo do mundo, quem é?
É o meu, pois claro!

Monday, March 19, 2007

Dia -509

Quem é o menino mai lindo da sua tia, quem é?*
Não há só coisas desagradáveis. Em Março. Num dia como hoje.
Com o mesmo anúncio de Primavera. Nasceste tu.
O menino mai lindo da sua tia emprestada.
Parabéns, miúdo!
*Daqui a um ano ou dois já não vais gostar que eu te diga estas coisas, muito acriançadas, por isso há que aproveitar agora.

Saturday, March 17, 2007

Dia -508

Camarada
Uma das palavras mais bonitas da língua portuguesa.
Lamentavelmente, usamo-la pouco.
(Post-scriptum (se escrevesse só PS provocar-me-ia uma severa urticária) -
já não estou com a neura.
Subi o Marão, desci o Marão e a beleza que ainda há, a imponência dos montes, devolveu-me à minha insignificância)

Dia -507

Ando(amos) a precisar de uma Revolução, caraças!*


E de pessoas bonitas, como esta.

E esta música... andava a precisar de ouvir esta música.

Vienes quemando la brisa

con soles de primavera

para plantar la bandera

con la luz de tu sonrisa.

(extracto(zinho) de Hasta Siempre, de Carlos Puebla)

Ou, numa versão muito mais agressiva (ou revolucionária ou irónica ou lá o que é)


*Ou de como, quando estou com a neura, se acentuam as minhas tendências políticas.

Thursday, March 15, 2007

Dia -506

Dói-me qualquer coisa (acho que é o ombro direito)
O mundo pesa mesmo horrores.
Estou farta desta merda toda.
(Não sei dizer bem que merda é mas, assim mesmo, estou farta).
Construam-me uma casa em Galway, com vista para a Innismore.
Um alpendre onde sentir a chuva e observar os maravilhosos dias nublados.
Tragam todos os livros que quero ler.
Todos os meus Cd's.
Uma cadeira de balouço.
Uma mantinha.
Um cházinho de maçã com canela.
E fechem-me a porta.
Podem deitar fora a chave.
E não, não quero visitas*
*abro uma excepção para os meus pais. E outra para uma certa pessoa que, coitada, sem saber, tem contribuído bastante para que eu esteja farta desta merda toda

Wednesday, March 14, 2007

Dia -505

Evidentemente*
Mieux vaudrait apprendre à faire l'amour correctement
que de s'abrutir sur un livre d'histoire.
Boris Vian - L'Herbe Rouge
*Bom... talvez nem tanto ao amor, nem tanto aos livros de história.

