Monday, September 22, 2008

Dia -1059

O ano ainda não acabou.
Mas parece-me que começa aquela altura em que vamos
(nos deixamos ir)
apenas pelos lugares.

Girona - Fevereiro de 2008



Mantua, Março de 2008


Dolomitas, Março de 2008

Trento, Março de 2008

Bolonha, Março de 2008



Valência, Abril de 2008


Londres, Maio de 2008

Toscana, algures, Julho 2008

Raggiolo , Julho de 2008

Florença , Julho de 2008


Pisa, Julho de 2008


Arezzo, Julho de 2008

Toscana, algures, Julho de 2008

Roma, Julho de 2008


Roma, Julho de 2008

Berlim, Agosto de 2008


Berlim, Agosto de 2008


Brno, Agosto de 2008


Praga, Agosto de 2008

Praga, Agosto de 2008

Thursday, September 11, 2008

Wednesday, September 10, 2008

Dia -1047

Não é (também) um belo objecto...

o meu relógio de hoje?

Monday, September 08, 2008

Dia -1045

Os Relógios e as Horas

Tenho uma paixão por relógios.
Não por todos, naturalmente.
Embora despreze, tanto quanto me é possível, o tempo,
gosto de (alguns) dos belos objectos que usamos para o medir.
Agora há pouco, na fila do bar, alguém que não conheço disse-me:
tem um relógio tão bonito!


Tenho mesmo. Hoje tenho este. Mas tenho muitos. Belos objectos como este.
Às vezes perguntam-me, dado que nenhum dos meus magníficos relógios tem números:

mas consegues ver as horas???

A minha resposta é só uma:

que é que isso interessa?

O tempo é só aquilo que fazemos.


Sunday, September 07, 2008

Dia -1044

Uma boa filha regressa sempre ao colo do pai

Thursday, September 04, 2008

Dia -1041

Haverá por aí algum(a) benemérito(a)...

que me dê um destes, verde e tudo,

com mudanças automáticas,

entregue à minha porta, com um laçarote em cima?

Não?

Pois... bom... era só para saber.

Tuesday, September 02, 2008

Dia -1039

É Raro...

eu ler o livro depois de ver o filme.
Aconteceu duas vezes: Com Alta Fidelidade (filme de Stephen Frears, Livro de Nick Hornby) e agora com os (ambos) magníficos filme (de Antonio Luigi Grimaldi) e livro (de Sandro Veronesi)

Monday, September 01, 2008

Dia -1038

(Escre)ver-me


nunca escrevi

sou
apenas um tradutor de silêncios

a vida tatuou-me nos olhos
janelas
em que me transcrevo e apago

sou
um soldado
que se apaixona
pelo inimigo que vai matar

- Mia Couto -

Friday, August 22, 2008

Dia -1028

Vivo no Burkina Faso e nao em Portugal
(ou... tenho tanta vergonha de ser portuguesa)

Nao ha acentos neste teclado (nem cedilhas). Nao estou no Burkina Faso.
Estou em Berlim.
E gosto da cidade.
Viajei de Lisboa para Praga no dia 19 de Agosto. Pensei fazer (e fiz) a viagem de comboio entre Praga e Berlim. Sao so 4 horas e meia e a paisagem e magnifica.
E afinal eu gosto de comboios.
A minha bagagem nao viajou comigo.
Ainda nao tenho a bagagem 4 dias (e um enredo de telenovela mexicana muito mal dobrada em brasileiro) depois.
Em Praga as senhoras que trabalham com a TAP mal sabem 3 palavras em ingles*.
Solicito ao Aeroporto de Lisboa que a bagagem me seja enviada para Berlim.
Que sim, segue dia 20, sem falta.
Nao chegou.
Mais telefonemas (para o call center da TAP (nos compreendemos minha senhora e a palavra de ordem qual disco riscado), para a Groundforce (esteja descansada minha senhora, a mala ja seguiu num voo para Berlim, via Munique... ou num voo para Berlim via Frankfurt), para o 'Fale Connosco', o servico de apoio ao cliente da TAP)
Que sim, segue dia 21 de manha sem falta.
Nao chegou.
Mais telefonemas.
Que sim, segue dia 22 de manha.
Nao chegou.
Mais telefonemas.
Que sim, segue dia 22 a noite.
Nao sei. Acho que tambem nao vai chegar.
Era um misero voo directo entre Lisboa e Praga.
A mala (por ser um voo directo)
contem documentos importantes de trabalho.
toda a minha roupa**
e muitas coisas mais.
Afinal so regresso a Lisboa dia 30 de Agosto.
Domingo saio de Berlim em direccao a Brno, na Republica Checa.
A seguir para Praga de novo.
A mala? Apesar de aparentemente a conseguirem localizar... eu comeco a duvidar que alguma vez tenha existido uma mala, que a tenha colocado no tapete em Lisboa aquando do Check In.
Mais... estas coisas, os erros, acontecem, naturalmente... mas tantos erros em 4 dias? E surreal!
Entretanto aprecio Berlim. Gostava de viver na Alemanha, um pais onde toda a gente e civilizada, onde nos tratam como pessoas e nao como numeros num processo.
Viajo bastante. Apenas uma vez (ok, tenho sorte) a minha bagagem se perdeu.
Foi na Noruega. Um pais a serio, portanto.
Em Oslo o funcionario disse-me va para Trondheim (o meu destino final, naquele caso) e logo quando chegar ao hotel, eu digo-lhe onde esta a sua mala e a que horas a recebera amanha.
Acreditam que a mala me foi entregue no hotel exactamente, mas exactamente, a hora que o senhor me disse?
Sim, a Noruega e um pais a serio.
Nao e Portugal.


