Sunday, December 30, 2007

Dia -792

Anti-Balanço

Sinceramente. Acho disparatado. Fazer balanços.
Quer dizer... para que serve exactamente um balanço?
Aconteceram imensas coisas em 2007.
A mim. Na minha rua. No meu país e no mundo.
Pronto.
Não acontecem sempre imensas coisas em 365 dias?
Dos últimos 364 dias houve dois especialmente bonitos.
Os dias em que duas pessoas entraram na minha vida.
Ambas com a mesma força, deslumbramento e entusiasmo com que,
em crianças, fazemos amigos.
Bom Ano!

Friday, December 28, 2007

Dia -790

Ora aqui está!

"Não tenho culpa de ter nascido em Portugal, e exijo uma pátria que me mereça"

Almada Negreiros (citação do poeta/escritor/pintor e tudo... do Público de ontem... uma citação que eu lamentavelmente desconhecia)

Sunday, December 23, 2007

Dia -785

La La La La
La La La
La La La La
La La
La La La La


Ella Fitzgerald - Jingle Bells

Saturday, December 22, 2007

Dia -784

All I Want For Christmas...

Brook Benton - All I Want For Christmas

Thursday, December 20, 2007

Dia -782

Boas Festas

Bom Natal

E que 2008 seja um ano cheio.

De sucessos pessoais e profissionais.

De paz.

De alegria.

De bom humor.

E da beleza que ainda anda pelo mundo.


Joan Miró - Estrella Azul

Wednesday, December 19, 2007

Wednesday, December 12, 2007

Dia -774

Terceira

Fotografia roubada aqui

Desta vez não vou sair de Angra do Heroísmo.

O tempo vai estar chuvoso.

Mas isso também não é exactamente uma novidade.

O Angra Jazz já foi há uns meses.

O que é pena.

Mas dar umas aulas num sítio chamado Pico da Urze é poético.

E assenta-me bem.

Tuesday, December 11, 2007

Dia -773

É Natal, É Natal,
la la la la

Agora que já comprei as minhas prendas quase (quase) todas,
que já escrevi os meus cartões de natal quase (quase) todos...
já posso respirar de alívio e trautear um standard como o que aqui interpreta Diana Krall
- Have Yourself a Merry Little Christmas.

Monday, December 10, 2007

Dia -772

Eu nunca me calo

ou seja, raramente
( a não ser quando estou sozinha o que até acontece muitas vezes)
estamos em silêncio.
Que pensarás tu de mim?

Friday, December 07, 2007

Dia -769

Sim, é este mesmo o Fado mais bonito de sempre*



*Obrigada sem.se.ver pelo link. Canta 'a capela' Ana Laíns

Wednesday, December 05, 2007

Dia -767

Este é o Fado mais bonito de sempre




(Kátia Guerreiro - numa versão incompleta e roufenha. Muito roufenha.
Apesar de ter sido mandatária do nosso PR a moça tem uma belíssima voz)


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

(Alexandre O'Neill)



Tuesday, December 04, 2007

Dia -766

O Roberto Begnini canta muito mal*...


mas a letra desta música é tão bonita... não é?

<

Se tu mi avessi chiesto: "Come stai

se tu mi avessi chiesto dove andiamo

t'avrei risposto "bene, certo sai"

ti parlo però senza fiato

mi perdo nel tuo sguardo colossale,

la stella polare sei tu mi sfiori e ridi no, cosi non vale

non parlo e se non parlo poi sto male

Quanto t'ho amato e quanto t'amo non lo sai

e non lo sai perchè non te l'ho detto mai

anche se resto in silenzio, tu lo capisci da te

Quanto t'ho amato e quanto t'amo non lo sai

non l'ho mai detto e non te lo dirò mai

nell'amor le parole non contano conta la musica.

Se tu mi avessi chiesto: "Che si fa?"

se tu mi avessi chiesto dove andiamo

t'avrei risposto dove il vento va

le nuvole fanno un ricamo

mi piove sulla testa un temporale

il cielo nascosto sei tu ma poi svanisce in mezzo alle parole

per questo io non parlo e poi sto male

Quanto t'ho amato e quanto t'amo non lo sai

e non lo sai perchè non te l'ho detto mai

anche se resto in silenzio, tu lo capisci da te

Quanto t'ho amato e quanto t'amo non lo sai

non l'ho mai detto e non te lo dirò mai

nell'amor le parole non contano conta la musica.

Quanto t'ho amato e quanto t'amo non lo sai

non l'ho mai detto ma un giorno capirai

nell'amor le parole non contano conta la musica

(Roberto Benigni )

* A Amalia Grè canta isto bastante melhor...

Monday, December 03, 2007

Dia -765

Digestão Difícil

Ainda me encontro a digerir o indescritível concerto de Vinicio Capossela.
Aquilo deve ser uma cena alternativa qualquer que me escapa completamente.
Mas foi penoso.
Hesitei o concerto todo entre o riso nervoso escondido pelo cachecol e o queixo caído de espanto.
Confesso que ainda estou hesitante.
Mas devo ser eu que não tenho capacidade para entender estas cenas alternativas.
De certeza.

Friday, November 30, 2007

Dia -762

O que eu gosto deste homem...



há tantos anos.
Que quando o revejo, como hoje,
a cantar tão bem as letras que conheço de cor...
lembro-me de mim há tantos anos.
E do tanto que gostei e gosto dele.

