para se estar...
Wednesday, January 30, 2008
Tuesday, January 29, 2008
Dia -822
Arrepio (iv)
Que importa que o coração,
Diga que sim ou que não,
Se continua a viver?
(Primavera, David Mourão Ferreira)
Monday, January 28, 2008
Sunday, January 27, 2008
Dia -819
Talvez eu seja, afinal, malgré tout, portuguesa...
(pelo menos de vez em quando)
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
Sophia de Mello Breyner Andresen - Quando
Canta Kátia Guerreiro. Canta tão bem.
(pelo menos de vez em quando)
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
Sophia de Mello Breyner Andresen - Quando
Canta Kátia Guerreiro. Canta tão bem.
Saturday, January 26, 2008
Dia -818
No meu mau italiano, eu podia dizer que...
forse la felicità potrebbe essere soltanto nella sensazione di cose che sentiamo.
Allora, Io sono felice perchè sento un sacco di cose. Di belle cose.
Forse sentire è sufficiente. Forse non si ha bisogno di pensare.
No lo so. E non voglio sapere.
forse la felicità potrebbe essere soltanto nella sensazione di cose che sentiamo.
Allora, Io sono felice perchè sento un sacco di cose. Di belle cose.
Forse sentire è sufficiente. Forse non si ha bisogno di pensare.
No lo so. E non voglio sapere.
:-)
Thursday, January 24, 2008
Dia -816
Massagem Doce
Ofereceram-me pelo meu aniversário uma massagem com envolvimento de chocolate.
Fui fazê-la hoje e nem sei se vos diga, se vos conte ou se guarde só para mim esta sensação de walking on clouds. Recomendo.
M a r a v i l h o s o.
Eu repito. M a r a v i l h o s o.
Cada vez me convenço mais que eu nasci para ser mimada. E rica. Já agora.
(Sim... há qualquer coisa que não bate certo neste meu fado, mas pronto em havendo amigas maravilhosas que nos oferecem coisas destas, a coisa vai)
Wednesday, January 23, 2008
Dia -815
How to break up with your girlfriend (or boyfriend) in 64 easy steps...
Mais Tales of Mere Existence, no You Tube
Mais Tales of Mere Existence, no You Tube
Tuesday, January 22, 2008
Dia -814
Arrepio (iii)
(...)
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Alexandre O'Neill (extracto do (magnífico) Um Adeus Português)
Sunday, January 20, 2008
Friday, January 18, 2008
Dia -810
Não sei se repararam
Eu só reparei depois. Quase todos os tipos do dia -809 têm barba...
ou, pelo menos, a sugestão de...
Pois. Parece que eu tenho uma especial predilecção por tipos com barba.
Eu só reparei depois. Quase todos os tipos do dia -809 têm barba...
ou, pelo menos, a sugestão de...
Pois. Parece que eu tenho uma especial predilecção por tipos com barba.
Thursday, January 17, 2008
Dia -809
Se todos os homens à nossa volta fossem como o...*
Reynaldo Gianecchini
Mark Ruffalo
Ryan Gosling
Richard Gere
Johnny Depp
Orlando Bloom 

Jude Law
Patrick Dempsey
John Cusack 
Patrick Dempsey
John Cusack 
Matt Damon
Leonardo DiCaprio
Edward Norton
Jonathan Rhys-Meyers
Daniel Craig
Colin Firth
Brad Pitt
Leonardo DiCaprio
Edward Norton
Jonathan Rhys-Meyers
Daniel Craig
Colin Firth
Brad PittO mundo podia não ser um lugar melhor, mas seguramente era bastante mais bonito.
Sobretudo se todos os homens se parecessem com o tipo mais interessante do mundo
(em duplicado, por ser para mim)
Hugh Laurie
ou com o tipo (também) mais interessante do mundo
(em duplicado por ser para a minha amiga-irmã-praticamente-gêmea)
George Clooney
*fiz 41 anos, mas não estou morta, ora essa!
Tuesday, January 15, 2008
Monday, January 14, 2008
Saturday, January 12, 2008
Dia -805
Friday, January 11, 2008
Dia -804
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
Encontrei há pouco este poema numa antiga carta que a Teresa me escreveu.
A Teresa escreve-me sempre cartas.
Mesmo sendo sob a forma de email.
São cartas.
Daquelas que guardamos com dedicação.
Daquelas que esperamos com urgência.
E não sei por que razão
(a razão tem pouco a ver com estas coisas)
abri hoje de novo o enorme ficheiro que junta a nossa correspondência
e encontrei este poema.
Pareceu-me adequado ao que hoje sinto.
Pareceu-me que fala de espera.
De adiamentos.
E de urgências.
Mas talvez me tenha parecido tudo mal.
E não seja nada disto.
Thursday, January 10, 2008
Dia -803
A Fátima Mudou-se
Bom, não exactamente a Fátima, mas o seu F-World.
Como é um mundo único, continuem a visitá-lo
Wednesday, January 09, 2008
Dia -802
Confesso...
que gosto de todos os familiares, amigos colegas e alunos
(e até gosto de algumas instituições)
que se lembraram que envelheci um bocadinho mais...
mas de todos os emails, sms, telefonemas e mesmo alguns poemas que recebi,
nada me comoveu tanto como este postal dos meus (ex) alunos Paulo e Sara.
Obrigada. O privilégio foi sempre meu. Obviamente.