Bem sei, bem sei, uma mala e uma mala, trata-se apenas de uma mala.
Deveria estar (e estou) agradecida aos ceus porque o aviao nao caiu.


*E nao, nao creio que o mundo inteiro se deva submeter a ditadura do ingles. Mas quando se trata de um aeroporto internacional, neste caso de servicos prestados a passageiros que na sua maioria nao falam checo (quem e que fala checo para alem dos checos?), seria desejavel que alguem falasse e compreendesse de forma razoavel a lingua inglesa (ou outra qualquer lingua para alem do checo)... mas nao.


** Quer dizer, nao toda a minha roupa. Toda a minha roupa para os 10 dias em que estarei fora, claro.

Wednesday, August 13, 2008

Dia -1019

101 Dias (a Menos) Depois...

regresso para dizer que 101 dias são apenas uns breves instantes.
Mas acho que
(fui)
ainda sou
mais ou menos
feliz.

Sunday, May 04, 2008

Dia -918

... mas depois...

penso que podia ser um destes. Ao sol.
Um pequeno gato.
Um minúsculo gato.
Ao sol.
E recomeço (ou não) a contagem de dias a mais e a menos.
Os balanços de deve e haver.
Deve
Haver
Uma
Dimensão
Melhor
Que
Esta
e
parece
(mesmo)
que os gatos
a
conhecem
(ou talvez seja só do sol)










Thursday, April 03, 2008

Dia -887

Cansei-me...

de contar os dias a menos para a morte.
Ou talvez apenas tenha realizado que a contagem dos dias não tem qualquer importância.
Nem a mais.
Nem a menos.
É melhor, sempre, viver os dias.
Como se fossem todos únicos.
Como se cada um deles fossem dias roubados à morte.
Vou fazer isso.
Por tempo indeterminado.


(vou continuar, de forma intermitente, como até aqui, no
Bebedeiras de Jazz)

Friday, March 28, 2008

Dia -881

Alguém me explica...

porque é que os homens quando nos querem conquistar fazem tudo e mais alguma coisa...
são amorosos. Atenciosos. Cavalheiros. Cuidadosos. Fogosos. Românticos. Etc. Etc.
E depois, quando acham que já nos conquistaram,
começam a comportar-se de forma bastante diferente?
É que esta verdade quase universal, apesar dos meus 41 anos,
não deixa nunca de me surpreender... pela negativa, claro.
Primeiro porque a conquista deve ser um processo e não um fim...
depois porque tenho paciência zero para mudanças bruscas de comportamento!
(É que as minhas próprias variações já me dão que fazer, não é?)

Thursday, March 27, 2008

Dia -880

E por vezes o coração


Trento, Março 2008

...fica pendurado, do lado de fora. À porta.

Wednesday, March 26, 2008

Dia -879

Yeah Yeah Yeah!

Duffy - Mercy


I love you
but i gotta stay true
my morals got me on my knees
im begging please stop playing games

i dont know what this is
cos you got me good
just like you knew you would

i dont know what you do
but you do it well
I’m under your spell

You got me begging you for mercy
why wont you relase me
you got me begging you for mercy
why wont you release me
I said release me

Now you think that i
will be something on the side
but you got to understand
that i need a man
who can take my hand yes i do

i dont know what this is
but you got me good
just like you knew you would

i dont know what you do
but you do it well
I’m under your spell

Tuesday, March 25, 2008

Saturday, March 22, 2008

Dia -875

Bisogna...

di dirsi tutte le cose. Sempre.

