Monday, November 26, 2007

Dia -758

Receptáculo anónimo do espanto

(A imagem deste belo castanheiro foi tirada de Montesinho Vivo)


Árvore rumorosa pedestal da sombra

sinal de intimidade decrescente

que a primavera veste pontualmente

e os olhos do poema de repente deslumbra

Receptáculo anónimo do espanto

capaz de encher aquele que direito à morte passa

e no ar da manhã inconsequente traça

e rasto desprendido do seu canto

Não há inverno rigoroso que te impeça

de rematar esse trabalho que começa

na primeira folha que nos braços te desponta

Explodiste de vida e és serenidade

e imprimes no coração mais fundo da cidade

a marca do princípio a que tudo remonta

Ruy Belo - Àrvore Rumorosa

6 comments:

Lou Salomé said...

tão lindo! o teu castanheiro. é este o TEU? o TAL? não importa nada. voltei a maravilhar-me com as cores das folhas. tal como os embomdeiros, também tem espaço para acolher alguém. deveríamos aprender mais esta lição: a hospitalidade. não a social. falo de deixar que as pessoas morem em nós. mas para isso é preciso estarmos disponíveis para 'criar laços', não é?

[tu já viste como este assunto das árvores nos tem permitido contar as nossas estórias, partilhar gostos literários, tirar lições de vida, descobrir semelhanças e diferenças, ... ? falta-me só deixar-te aqui mais uma achega sobre os embondeiros / imbondeiros: o seu fruto, que é a múcua ou múkua. se algum dia quiseres provar um sumo diz. eu faço para ti. de verdade. :-)]

http://amador.blogs.sapo.pt/3698.html

beijo de castanha e múcua

Rita Lemos said...

Que saudades tinha de ver uma árvore assim
e ainda por cima tão bem acompanhada na paisagem e nas palavras

Elisa said...

As árvores dão folhas para conversas intermináveis, Lou. Não sei se é este o castanheiro... o tal, mas podia ser. É lindo.
Nunca tinha ouvido falar do sumo do fruto do embondeiro. Fica combinado que um dia me farás o sumo do múcua :).

Elisa said...

:-) Rita. Esta árvore nem precisava de companhia. Ela mesma é um poema.

Rita Lemos said...

É verdade,

tomei a liberdade de a linkar contigo lá nos livros, e nem pedi licença.
Coisas assim são para partilhar.
A fotografia lá é pequenina para manter o impacto que se tem quando aqui se chega.

Elisa said...

Obrigada Rita.