*Laisse tomber les filles é o original (de Serge Gainsbourg, de 1964) de Chick Habit... a fabulosa música de April March, sabiamente integrada na estonteante banda sonora de Death Proof, mais um também estonteante filme de Quentin Tarantino.
Thursday, September 06, 2007
Dia -681
*Laisse tomber les filles é o original (de Serge Gainsbourg, de 1964) de Chick Habit... a fabulosa música de April March, sabiamente integrada na estonteante banda sonora de Death Proof, mais um também estonteante filme de Quentin Tarantino.
Wednesday, September 05, 2007
Dia -680
que estou absurdamente constipada
(serei talvez uma das raras pessoas que se constipa quando passa do frio para o calor, não?),
acho que ainda devia estar de férias.
Será depressão pós-férias a minha constipação?
Tuesday, September 04, 2007
Dia -679
E por agora chega-me a verdade do paracetamol.
*sim, sim, toda a gente sabe que foi assim que Álvaro de Campos começou um poema.
Assim e a espirrar até à metafísica e com o dia perdido cheio de se assoar.
Monday, September 03, 2007
Dia -678
Dizem que não há lugar como a nossa casa.
Sim. Não há. E eu gosto tanto da minha.
Mas tenho saudades da Holanda.
De Delft. Sobretudo de Delft.
E do Alto Jazz Club em Amesterdão.
E dos girassóis do Van Gogh.
E assim.
Não há lugar como a nossa casa.
Há só outros lugares que gostávamos de ter mesmo perto de casa.
Monday, August 27, 2007
Dia -671
(Ian McEwan Amesterdao, Ediçoes Gradiva, p. 168)
Sunday, August 26, 2007
Dia -670
*Nome de um quadro (magnífico) de J. Vermeer, exposto no Mauritshuis em Haia.
Friday, August 24, 2007
Dia -668
Saturday, August 11, 2007
Wednesday, August 08, 2007
Sunday, August 05, 2007
Dia -649
Pensando bem, é melhor guardarmos isto lá mais para Outubro.
* Jorge Palma
Saturday, August 04, 2007
Dia -648
uma das únicas coisas boas do Verão (que eu tanto odeio e tu adoras)
são os concertos de jazz nos jardins ou nos parques.
Como o de hoje, em Serralves, pelo sexteto Strada de Henri Texier.
Magnifique.
Friday, August 03, 2007
Thursday, August 02, 2007
Wednesday, August 01, 2007
Tuesday, July 31, 2007
Dia -644
-Queria pagar, se faz favor
*Esta simpatia toda, porém, não me fez esquecer. Seriam 14 anos hoje. Se...
Thursday, July 26, 2007
Dia -639
*
Exposed on the cliffs of the heart. Look, how tiny down
there,
look: the last village of words and, higher,
(but how tiny) still one last
farmhouse of feeling. Can you see it?
Exposed on the cliffs of the heart. Stoneground
under your hands. Even here, though,
something can bloom; on a silent cliff-edge
an unknowing plant blooms, singing, into the air.
But the one who knows? Ah, he began to know
and is quiet now, exposed on the cliffs of the heart.
While, with their full awareness,
many sure-footed mountain animals pass
or linger. And the great sheltered birds flies, slowly
circling, around the peak's pure denial.- But
without a shelter, here on the cliffs of the heart...
Rainer Maria Rilke
*excerto de composição de Terry Winter Owens, interpretada por Francisco Monteiro
Tuesday, July 24, 2007
Dia -637
Menos frequente é admitir que não entendemos os outros.
E ainda menos frequente é querermos, realmente, entendê-los.
Acho que andamos, todos, frequentemente, a perder alguma coisa.
* Kings of Convenience, que me foram dados a conhecer pelo Carlos. Obrigada.
Monday, July 23, 2007
Dia -636
Sunday, July 22, 2007
Saturday, July 21, 2007
Dia -634
Alguém que visita um dos meus blogs, fá-lo a partir de uma terra chamada Amor.
Eu já fui a Amor, por causa do nome.
Fica perto de Leiria.
É um nome bonito para uma terra. Amor.
*desenganem-se aqueles que pensaram que eu me tinha tornado patriota de repente.
Ça m'arriverai pas.
Friday, July 20, 2007
Thursday, July 19, 2007
Dia -632
só. sempre. sobre. o. amor. e. a morte.
não. provavelmente escreve-se. sobre o medo. do amor. e da morte
Wednesday, July 18, 2007
Tuesday, July 17, 2007
Dia -630
Mas fui ao teu blog e lembrei-me.