Pietro (ou Nanni Moretti) em Caos Calmo)

Friday, March 14, 2008

Dia -867

Say you do...



Miss Nina Simone - Wild is the Wind

Love me love
me love me
Say you do
Let me fly away
with you
For my love is like
the wind
And wild is the wind

Give me more
than one caress
Satisfy this
hungriness
Let the wind
blow through
your heart
For wild is the wind

You...
touch me...
I hear the sound
of mandolins
You...
kiss me...
With your kiss
my life begins
You're spring to me
All things
to me

Don't you know you're
life itself
Like a leaf clings
to a tree
Oh my darling,
cling to me
For we're creatures
of the wind
And wild is the wind
So wild is the wind

Wild is the wind
Wild is the wind

Saturday, March 08, 2008

Dia -861

Mulheres Como Nós...

Joan Miró - Tres Mujeres


... ou talvez ainda não.


Ver
aqui e aqui porque sim ou porque não.

Friday, March 07, 2008

Dia -860

Não...

se partilha a solidão. Não se partilham os magoados silêncios. Não se partilha a própria liberdade. Não se partilha o que somos.
Na verdade há pouco que se partilhe, para além da matéria.
Ou seja.
O corpo.
O pão.
A casa.
Certos livros.
Alguns discos.
As mãos às vezes. Mas pouco, já que sentem.
Não.
Não se partilha para além disto.
Nunca.
Nem a própria ilusão que partilhamos.
Sequer

Thursday, March 06, 2008

Dia -859

Há Dias...

em que o silêncio enlouquece.

Wednesday, March 05, 2008

Dia -858

Março

é este mês sempre difícil.
Mas há, por enquanto, uma promessa de vida no meu coração.
E a música.
Esta por exemplo.


Elis Regina - Águas de Março

Tuesday, March 04, 2008

Dia -857

(in)significâncias

sem-se-ver queres tu saber das minhas insignificâncias ou das que, nos outros me irritam?
As minhas podem ser:
1) não saio de casa sem fazer a cama
2) não saio de casa sem lavar a louça do pequeno almoço
3) não me deito antes das 4 da manhã
4) gosto de estrelas mas não sei dizer o nome de nenhuma delas
5) tiro sempre fotografias a gatos, em qualquer sítio onde vá
6) só gosto de chocolate negro, muito amargo

Nos outros, há muitas, mas as que a eles lhes parecerão talvez insignificantes e que a mim me irritam são:
1) que o carro que vai atrás de mim na estrada se cole ao meu e acenda os máximos repetidamente
2) que as pessoas comam pipocas no cinema e sorvam a coca-cola
3) que as pessoas não consigam desligar o telemóvel (nas aulas, no cinema, no teatro, nos transportes públicos, nos restaurantes, etc)
4) que as pessoas digam coisas que nunca poderão cumprir
5) que me perguntem à saída do cinema (das poucas vezes em que vou acompanhada): então, gostaste?
6) que me ofereçam flores no dia internacional da mulher.

Passo a cadeia a quem a quiser seguir.



Monday, March 03, 2008

Dia -856

Descompressão

inspirar fundo. deitar o ar todo fora devagar.
sou eu outra vez.
e sabe bem dizer-me olá.


Sunday, March 02, 2008

Tuesday, February 26, 2008

Dia -850

Cada dia


é um abismo atómico.


Herberto Helder -
deixarei os jardins a brilhar com seus olhos

Monday, February 25, 2008

Dia -849

Quoting Mr. Jack Nicholson

Well, I love movies...

foi por isso que fiquei a ver os óscares até ao fim.
Hoje pareço uma zombie.
O que, na verdade, é muito cinematográfico.

Gostei particularmente do Javier Bardem dizendo
isto es para España.
Olé!

Também gostei da abertura da Academia.
Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz Secundária...
todos não americanos. Todos grandes actores e actrizes.

E os irmãos Coen finalmente e com muita pinta lá ganharam o óscar de melhores realizadores com o filme No Country for Old Men.

E o politicamente incorrecto John Stewart...
Analisem bem todos os candidatos
(à Presidência dos EUA)
e depois votem num dos democratas!
Claro!

