Monday, April 09, 2007

Dia -530

Uma Nova Voz do Jazz*




*Robin McKelle, aqui interpretando Bei Mir Bist Du Schon.
Há mais (e melhores e mais jazzie) músicas em Introducing Robin McKelle

Sunday, April 08, 2007

Dia -529

INLAND EMPIRE*
Aparentemente, se começamos por abrir uma porta, uma qualquer porta,
nunca saberemos onde iremos parar, sem sair de dentro de nós.
*o novo filme de David Lynch

Friday, April 06, 2007

Dia -528

Do Lado do Cu do Cristo Rei...*

está-se mesmo muito bem.
E eu que vivi tantos anos em Lisboa e não conhecia o Incrível Club.
Tipo a casa da avó... melhor: tipo várias casas da avó.
Um décor fabuloso.
Como estar dentro de um filme do Kusturica.
Claro que o concerto dos O'queStrada ajudou muito ao 'estar-se bem'.
Estes moços vão longe...
é ou não é? Ai cá para mim é!*


*pedacinhos de letras dos incríveis O'queStrada.

Thursday, April 05, 2007

Dia -527

Estes Cavalheiros...
têm feito mais pela consciência cívica e social dos portugueses do que todos os políticos juntos (incluíndo os licenciados, os para-licenciados e os quase-licenciados).
Obrigada!

Wednesday, April 04, 2007

Dia -526

Eu bem disse que esta miúda* dava uma belíssima cantora de Jazz...
ora aqui têm a prova

* Amy Winehouse - Teach me Tonight
(ainda assim, das múltiplas versões (jazz e menos jazz, cantadas ou apenas instrumentais) que conheço desta música, a minha preferência vai para as da Dinah Washington e da Sarah Vaughan).
Já agora, a ouvir também no You Tube as versões da Amy Winehouse de standards como Tenderly ou There is no Greater Love.

Dia -525

Estou com a Susana Bês*

«Nos entrementes, vai a Primavera avançada e nicles de paixões assolapadas. Não está certo!»

Claro que não!

*cujo blog Lida Insana só não está ainda na coluna da direita, porque eu sou uma grande preguiçosa.

Tuesday, April 03, 2007

Dia -524

Agora já no You Tube, outra vez os 4PorTango*


*Lamentavelmente, o som não é grande coisa, nem a imagem, mas além dos excelentes músicos no piano, no saxofone, no clarinete e no acordeão, há um percussionista que toca tigelas de esmalte, livros, sinos, tubos de escape, sacos de plástico e mais umas quantas coisas.

Monday, April 02, 2007

Dia -523

4PorTango*

Enquanto não chega ao You Tube um vídeo destes originais
intérpretes de Astor Piazzolla,
aqui fica o Verano Porteño interpretado pelo próprio.


*tocam em Aveiro, na Feira de Março, a 6 de Abril de 2007.
Hoje tocaram em Águeda.

Saturday, March 31, 2007

Dia -522

É Bonito...

... quando os amigos se lembram do momento em que nos viram pela primeira vez

Friday, March 30, 2007

Dia -520

Vulnerabilidade

tenho medo

Thursday, March 29, 2007

Dia -519

Ou Ofelia no País de Franco
Tecnicamente irrepreensível. Aliás, tecnicamente espantoso.
Uma versão escura, muito escura, de Alice no País das Maravilhas.
Na verdade, este filme devia chamar-se Ofelia no País de Franco.
Um país saído de uma Guerra Civil violentíssima,
cuja vitória dos fascistas instaurou um regime sustentado nas baionetas e no sangue**.
Pensei, logo a seguir ao fim do filme, que era tudo extremamente previsível.
Os maus. Os bons. Os heróis e os filhos da puta.
(Como se não fossemos todos uma e outra coisa)
E no fim, o bem compensa e alcançamos o reino dos céus,
vestidos, como Ofelia, com roupas coloridas e extremamente cintilantes.
O fim do filme é, aliás, o único momento em que as cores são brilhantes,
luminosas e estão definitivamente tão vivas que nos fazem doer os olhos.
E é exactamente quando a personagem, a inocência encarnada por Ofelia, morre.
E depois, ou melhor agora, vejo que o filme não é sobre o eterno e
habitualmente tão redutor dualismo entre o bem e o mal.
Entre a cor e a escuridão. Entre a luz e a sombra.
Mas é sobre a inocência e a capacidade de acreditar.
É sobre as infinitas maneiras de se estar vivo,
mesmo quando tudo o que importa parece ter já morrido.
Sejam os nossos pais ou o nosso país.
Seja a liberdade ou o amor.
Seja a igualdade entre os homens ou a magia das coisas.
E é ainda sobre a coragem.
Sobre todos esses pequenos gestos perfeitos.
Com que atravessamos espelhos.
* Em português O Labirinto do Fauno, realizado por Guillermo del Toro
** eis como Franco definia o seu próprio regime.