Muitos Parabéns Paulo.
(parece que tens coisas para me contar hein? Conta... conta... conta... ;-))
Monday, July 16, 2007
Dia -629
O meu boneco, imensamente favorecido - por João Tavares
Se eu fosse um desenho animado, era certamente uma figura simpática como esta. Só faria coisas boas. Nunca me arrependeria de nada. Teria um ganchinho permanente a segurar-me a franja e um jornal debaixo do braço, onde se leriam apenas notícias extraordinárias. Se eu fosse um boneco animado a minha vida seria mais verdadeira. E eu muito melhor pessoa. Pelo menos, não teria medo.
* Louis Armstrong (2:27) in 'Hello Dolly'
*ou o estado de desinspiração em que me encontro.
Sunday, July 15, 2007
Saturday, July 14, 2007
Dia -627
No mínimo, um filme que escapa à silly season cinematográfica.
Por vezes a violência da vida ou lá o que é, faz-nos querer mudar.
De vida. Ou lá o que é.
* um filme de Karen Moncrieff, com a esplêndida Toni Collette e também com Piper Laurie, Giovanni Ribisi, Mary Steenburgen, Mary Beth Hurt, Nick Searcy, Marcia Gay Harden, Kerry Washington, Brittany Murphy
Friday, July 13, 2007
Dia -626
Os troncos das árvores doem-me como se fossem os meus ombros
Doem-me as ondas do mar como gargantas de cristal
Dói-me o luar como um pano branco que se rasga.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Thursday, July 12, 2007
Dia -625
Tenho o prédio rodeado de andaimes. Envolto numa rede fina.
Wednesday, July 11, 2007
Dia -624
Tuesday, July 10, 2007
Dia -623
- Então e tu? De que clube és? Do benfica ou do sporting?
- Não sou de clube nenhum.
- ?!?? como?!?? Todos os portugueses têm um clube!
Então é isso!
Ou é por isso!
Monday, July 09, 2007
Dia -622
só nos temos a nós mesmos - este mundo, com as suas leis, não nos dá mais nada. Não deixaremos nada para trás quando morrermos: nada para além da nossa memória»
(da peça de Athol Fugard Sizwe Banzi Morreu, encenada por Peter Brook, no
Festival de Almada, 7/7)
Friday, July 06, 2007
Dia -619
Thursday, July 05, 2007
Dia -618
cuja resposta devia vir antes de ser necessário formulá-las.
Esta por exemplo:
what can one do when a love affair is over?
Wednesday, July 04, 2007
Tuesday, July 03, 2007
Dia -616
«Tu devias viver dentro de uma canção de amor»
(*Obrigada Alberto)
Monday, July 02, 2007
Sunday, July 01, 2007
Saturday, June 30, 2007
Dia -613
Friday, June 29, 2007
Wednesday, June 27, 2007
Monday, June 25, 2007
Dia -608
que não são as mesmas para todas elas*.
É uma metáfora evidente.
Às vezes é preciso ver as evidências.
* Antoine de Saint-Exupéry - O Principezinho
Sunday, June 24, 2007
Dia -607
na verdade,
não me interessa.
É a beleza desse caminho por fazer que procuro.
E as palavras prontas a ser ditas.
Saturday, June 23, 2007
Dia -606

*Era para escrever sobre A Bout de Souffle de Jean-Luc Godard, que vi ontem, no Cineclube de Aveiro. Já vi muitas vezes este filme.
Nunca o tinha visto em écran gigante.
Sempre me comoveu o rosto de Jean Seberg.
Depois, como todos os dias, fui ao Respirar o Mesmo Ar e encontrei um texto assim. Com respirações como esta:
Há um compromisso no escrever. No ler. Esse compromisso é uma viagem. Uma aventura.
E constatei outra vez que a escrita do Joaquim é,
tal como o rosto da Jean Seberg,
uma coisa que me comove.
Friday, June 22, 2007
Dia -605
Thursday, June 21, 2007
Wednesday, June 20, 2007
Dia -603
Tuesday, June 19, 2007
Monday, June 18, 2007
Dia -601
... pois dancemos.
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals con la boca cerrada.
Este vals, este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac
que moja su cola en el mar.