Sim, podem dizer que nada daquilo espelha coisa nenhuma.
Um desfile de vaidades.
Até concordo.
Mas isso agora não me interessa mesmo nada.

Sunday, February 24, 2008

Dia -848

Os Óscares

Hoje não posso ver a cerimónia até ao fim.
Da lista de filmes nomeados ainda só vi um.
Nunca deram um óscar ao pato Donald!
Bah!

Saturday, February 23, 2008

Dia -847

Uma Definição para o Amor (I)

fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre

sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.

José Luís Peixoto in A Criança em Ruínas

Friday, February 22, 2008

Dia -846

Parabéns Pai!

E aqui fica um bocadinho do tanto que me deixa ser consigo.

O Pai é a pessoa mais bonita que eu conheço.

E aquela que, de entre as pessoas que gosto,

ocupa o quarto maior

e mais luminoso do meu coração.



Elis Regina - Casa no Campo

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais


Thursday, February 21, 2008

Dia -845

Não posso adiar o coração*

pois não.
Um coração adiado não existe.
Não é.
Está morto.

*sim há um poema com este belo título, do António Ramos Rosa

Wednesday, February 20, 2008

Dia -844

Não sei porquê... a sério, não sei porquê...

mas apeteceu-me ouvir isto outra vez*.


De qualquer maneira, é triste, o abandono de uma espécie de mito.
Mesmo imperfeito, como todos, o homem que hoje renuncia,
é um herói.
E este outro era também um herói muito imperfeito.
E juntos há muitos anos. Sonharam um mundo.
Imperfeito. Como todos.
Hasta Siempre.


*pronto eu gosto desta música, está bem? É por isso que esta é a quarta vez que ela aqui aparece, numa outra versão.

Tuesday, February 19, 2008

Dia -843

A propósito de um abraço e de uma carta

Sabes? É que às vezes só andamos à procura de bocadinhos.
De uma pessoa. Noutra pessoa.
E outras vezes abrimos caixas antigas.
E sabes?
Sabes como é chorar em cima de sorrisos?

Monday, February 18, 2008

Momento de Intervalo...

ou o meu telefone...

é uma merda. Não exactamente o telefone. A operadora. Boh. E ainda lhe chamam optimus??
Ora não consigo mandar mensagens. Ora não as recebo. Ora as recebo em catadupa com 3 dias de atraso.
Ora bolas!

Dia -842

Ele diz que não sabe

porque é que me faz feliz.
Eu também não sei.
Acho que é porque deseja coisas como esta:
espero que fales comigo nos próximos 650 anos.
Ou porque imagina impossibilidades assim:
queria arranjar uma maneira de mergulhar nos teus olhos, nadar na tua cabeça e encontrar um bom lugar para ver o teu sorriso a partir de dentro.
Ele diz que não sabe porque é que me faz feliz.
Eu também não sei. Mas gosto de o imaginar,
com um ar feliz e cansado, a regressar do campo.
A apreciar a tarde de inverno que lentamente se cobre de noite.
A olhar para as coisas que lhe ficam no caminho.
A ter a urgência de me comunicar:
Regresso do campo, depois de um dia inteiro de trabalho. Está uma linda tarde de inverno. Olho para esta igreja medieval. E penso em ti. E tenho saudades tuas.

Sunday, February 17, 2008

Dia -841

Cadeia*

Uma só palavra, dizem, poderá salvar-nos

Pedes-me doze e talvez eu não esteja pronta para tamanha salvação

estrela girassol silêncio
chuva árvore
inverno casa
pedra poema pássaro
noite boca

*também no Bebedeiras de Jazz com música e pintura ao fundo

Passaria esta cadeia ao Luís, à Fátima, à Carla e ao próprio Joaquim que gostam tanto de palavras como eu.
Mas como estes já foram encadeiados, passo ao João , a ver como as endromina. Também passo ao Bagaço Amarelo que compreende as mulheres bastante melhor do que pensa e nunca responde a cadeias. Passo igualmente à Miss Woody ou à Miss Allen, conforme lhes apetecer.

Saturday, February 16, 2008

Dia -840

Há dias em que

a única diferença entre a minha vida
e uma telenovela mexicana
é os protagonistas falarem em português.

Friday, February 15, 2008

Dia -839

Questo è per te


astor piazzolla - jeanne y paul

come se fosse possibile avere un futuro solo per noi.
o un altro mondo.
come se fosse possibile inventare altre parole
per quello che ci sentiamo.
o un altro mondo in cui fosse possibile
essere sempre con te.
ti voglio
(sempre)
tanto bene.
tanti auguri a te.