Tuesday, January 08, 2008
Dia -8/01
É dia 8/01* e este é o meu bilhete de identidade
Eu não sou portuguesa. Sou europeia.
Podia ser de qualquer parte, mas aconteceu ter nascido em Lisboa.
Que não é a cidade mais bonita do mundo.
Ou talvez seja.
Vivo em Aveiro há muitos anos, numa rua que é não é minha
mas da senhora da alegria.
E isto é tão bonito como, ao fundo, a ria.
Trabalho na Universidade mais dinâmica do país.
Na mais bonita também.
E tenho orgulho.
Naturalmente.
Aparte isto tenho alguns gostos e outros tantos não-gostos.
E todos os sonhos do mundo**.
E a convicção de que o que é preciso é dar lugar aos pássaros nas ruas da cidade**.
Gosto do Inverno.
De castanheiros.
De gatos.
De um lugar chamado Cova da Lua, em Montesinho.
De mais uns quantos lugares do mundo que conheço
e de algumas pessoas que nunca chegarei a conhecer completamente.
Gosto de honestidade.
De literatura.
De jazz.
De poesia.
De certas palavras
e de algumas línguas.
De ensinar.
De aprender.
Gosto de fazer peoplespotting.
De cinema.
De pintura.
De política.
Da inteligência.
Do riso.
E da beleza que vai, um dia, dominar tudo.
Não gosto da estupidez.
Da fraca memória.
Da intolerância.
Não gosto das segundas intenções
e do pó nas entrelinhas.
Não gosto de quem não se ri de si mesmo.
Dos espaços desordenados.
Da literatura light.
Não gosto da caridadezinha.
Da música pimba.
Da violência.
De quem diz que não tem tempo
para ver um pôr-do-sol ou olhar para as estrelas.
Não gosto da crueldade.
Da pressa.
E da maior parte dos políticos portugueses.
Poderia ter sido outra pessoa.
Com outros gostos e não gostos.
Ainda poderei ser outra pessoa.
Mas hoje sou isto.
Tenho fotografias melhores.
Mas menos verdadeiras.
Tenho 41 anos.
Aconteceu-me uma vez uma grande dor.
Nos outros dias bastou-me ouvir o vento.
* foi coincidência o post ser no dia -801.
** frases, respectivamente de Álvaro de Campos e de Ruy Belo
Podia ser de qualquer parte, mas aconteceu ter nascido em Lisboa.
Que não é a cidade mais bonita do mundo.
Ou talvez seja.
Vivo em Aveiro há muitos anos, numa rua que é não é minha
mas da senhora da alegria.
E isto é tão bonito como, ao fundo, a ria.
Trabalho na Universidade mais dinâmica do país.
Na mais bonita também.
E tenho orgulho.
Naturalmente.
Aparte isto tenho alguns gostos e outros tantos não-gostos.
E todos os sonhos do mundo**.
E a convicção de que o que é preciso é dar lugar aos pássaros nas ruas da cidade**.
Gosto do Inverno.
De castanheiros.
De gatos.
De um lugar chamado Cova da Lua, em Montesinho.
De mais uns quantos lugares do mundo que conheço
e de algumas pessoas que nunca chegarei a conhecer completamente.
Gosto de honestidade.
De literatura.
De jazz.
De poesia.
De certas palavras
e de algumas línguas.
De ensinar.
De aprender.
Gosto de fazer peoplespotting.
De cinema.
De pintura.
De política.
Da inteligência.
Do riso.
E da beleza que vai, um dia, dominar tudo.
Não gosto da estupidez.
Da fraca memória.
Da intolerância.
Não gosto das segundas intenções
e do pó nas entrelinhas.
Não gosto de quem não se ri de si mesmo.
Dos espaços desordenados.
Da literatura light.
Não gosto da caridadezinha.
Da música pimba.
Da violência.
De quem diz que não tem tempo
para ver um pôr-do-sol ou olhar para as estrelas.
Não gosto da crueldade.
Da pressa.
E da maior parte dos políticos portugueses.
Poderia ter sido outra pessoa.
Com outros gostos e não gostos.
Ainda poderei ser outra pessoa.
Mas hoje sou isto.
Tenho fotografias melhores.
Mas menos verdadeiras.
Tenho 41 anos.
Aconteceu-me uma vez uma grande dor.
Nos outros dias bastou-me ouvir o vento.
* foi coincidência o post ser no dia -801.
** frases, respectivamente de Álvaro de Campos e de Ruy Belo
Sunday, January 06, 2008
Dia -799
Oggi vorrei darti solamente di cose belli
«Como se não tivesse substância e de membros apagados.
Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra.
E germinar no sono, germinar na árvore.
Tudo acabaria na noite, lentamente, sob uma chuva densa.
Tudo acabaria pelo mais alto desejo num sorriso de nada.
No encontro e no abandono, na última nudez,
respiraria ao ritmo do vento, na relação mais viva.
Seria de novo o gérmen que fui, o rosto indivisível.
E ébrias as palavras diriam o vinho e a argila
e o repouso do ser no ser, os seus obscuros terraços.
Entre rumores e rios a morte perder-se-ia.»
António Ramos Rosa - Nascimento Último
Friday, January 04, 2008
Dia -797
Grandes são os Desertos e tudo é Deserto
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.
Grandes são os desertos.
Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.
Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
Mais vale arrumar a mala.
Fim.
Álvaro de Campos
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