Te quiero, te quiero, te quiero,
con la butaca y el libro muerto,
por el melancólico pasillo,
en el oscuro desván del lirio,
en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals de quebrada cintura.
En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos.
Hay una muerte para piano
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados,
hay frescas guirnaldas de llanto.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals que se muere en mis brazos.
Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el desván donde juegan los niños,
soñando viejas luces de Hungría
por los rumores de la tarde tibia,
viendo ovejas y lirios de nieve
por el silencio oscuro de tu frente.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals, este vals del "Te quiero siempre".
En Viena bailaré contigo
con un disfraz que tenga
cabeza de río.
¡Mira qué orillas tengo de jacintos!
Dejaré mi boca entre tus piernas,
mi alma en fotografías y azucenas,
y en las ondas oscuras de tu andar
quiero, amor mío, amor mío, dejar,
violín y sepulcro, las cintas del vals.
(Frederico Garcia Lorca - Pequeño Vals Vienés)
Sunday, June 17, 2007
Saturday, June 16, 2007
Dia -599
Quando me chamas
Quando me tocas
Nem eu sei
Se sou água
Rapariga
Ou algum pomar que atravessei
Friday, June 15, 2007
Dia -598
Thursday, June 14, 2007
Wednesday, June 13, 2007
Dia -596
Tuesday, June 12, 2007
Dia -595
(bom, ninguém me garante que aquilo é uma festinha no ego... f-world bem pode ser de fucked-up people)
Monday, June 11, 2007
Sunday, June 10, 2007
Dia -593
Viva a Espanha!
(e a República Checa e a Hungria e a Polónia e a Roménia e a Áustria e a Irlanda e a Grã-Bretanha e a França e a Itália e a...
Friday, June 08, 2007
Dia -591
Thursday, June 07, 2007
Dia -590
estes posts não são posts apaixonados.
São posts comovidos.
Às vezes as pessoas comovem-me.
É isto.
Wednesday, June 06, 2007
Dia -589
Tuesday, June 05, 2007
Dia -588
É porque tu existes que mais ninguém existe.
Apercebo-me disto.
E depois. Nada.
de Francis Ford Coppola.
A música que o Tom Waits aqui canta (Take me home) também faz parte da banda sonora. Não exactamente esta versão.
Monday, June 04, 2007
Dia -587
Hoje quando abri um trabalho de um dos grupos, para o corrigir,
apareceu-me uma página
(invulgar em trabalhos de alunos do 1º ano)
de Agradecimentos.
Achei bem.
Agradeciam a quem os tinha ajudado a recolher os dados,
a quem lhes tinha facultado informações, etc.
Lá no meio... apareceu um agradecimento extraordinário.
Primeiro porque era a mim.
(E a mim não precisam de me agradecer coisa nenhuma, os alunos.
Ou seja, faço a minha obrigação ao orientá-los, no seu trabalho)
Segundo porque me agradeciam em primeiro lugar
(pasme-se!)
o meu excelente sentido de humor.
Sunday, June 03, 2007
Dia -586
Saturday, June 02, 2007
Dia -585
Thursday, May 31, 2007
Momento de Intervalo...
Dia -583
Cachucho não é coisa que me traga a mim
FMI
Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
FMI
Palavras, palavras, palavras e não só
FMI
Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?A one, a two, a one two three
FMI dida didadi dadi dadi da didi
Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com os decassílabos que os senhores já vão ver o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro de Cunhal, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio Rolão Preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?
FMI Dida didadi dadi dadi da didi
Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marraças, Marraças, fora o arbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-Ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, iehh iehh, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, zórpila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...
Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...
Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.
Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.
Wednesday, May 30, 2007
Dia -582
Sérgio Godinho - A Noite Passada
Cheguei-me a ti.
disse baixinho: olá
toquei-te o ombro
e a marca ficou lá
(este é um dos meus memes, seguramente)
Tuesday, May 29, 2007
Dia -581
Monday, May 28, 2007
Dia -580
Le soleil passe son bras par la fenêtre
Les chasseurs à ma porte
Comme des petits soldats
Qui veulent me prendre
Je ne veux pas déjeuner
Je veux seulement oublier
Et puis je fume
Un millions de roses
N'embaumeraient pas autant
Maintenant une seule fleur
Dans mes entourages
Me rend malade
Vie qui veut me tuer
C'est magnifique
Etre sympathique
Mais je ne le connais jamais
Vie qui veut me tuer
C'est magnifique
Etre sympathique
Mais je ne le connais jamais
Je ne veux pas travailler
Sunday, May 27, 2007
Thursday, May 24, 2007
Dia -576
Wednesday, May 23, 2007
Tuesday, May 22, 2007
Dia -574
Monday, May 21, 2007
Sunday, May 20, 2007
Dia -572
... mas escolhi esta que tem a ver com o tempo... essa disposição mental:
O tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem
e o tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem
E quanto ao resto... com o avançar da Primavera, começa a haver sinais,
mas nada de paixões assolapadas. Ainda.