Thursday, February 14, 2008

Dia -838

Nenhum gesto importante


... pode ser feito amanhã

Wednesday, February 13, 2008

Dia -837

Eu não sabia...

mas a uma certa distância, alguém tem escrito o meu nome.
Como se fosse importante escrevê-lo.
Contra todas as ausências.
Há certamente milhares de coisas mais importantes que esta.
Mas só esta me importa.

Sunday, February 10, 2008

Dia -834

Não chove, mas é um pouco como se chovesse



Mariza - A Chuva

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

Wednesday, February 06, 2008

Dia -830

And then, you see, one thing leads always to another and...


Rufus Wainwright - Cigarettes and Chocolate Milk

Cigarettes and chocolate milk
these are just a couple of my cravings
everything it seems I like's a little bit stronger
a little bit thicker
a little bit harmful for me

If I should buy jellybeans
have to eat them all in just one sitting
everything it seems I like's a little bit sweeter
a little bit fatter
a little bit harmful for me

And then there's those other things
which for several reasons we won't mention
everything about them is a little bit stranger
a little bit harder
a little bit deadly

It isn't very smart
tends to make one part so broken-hearted

Sitting here remembering me
always been a shoe made for the city
go ahead, accuse me of just singing about places
with scrappy boys faces
have general run of the town
playing with prodigal songs
takes a lot of sentimental valiums
can't expect the world to be your raggedy andy
while running on empty
you little old doll with a frown

You got to keep in the game
maintaining mystique while facing forward
I suggest a reading of 'a lesson in tightropes'
or 'surfing your high hopes' or 'adios kansas'

It isn't very smart
tends to make one part so broken-hearted

Still there's not a show on my back
holes or a friendly intervention
I'm just a little bit heiress, a little bit irish
a little bit tower of pisa whenever I see you
so please be kind if I'm a mess

Cigarettes and chocolate milk
Cigarettes and chocolate milk

Tuesday, February 05, 2008

Dia -829

Ma come è bello quest'uomo!




Nanni Moretti é o protagonista do filme Caos Calmo. Também colaborou na adaptação ao cinema do livro, com o mesmo nome, de Sandro Veronesi. O realizador é Antonello Grimaldi (que aparecia em Il Caimano com o director de produção). Vai ao festival de Berlim. A seguir (espero) talvez estreie em Portugal.
Parece que é um filme sobre abraços. E eu sou de abraços.

Acabo de ver um documentário na RAI Uno, por acaso, sobre a rodagem do filme. Coincidências.
Mas como é belo este Nanni Moretti!

Monday, February 04, 2008

Dia -828

Quando eu morrer...

não façam nada de especial, por favor. Mas há só duas coisas. Três na verdade. Que eu gostaria que me fizessem.


Reduzam o meu pobre corpo a cinzas.


Coloquem-nas sob os pés de um castanheiro


(pode ser aquele, aberto ao meio por um raio, mas que permanece vivo).


Digam este poema.


Depois deixem-me correr na seiva da árvore.


É tudo.