Dia -504

Mensagem
(para uma pessoa que nunca saberá quem é e fica triste com isso, não sei porquê)
Odeio este tempo detergente
um tempo português que até utilizou
os primeiros acordes da quinta sinfonia de beethoven
como indicativo da voz do ocidente
chamada actualmente a emissão em línguas estrangeiras
um tempo que parou e só mudou
o nome que puseram num mundo que muda
a coisas que afinal permaneceram
um tempo português que alguma vez até em camões vê
o antecessor e criador de coisas como a nato
com a profética visão de quem consegue conceber tal obra
bem pouco literária por sinal e só possível graças à visão
de quem com um só olho vê as coisas quatrocentos anos antes.
Odeio este meu tempo detergente
de uma poesia que discreta até se erótica antigamente
hoje se prostitui numa publicidade
devida a algum poeta público que a certo detergente
deu de repente esse teu nome musical de musa
a ti precisamente a ti nesse teu rosto sorridente
onde o poeta público publicitário porventura viu
sobressair teu riso nesse território de alegria
e a brancura mais alva nesses dentes alvejar.
E eu que faço eu aqui em todo este tempo detergente quando
sinto subitamente cem saudades tuas
que posso que não seja odiar mais um meio que jamais
tentaria impedir evitaria um tempo que consente até contente
que faças dentro em pouco um ano mais
um meio onde nem mesmo eu mulher afinal sei
que terei de fazer para deter ao menos um momento essa tua
idade
a tua juventude se possível anos antes de haver-te conhecido
por acaso e já tarde na cidade onde nasceste
cidade que unamuno diz viver morrer apenas por amor
amor morto ou mortal mas amor imortal
cidade solidão as ruas muita gente os sons o sol
difusos e confusos corredores de uma faculdade
folhas que se renovam rostos que outros rostos
tão firmes tão presentes permanentes um só ano antes
friamente destroem sem deixar sequer
ao menos uma marca nessa fria impassível pedra
o tempo os sóis dos séculos cingindo os cintos da cidade
dessa cidade onde o povo morre novo à volta
do mesmo monumento destinado a exaltá-lo
cidade onde afinal a paisagem é pretexto para o homem
cidade portuguesa ó portugal ó parte da hispânia maior
maneira triste de se ser ibéria onde
da terra emerge o homem que depois o rosto nela imerge
ó portugal dos pescadores de espinho
espinho do suicida laranjeira espinho praia
antiga amiga e conhecida de unamuno
a praia dos seus últimos passeios portugueses
angústia atlântica e odor ó dor olor a campo
praia que só existe quando alguém a veste
coisa que foi somente quando tu mulher a viste.
Aqui em portugal aqui na vasta praia portuguesa
aqui nasci e ao nascer morri
como morri a morte que por sorte sempre tive
pesadamente do mais alto do meu peso dos meus anos
em cada um dos sítios onde um dia estive.
Aqui tive dezasseis anos aos dezasseis anos
aqui só vejo pés há muitos anos já.
Aqui o meu chapéu de chuva mais ao sul aceita em chapa
o sol
chapéu que fecho quando fecha o sol definidor do dia.
Tive um passado agora inacessível um passado
tão alto como a torre do relógio da aldeia
que pontual pontua a passagem do tempo
um tempo não ainda detergente um tempo
afinal só visível no sensível alastrar da sombra
ao longo desse pátio só possível ao adolescente
que mais tarde e mais só e de maneira mais sensível
mais só se sentirá no meio da imensa gente
que se sentia ali entre a andorinha e a nespereira.
Não o sabia então mas dominava um mundo
esse mundo que espero que me espere um dia ao fundol
á quando findo o dia sob o chão me afundo e ao final
em terra e em verdade é que me fundo.
Mas eu aqui completamente envolto neste tempo detergente
é da segunda-feira e da semana que preciso pois
posso lutar melhor por uma luz melhor
do que esta luz do mar à hora do entardecer.
É da cidade é da publicidade é da perversidade
que preciso e não tenho aqui na praia.
Não tenho nem o mar nem tão rudimentar
a técnica de olhar alguém as minhas mãos
para me devassar a vã vida privada.
É de inverno é domingo estou sozinho aqui na praia
regresso a casa à noite apanho eu próprio a roupa no quintal
e tenho a sensação de quem alguma coisa
faz pela primeira e sente bem ou mal
que tarde toma agora o seu banho lustral .
Ruy Belo - Odeio este tempo detergente

Tuesday, March 13, 2007

Dia -503

Half Nelson*



Provavelmente o melhor filme que vi nos últimos três ou quatro anos.
Absolutamente arrebatador.
De baixíssimo orçamento, pois claro.
Mas isso, como fica muitas vezes demonstrado (incluindo esta),
não interessa mesmo nada.
O facto de ter arrebatado um conjunto impressionante de prémios
e de ter sido nomeado para muitos outros
(incluindo o Oscar para melhor actor principal)
não tem, naturalmente, grande importância,
mas talvez queira dizer alguma coisa.
O protagonista é este rapazinho da fotografia
Um excelente(íssimo) actor.
E giro que se farta.
Espero vê-lo, num cinema perto de mim,
a desempenhar outros papeis fabulosos como este.
* O realizador é Ryan Fleck. E a interpretação da Shareeka Epps também é absolutamente magnífica.

Monday, March 12, 2007

Dia -502

Hoje venho apenas dizer(me) que morreste.

Sunday, March 11, 2007

Dia -501

Última Tentação

E então ela quis tentá-lo definitivamente. Olhou bem em volta, com extrema atenção.
Mas só conseguiu encontrar uma pêra pequenina e pálida.
Ficaram os dois numa desesperante frustração.
Não há dúvida que o Paraíso está a tornar-se cada vez mais chato!
Mário Henrique Leiria

Saturday, March 10, 2007

Dia -500

Há muito mais de quinhentos dias
que sou de um país diferente do vosso, de um outro bairro,
de uma outra solidão*

Je suis d'un autre pays que le vôtre, d'une autre quartier, d'une autre solitude.
Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse. Je ne suis plus de chez vous.
J'attends des mutants. Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie: je pisse, j'éjacule, je pleure. Il est de toute première instance que nous façonnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés.
Je suis prêt à vous procurer les moules. Mais...

la solitude...

Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis. Ils ont été coulés demain matin. Si vous n'avez pas, dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée, il est inutile de vous transmettre, il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour. Et...

la solitude...

Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues, soient aussi imperturbables que les feux d'arrêt ou de voie libre. Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez être votre conscience et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau. Et pourtant...

la solitude...