Wednesday, March 28, 2007

Dia -518

A verdade é que...
... quando eu tinha a tua idade não pensava tão bem como tu.
Talvez soubesse mais alguma coisa, dessas que se aprendem.
No cinema, nos livros, nas exposições, nas conversas intermináveis.
Mas a verdade é mesmo que, quando tinha a tua idade,
não pensava tão bem como tu pensas.
Nem agora.

Monday, March 26, 2007

Dia -517

Uma das coisas que eu tenho em comum com o Bill Bryson:
os planos de deus
«Sei há muito tempo que o plano que Deus tem para mim implica passar algum tempo com cada uma das pessoas mais idiotas do mundo».
(Bill Bryson - Por Aqui e por Ali)

Dia -516

Who Are You?
Who I am is only a point of view.
(ouvido em Set Up de Rui Horta, um espectáculo sobre a comunicação ou a falta dela... sobre ver e não ver...
sobre o nome das coisas e o que fazer com ele.
No princípio não tínhamos nome, depois alguém nos deu um)

Saturday, March 24, 2007

Dia -515

A Great Freak Show
ou
um belo filme que é uma biografia, muito ficcionada,
da grande fotógrafa americana Diane Arbus
ou
ou ainda
uma
(mais uma, em conjunto por exemplo com Dogville; The Hours; The Others; Birthday Girl)
interpretação muito, muito boa de Nicole Kidman.

Friday, March 23, 2007

Dia -514

Boa Disposição Instantânea

Uma bela voz e uma canção que faz com que nos apeteça descalçar os sapatos e começar a dançar no meio de um campo de girassóis, ou assim.

Corinne Bailey Rae - Put Your Records On

Dia -513

Então, não!*
(ou eu sinto-me sempre out of focus)

*ou novamente a Mafalda, a minha heroína de sempre.

Desta vez pergunta: nunca vos sucede sentirem-se por vezes um pouco indefinidos?

Thursday, March 22, 2007

Momento de Intervalo...

... no dia mundial da poesia, eis o poema*
Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamentode alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
- Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria.
Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.
E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.
Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
- Então cantarei a exaltante alegria da morte.
Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
- Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.
Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espadas
e perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra - invento para ti a música, a loucura
e o mar.
Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor? eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo
-eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.
Então sento-me à tua mesa. Porque é de tique me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida - e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.
Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira - para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.
Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.
Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
- Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.
Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.
Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.
Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
- o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.
Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.
Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
- No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.
Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamentea nossa vida.
As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
- aspiram longamente a nossa vida.
Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.
Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.
E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.
De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.
Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável
-em cada espasmo eu morrerei contigo.
E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.
Herberto Helder - O Amor em Visita
*Não sei se foi em Março que me disseram este poema.
Era uma ideia que eu tinha. Por gostar tanto destas palavras.
Que um homem, consigo todo, me dissesse isto.
E tu disseste, J.
Sim, talvez tu sejas um dos homens da minha vida.
Por isto e por outras coisas.
Mas, mesmo que não tenha sido em Março... foi em Março que nos conhecemos e ora aqui está uma outra coisa deste mês,
com poesia dentro e tudo, que vale a pena guardar.

Dia -512

A Importância da Informação*

*ou Mafalda, a minha heroína de sempre.

como a tira se vê mal aí vai:

Pai, olhando para a flor mirrada: esta não floriu, foi regada, apanhou luz, adubo... Não sei o que lhe terá faltado

o resto vê-se bem

Wednesday, March 21, 2007

Dia -511

Outras coisas acontecidas em Março e que vale a pena recordar...
(ou se fosse há um ano era mais ou menos assim que eu começava a sentir-me)

Mad about the boy
I know it's stupid to be mad about the boy
I'm so ashamed of it but must admit the sleepless nights I've had
About the boy
On the silverscreen
He melts my foolish heart in every single scene
Although I'm quite aware that here and there are traces of the cad
About the boy
Lord knows I'm not a fool girl
I really shouldn't care
Lord knows I'm not a school girl
In the fury of her first affair
Will it ever cloy
This odd diversity of misery and joy
I'm feeling quite insane and young again
And all because I'm mad about the boy
So if I could employ
A little magic that will finally destroy
This dream that pains me and enchains me
But I can't because
I'm mad...I'm mad about the boy
(Dinah Washington canta esta letra de Noel Coward)