Despeço-me da Terra da Alegria

Os pássaros da noite povoavam
as tílias desta minha solidão
O juízo severo dos seus olhos
de olhar onde cabia o pensamento
a luz e a sombra de uma geração
precariamente iluminavam uma alma
que punha a salvação no mais profundo sono
Um castanheiro filho descuidado do meio-dia
de uma ramagem lenta e ondulante
sorria com sorrisos litorais
em um jardim em flor do meu desejo
Homenageio aquela primavera
primeira primavera da amizade
Tudo era pensamento para ele mesmo até
caminhos que não levam a qualquer
parte sabida ou sequer desconhecida
Belo país da arte eu te saúdo
as imagens levantam-se no ar
e um mundo litúrgico somente imaginado repovoa
as sendas dos amantes verdadeiros
onde as palavras só vinham depois
Põe a tua mão perto de mim sob os
lobos de pedra em cada capitel
Oceanos de olvido na memória
esse país longínquo donde venho
nuvem de vida sobre a minha morte
Apaga o tempo de uma má reputação
anos de inquietação de espanto de vergonha
estrela da minha infância ergue-te de novo
tu que eras para mim o sol e a lua
deslumbrante manhã da existência
País onde me leva o meu apelo
sonhos de dua sonhos de mulher
o gosto do açúcar e do sal
uns olhares de sombra e de mistério
o sentido e o símbolo dos sonhos
Os peixes negros e dourados das recordações
olhos brilhantes de animais desconhecidos
pequeníssimas flores da memória
relâmpago dourado do olhar
Os cheiros acres das redondas cavidades
alguma boca de ouro de onde voam as palavras
animadas figuras do meu sonho
abismo de ameaça nalguns olhos
regiões insondáveis e inacessíveis
o espanto provocado pelo crime
libertação total e harmonia
a superfície lúcida dos sonhos
os rostos múltiplos trazidos num momento
palavras luminosas para mim
O que dirá de mim o castanheiro do outono
a estação do que passa e se desfaz
Esqueci a minha infância e não sei nada
Estou à sombra e espero alguém virá
sombria melodia do meio-dia o perfume dos campos cavalgados
na quente luz do dia em que eu vivia
Alguém me chegará desse distante bosque
onde eu errei a minha juventude
nas formas levemente tacteadas pelos dedos
Não me demoro em sítio algum
já nada significam as palavras
neste deserto onde vigilo e estou desperto
terrivelmente só dentro da noite
Ali no silêncio profundo da floresta
ao teu singular odor de singular mulher
crucifiquei a minha juventude
A vida tem aspectos criminosos como
a subida da chama silenciosa
na haste da mulher que se procure
Não há nenhum regresso nos meus passos
a lua era outra lua de hora a hora
a natureza espera-me faz-me sofrer
troncos incendiados no outono
depois adormecidos no inverno
o aspecto humano de uma terra cultivada
Melodia da voz que abre os corações
pássaro disparado pelos ares
a gratidão que segue a solidão
tudo aquilo era belo e era bom
sabia a alimentos e a paz
a homens a calor a infância e lar
Ela trazia amor nas suas mãos
Sorri sofri a noite era já negra
o amor é coisa débil fugitiva
onde não cabem coisas sedentárias
Agora arrebatado e empreendedor
ingénuo como um jovem mas depois iniciado
e requintado e até calculador
olhar sentir cheirar e tactear
diversamente cada uma das mulheres
na sua irredutível singularidade
As noites já começam a ser frescas
será pelos começos do outono
o vento do outono é agora húmido
há um silêncio até ao fim do mundo
às vezes quando falas tudo neva sobre
as folhas longo tempo revestindo
as árvores durante o dilatado outono
somente agora verdadeiramente moribundo
com as primeiras neves do inverno
demónio de demência e desespero
estranha companheira dos meus dias
E a solenidade das noites do inverno
descia no meu corpo solitário e nu quando me
sentia longe das habitações humanas
da casa acolhedora ao cimo do inverno
A fome murmurava no meu corpo
o meu desejo ardente de salvar-me de
cantar os velhos salmos no altar do mundo
ameaçado e mísero e pequeno um
círculo rodeando o coração
desânimo da morte amargurada
debaixo da folhagem já apodrecida
através das diversas estações
de olhos divididos por florestas
de narinas abertas para bâlsamicas violetas
bebendo as montanhas e as nuvens
e a quente intimidade sobre a terra
Acordaram-me os ramos de um salgueiro
os dias das imagens transbordantes
na embriaguez vasta dos espaços
na solidão desértica da alma
o meu amor profundo pela arte
o meu ódio selvagem contra mim
Nós mudamos de heróis e pouco mais
só eu mais maduro e seguro de talento
não tenho paz alguma a teu respeito
ó virgem vagarosa e concentrada
de um rosto calmo belo e impassível
ó vida ó minha primitiva mãe
inacessíveis profundezas da morte
e na sua pureza a sua essência
e simplesmente a minha humana mão
o jogo da ambição um simples jogo
Na refrescante primavera primitiva
ternura maternal e melancólica
e logo após o sentimento frágil
naquele êxtase breve e fugitivo
que é inerente ao acto do amor
a solução em sombra dessa face luminosa
que brilha um breve instante numa vida
a solidão desértica do espírito
o símbolo sagrado do amor
O gozo áspero do vasto perigo
modulação suavíssima das faces
não cessará de abrir a flor das minhas mãos
E depois disso a neve logo cobre
aquela boca de fim do verão
como esses frescos peixes prateados
olhos dourados ansiosos e fixos
que à morte se abandonam resignados
Hei-de saborear o mundo o seu horror
fealdade beleza e harmonia
ver passar o inverno e o verão
e sentir solidão e alegria
Quando por vezes paro de cantar e vejo
uns deslumbrantes ombros femininos de
gigantescas estrelas nos cabelos
quero sentir-me atado ao respirar da casa
Ver-me sensível para com as estações
irmão somente de inocentes animais
ao sol ao nevoeiro à chuva à neve
ser no meu coração uma criança
viver num mundo sempre renascente
ser consciente desta vida instável
saber que em meio dos espaços infinitos
circula em mim uma porção de sangue quente
sentir em mim a marca da puerilidade vagabunda
familiar da morte em cada passo
E a mãe eterna de olhos de medusa
atravessava o país dos mortos
no canto alegre e grave dos seus passos
Olho a marcha da morte no teu rosto
um frémito ligeiro passa em tua pele
Vi sonhar a égua da infância
chegou enfim o tempo do adeus
Oiço a canção éfemera das coisas
despeço-me da terra da alegria
já reconheço a música da morte
Severos surdos saem os meus sons
destino humano instável enfim móvel
o seu pequeno pé o seu pescoço branco
reflexo de ouro tão propício ao sono
a música do outono e de abundância
o seu rosto real era recusa
Pelas alturas coloridas do outono canto
a canção inquieta do amor
cabeleira percursora do amor
amor misterioso e perigoso
nada mais do que triste triste apenas
ó mulher loura sorridentemente dou-te
um beijo alto como um sacramento
A despedida súbita do sol
despedida dos dias e estações
crepúsculo propício do adeus
a esta vida frágil é que aspiro
ave entregada ao decisivo voo
pensamentos de terna nostalgia
jardim de harmoniosos pensamentos
dou-te de toda a alma o nome da ausente
árvore em flor no bosque fonte no deserto.