Saturday, May 19, 2007
Friday, May 18, 2007
Dia -570
Thursday, May 17, 2007
Dia -569
um olhar perdido é tão difícil de encontar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar
(Ruy Belo)
Wednesday, May 16, 2007
Dia -568
Tuesday, May 15, 2007
Dia -567
Hoje em dia, o mais provável é levar com elas na cara!
Monday, May 14, 2007
Sunday, May 13, 2007
Dia -565
Já me lembrei
um erro, o único grande erro, que fiz na porra da vida.
Mas não podia ter errado de uma maneira tão certa
ou acertado de uma maneira tão errada.
Não podíamos ter evitado errar
de tão certos que estávamos.
Já me esqueci.
Saturday, May 12, 2007
Dia -564
*Ok, podia dar-me para muito pior. Obrigada, miúdo ;-)). Agora além de te gabares da Amy Winehouse, podes gabar-te também dos Heavy Trash.
Friday, May 11, 2007
Dia -563
... O Paraíso na Outra Esquina *
* ou de como, sem querer, se dizem grandes verdades.
Agora que fiz o link, vê lá se pões o paraíso disponível, rapaz.
Que já nos fazia falta. O paraíso estar disponível, quero dizer.
Thursday, May 10, 2007
Dia -562
Wednesday, May 09, 2007
Dia -561
As paisagens são velozes além da janela.
As estações são pontuais.
Os mesmos beijos de namorados recentes.
As mesmas duas mulheres muito gordas sentadas nos bancos.
O homem, o mesmo, que não sabe onde pôr as mãos.
Até que lhe digo adeus.
Tuesday, May 08, 2007
Dia -560
talvez isto de ter blogs... hum... ehr... já não seja assim muito...
hum... ehr... estimulante... ou isso...
Monday, May 07, 2007
Sunday, May 06, 2007
Friday, May 04, 2007
Dia -556
Wednesday, May 02, 2007
Dia -554
Tuesday, May 01, 2007
Dia -553
...
So comrades, come rally
And the last fight let us face
The Internationale
unites the human race.
...
C'est la lutte finale
Groupons-nous, et demain
L'Internationale
Sera le genre humain
...
È la lotta finale,
Uniamoci, e domani
L’Internazionale
Sarà il genere umano.
...
Volker, hort die Signale!
Auf, zum letzten Gefecht!
Die Internationale
Erkampft das Menschenrecht
...
Agrupémonos todos,
en la lucha final.
El género humano
es la internacional.
...
Это есть наш последний
И решительный бой.
С Интернационалом
Воспрянет род людской!
...
Por finlukto socia
Ni grupiĝu en rond',
Kaj la Internacio
Triumfu en tutmond' !
...
Bem unidos façamos
nesta luta final
uma terra sem amos
a Internacional
Monday, April 30, 2007
Sunday, April 29, 2007
Dia -551
Saturday, April 28, 2007
Friday, April 27, 2007
Thursday, April 26, 2007
Dia -548
Cliquem na imagem, para a aumentarQue, estou segura, muitos dos meus alunos colocam a si mesmos.
Talvez não exactamente esta. E não em francês, essa língua que serve cada vez para menos*. Mas questões muito semelhantes. Com os mesmos resultados.
* Lamentavelmente, do meu ponto de vista.
Tradução para aqueles que, como os meus alunos, consideram o francês uma língua sem qualquer préstimo:
1ª - Os principais rios do mundo! Para que serve aprender quais são os principais rios do mundo?
2ª - Tudo isto por causa dessa estúpida mania de querer dar nomes a tudo o que existe!
3ª - Passámos todo o dia de ontem a estudar! E porquê? Ah, sim, eu sei! Cultura para aqui, cultura para ali!
4ª - Mas amanhã de que me servirá saber que o Everest é navegável?