Le désespoir est une forme supérieure de la critique. Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur", les mots que vous employez n'étant plus " les mots" mais une sorte de conduit à travers lequel les analphabètes se font bonne conscience. Mais...

la solitude...

Le Code civil nous en parlerons plus tard. Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable. Je voudrais mesurer vos danaïdes démocraties.
Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit, le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité. La lucidité se tient dans mon froc.

Leo Ferré - La Solitude
*mas, no entanto, somos todos daqui. Do mesmo sítio.
Uma tradução muito imperfeita pode ser encontrada nos comentários.

Friday, March 09, 2007

Dia -499

O mundo é cada vez maior. As mulheres continuam (in)visíveis*
Imaginemos um mundo pequenino.
Um mundo com apenas 1000 pessoas.
Num mundo assim, passar-se-ia qualquer coisa como isto:
500 destas pessoas seriam mulheres;
Na verdade, poderiam ser 510, não fosse a prática do aborto selectivo
(corrente em países como a China ou a Índia)
ou a ausência de cuidados médicos adequados;
167 seriam espancadas ou expostas a qualquer outra forma de violência durante a sua vida;
100 destas mulheres teriam sido vítimas de violação ou de tentativa de violação.
Agora imaginem um mundo grande.
Como aquele em que vivemos.
Um mundo com 6 301 464 000 pessoas, das quais 3 132 342 000** são mulheres
e multipliquem.
Neste dia em vez de oferecerem flores às mulheres que conhecem
e que, estou certa, não são vítimas de nenhuma forma de violência...
façam mais qualquer coisa pelas mulheres que não conhecem.
Por aquelas que são vítimas de discriminação, de repressão, de violentações várias.
Porque é preciso lembrar, ao menos neste dia,
que sob qualquer das suas formas, a violência contra as mulheres
é ainda a mais frequente violação dos direitos humanos no mundo.
E se não acreditam nisto.
E se acham que o dia 8 de Março
é apenas um dia para oferecer flores,
carreguem aqui.
Adenda após reflexão: vejam e ouçam isto.
Os corações morrem de fome como os corpos;
dai-nos pão, mas dai-nos rosas
(James Oppenheim - Bread and Roses)
*Mulheres (In)Visíveis é o título de um Relatório acerca da violência sobre as mulheres, da Amnistia Internacional - Portugal.
** Dados da Organização das Nações Unidas

Thursday, March 08, 2007

Dia -498

Os Alunos, essas fontes inesgotáveis de alegria (III)
O miúdo tem um ar meio despassarado.
Um ar bastante invulgar, até.
Não sei se presta atenção às aulas ou não
(eles são sempre mais de cem no anfiteatro).
Mas hoje escreveu-me um email
que me deixou reconciliada com os miúdos todos.
Escreveu-me a dizer que tinha encontrado um artigo assim e assim
que talvez pudesse ser útil a algum colega
que estivesse a trabalhar sobre um tema relacionado.
Vocês podem achar normal.
Mas eu garanto que actualmente o gesto é tão invulgar
como o ar do miúdo em questão.

Wednesday, March 07, 2007

Dia -497

Be Aware of The Shark
(Specially when it's dead)
A relationship, I think, is like a shark.
You know? It has to constantly move forward or it dies.
And I think what we got on our hands is a dead shark.
(Woody Allen - Annie Hall)

Tuesday, March 06, 2007

Dia -496

O
pior
não é
isto.
O
que se diz.
O
pior
é
o
que não pode
ser
dito.

Monday, March 05, 2007

Dia -495

Ene
vezes.
Quando acaba a memória
e
começa o esquecimento?

Sunday, March 04, 2007

Dia -494

U
Ser, talvez, como tu.
Decidir.
E não pensar.
Nunca mais.
Em nada.

Friday, March 02, 2007

Dia -493

N
O que eu pensei foi
preciso de um abraço
hoje preciso de um abraço teu
um abraço desses de estar em casa
ou um abraço dos outros
daqueles de apanhar um comboio para um país distante
sem nada levar como bagagem
hoje preciso de um abraço teu.
Mas o que fiz
foi meter-me num cinema
para não perceber
que os teus abraços
esses
e
aqueles
ou seja
os únicos de que alguma vez precisei
levaste-os tu
para o único lugar onde não irei procurar-te.
Mas, sim, gostei do filme.

Dia -492

Pois Claro
(a nacionalidade de uma pessoa, nota-se, aliás, é mesmo nestas coisas miudinhas)
Diz-me o M.:
és tão exagerada como as espanholas.
Olé!