Ruy Belo - Despeço-me da Terra da Alegria, Editorial Presença, pp. 26-31

Sunday, February 03, 2008

Dia -827

Intimidade

Quantas vezes (quantas?) nos vimos chorar?

Saturday, February 02, 2008

Dia -826

As palavras são importantes

Por exemplo cativar não poderia nunca ter sido traduzido por domesticar.
Mas foi. É continuamente.

Friday, February 01, 2008

Dia -825

Just In Time


Nina Simone or the best singer ever


Just in time you've found me just in time
Before you came my time was running low
I was lost the losing dice were tossed
My bridges all were crossed nowhere to go
Now you hear now I know just where I am going
No more doubt of fear I've found my way
For love came just in time you've found me just in time
And changed my lonely nights that lucky day
Just in time
Before you came my time was running low oh baby
I was lost the losing dice were tossed
My bridges all crossed nowhere to go
Now you hear now I know just where Im going
No more doubt of fear Ive found my way
For love came just in time you've found me just in time
And changed my lonely nights and changed my lonely nights
And changed my lonely nights and changed my lonely nights
And changed my lonely nights that lucky day

Thursday, January 31, 2008

Dia -824

Recados


I.
J. a resposta (à tua pergunta) é sim.
Mas vou continuar a dizer que não.
E entretanto
pode ser que alguém me dê uma paulada na cabeça.


II.

B. Obrigada.
Estava a precisar de conversar com alguém hoje.
Alguém que não me deprimisse, quer dizer.
Afinal, és o mesmo.
Ainda bem que voltaste.
Ou vieste por este bocadinho.
Ou lá o que for.
E fica combinado que se eu morrer primeiro
me enterras as cinzas aos pés daquele castanheiro
e ao mesmo tempo dizes aquele poema do Ruy Belo.

Wednesday, January 30, 2008

Dia -823

Que estranho lugar...

para se estar...
a cabeça de alguém.

Tuesday, January 29, 2008

Dia -822

Arrepio (iv)

Que importa que o coração,
Diga que sim ou que não,
Se continua a viver?


(Primavera,
David Mourão Ferreira)

Monday, January 28, 2008

Dia -821

Lisboa, a ponte, o Tejo e tudo



(fotografia de José Alberto Esteves, o meu primo)

e eu sempre pequena.

Sunday, January 27, 2008

Dia -819

Talvez eu seja, afinal, malgré tout, portuguesa...
(pelo menos de vez em quando)




Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen - Quando
Canta Kátia Guerreiro. Canta tão bem.

Saturday, January 26, 2008

Dia -818

No meu mau italiano, eu podia dizer que...

forse la felicità potrebbe essere soltanto nella sensazione di cose che sentiamo.
Allora, Io sono felice perchè sento un sacco di cose. Di belle cose.
Forse sentire è sufficiente. Forse non si ha bisogno di pensare.
No lo so. E non voglio sapere.
:-)

Thursday, January 24, 2008

Dia -816

Massagem Doce

Ofereceram-me pelo meu aniversário uma massagem com envolvimento de chocolate.
Fui fazê-la hoje e nem sei se vos diga, se vos conte ou se guarde só para mim esta sensação de walking on clouds. Recomendo.
M a r a v i l h o s o.
Eu repito. M a r a v i l h o s o.
Cada vez me convenço mais que eu nasci para ser mimada. E rica. Já agora.

(Sim... há qualquer coisa que não bate certo neste meu fado, mas pronto em havendo amigas maravilhosas que nos oferecem coisas destas, a coisa vai)

Wednesday, January 23, 2008

Dia -815

How to break up with your girlfriend (or boyfriend) in 64 easy steps...



Mais Tales of Mere Existence, no You Tube

Tuesday, January 22, 2008

Dia -814

Arrepio (iii)

(...)
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti

Alexandre O'Neill (extracto do (magnífico) Um Adeus Português)

Sunday, January 20, 2008

Dia -812

Acho que

estou um bocadinho tramada...
pronto.

Friday, January 18, 2008

Dia -810

Não sei se repararam

Eu só reparei depois. Quase todos os tipos do dia -809 têm barba...
ou, pelo menos, a sugestão de...
Pois. Parece que eu tenho uma especial predilecção por tipos com barba.

Thursday, January 17, 2008

Dia -809

Se todos os homens à nossa volta fossem como o...*


Reynaldo Gianecchini

Mark Ruffalo

Ryan Gosling
Richard Gere Johnny Depp
Orlando Bloom
Jude LawPatrick Dempsey John Cusack
Matt Damon Leonardo DiCaprioEdward NortonJonathan Rhys-MeyersDaniel CraigColin FirthBrad Pitt

O mundo podia não ser um lugar melhor, mas seguramente era bastante mais bonito.
Sobretudo se todos os homens se parecessem com o tipo mais interessante do mundo
(em duplicado, por ser para mim)
Hugh Laurie


ou com o tipo (também) mais interessante do mundo
(em duplicado por ser para a minha amiga-irmã-praticamente-gêmea)
George Clooney


*fiz 41 anos, mas não estou morta, ora essa!

Tuesday, January 15, 2008

Dia -808

Pronto...
para os meus queridos (e dedicados) leitores
uma prenda de Ano Novo, em nome da igualdade & etc

Scarlett Johansson... or the sexiest girl in the world.

(are you happy now, Miguel?)

Monday, January 14, 2008

Dia -807

Uma prenda de Ano Novo (um bocadinho atrasada)
para todas as minhas (lindas) leitoras

What Else?

Saturday, January 12, 2008

Dia -805

Neste blog é permitido fumar*

*cigarros, cigarrilhas, charutos, charros, chinesas, barbas de milho, mata-ratos, whatever...

Mais se informa que a autora se recusa a cumprir as normas da ASAE. Nada de ventiladores, portanto.

Friday, January 11, 2008

Dia -804

E por vezes sorrimos ou choramos

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

Encontrei há pouco este poema numa antiga carta que a Teresa me escreveu.
A Teresa escreve-me sempre cartas.
Mesmo sendo sob a forma de email.
São cartas.
Daquelas que guardamos com dedicação.
Daquelas que esperamos com urgência.
E não sei por que razão
(a razão tem pouco a ver com estas coisas)
abri hoje de novo o enorme ficheiro que junta a nossa correspondência
e encontrei este poema.
Pareceu-me adequado ao que hoje sinto.
Pareceu-me que fala de espera.
De adiamentos.
E de urgências.
Mas talvez me tenha parecido tudo mal.
E não seja nada disto.

Thursday, January 10, 2008

Dia -803

A Fátima Mudou-se

Bom, não exactamente a Fátima, mas o seu F-World.
Como é um mundo único, continuem a visitá-lo

Wednesday, January 09, 2008

Dia -802

Confesso...

que gosto de todos os familiares, amigos colegas e alunos
(e até gosto de algumas instituições)
que se lembraram que envelheci um bocadinho mais...
mas de todos os emails, sms, telefonemas e mesmo alguns poemas que recebi,
nada me comoveu tanto como este postal dos meus (ex) alunos Paulo e Sara.
Obrigada. O privilégio foi sempre meu. Obviamente.