Thursday, November 29, 2007

Momento de Intervalo...

para partilhar uma frase bonita*


Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (...) Felicito a vossa nação.
Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória.
A Europa imitará Portugal.
Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio.

A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos!


Victor Hugo, 1876, a propósito da abolição da pena de morte em Portugal (o primeiro país europeu a fazê-lo)

* bom e um certo orgulho de ser, afinal, portuguesa. Nisto. Só nisto. Ou quase só nisto.

Isto tudo vem a propósito de uma carta do Antonio, sobre amanhã se celebrar a Festa Regionale della Toscana.
A 30 de Novembro de 1786 aboliu-se nesta região de Itália a pena de morte.
Uma excelente razão para fazer uma festa e celebrar.
Também vem isto a propósito de no passado 15 de Novembro a Assembleia Geral das Nações Unidas ter aprovad uma moratória que decreta a suspensão das execuções por pena de morte em todo o mundo.
Mas... ainda são 74 os países do mundo em que esta lei existe.
Países entre os quais se encontram os EUA, o paradigma do desenvolvimento, da modernidade
e da civilização ocidental.
Neste país, em 38 dos 50 estados a pena de morte é legalmente permitida.
Também o governo federal tem o direito de utilizar estes instrumento legal.
A liberdade é uma cidade imensa. Mas nem todos são concidadãos dessa cidade.

Dia -761




Piet Mondrian - The Red Tree

A árvore é uma habitação perdida. E encontrada**. As árvores lembram-nos o que seríamos se pudessemos ser durante séculos. As árvores exigem a nossa lenta reverência**. Com vagar, diante do tronco rugoso, das folhas que rebentam novamente a cada primavera, dos ramos que se tingem de vermelho para depois se despirem, no outono... reconhecemos o quão pequenos somos. E fugazes. As árvores não. As árvores permanecem majestosas mesmo quando deixarmos de poder reconhecê-las.

* Ahmad Jamal (8:06) in 'The Legendary Ahmad Jamal Trio Live'
** frases de António Ramos Rosa, no poema cada árvore é um ser para ser em nós

Poinciana é uma árvore tropical de folhagem abundante e escarlate ou, outras vezes, laranja. Também pode ser chamada a árvore vermelha.

Wednesday, November 28, 2007

Dia -760

Chega de árvores por agora

Contemplemos antes este cavalheiro. Aqui na pele de Sir Walter Raleigh em Elizabeth - The Golden Age*. O filme hum... nothing special. O bem contra o mal e assim. O costume, portanto, neste género de filmes. Mas o moço... Oh atentem bem neste moço! Até pode ser um bocadinho canastrão**, mas ao olhar para ele... quer dizer... ehr... que interessa isso?


*É um filme de Shekhar Kapur, também com Cate Blanchett e Geoffrey Rush. O filme é a sequela de Elizabeth, do mesmo realizador e igualmente com Cate Blanchett e Geoffrey Rush nos mesmos papeis.

** Em Closer, de Mike Nichols, não esteve nada canastrão. Esteve almost perfect. Nos restantes, bom... enfim... Mas suponho que lhe podemos perdoar, não?

Tuesday, November 27, 2007

Dia -759

Ainda as árvores, ou os poemas com árvores

Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-a
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses.

António Ramos Rosa -
Cada árvore é um ser para ser em nós

Monday, November 26, 2007

Dia -758

Receptáculo anónimo do espanto

(A imagem deste belo castanheiro foi tirada de Montesinho Vivo)


Árvore rumorosa pedestal da sombra

sinal de intimidade decrescente

que a primavera veste pontualmente

e os olhos do poema de repente deslumbra

Receptáculo anónimo do espanto

capaz de encher aquele que direito à morte passa

e no ar da manhã inconsequente traça

e rasto desprendido do seu canto

Não há inverno rigoroso que te impeça

de rematar esse trabalho que começa

na primeira folha que nos braços te desponta

Explodiste de vida e és serenidade

e imprimes no coração mais fundo da cidade

a marca do princípio a que tudo remonta

Ruy Belo - Àrvore Rumorosa

Sunday, November 25, 2007

Dia -757

Le Fabuleux Destin d'Odette Toulemonde*


Oui, il y a quelque chose de pareil entre Odette Toulemonde
(mais quel beau nom!)
et Amélie Poulain.
Je sais pas quoi.
Mais il y a.
Peut-être le bonheur. L'optimisme.
Apprendre et enseigner le bonheur.
Les deux le rende aussi simple!
Et ce genre de choses lá... ça peut arriver a tout le monde ;-))

* Odette Toulemonde c'est un film de Eric-Emmanuel Schmitt, avec la magnifique Catherine Frot dans le rôle d'Odette.

Friday, November 23, 2007

Dia -756

Les Baobabs, selon le Petit Prince

(para a Lou)







«(...) Chaque jour j'apprennais quelque chose sur la planète, sur le départ, sur le voyage. Ca venait tout doucement, au hasard des réflexions. C'est ainsi que, le troisième jour, je connus le drame des baobabs. Cette fois-ci encore fut grâce au mouton, car brusquement le petit prince m'interrogea, comme pris d'un doute grave:

-C'est bien vrai, n'est-ce pas, que les moutons mangent les arbustes? -Oui. C'est vrai. -Ah! Je suis content.

Je ne compris pas pourquoi il était si important que les moutons mangeassent les arbustes. Mais le petit prince ajouta:

-Par conséquent ils mangent aussi les baobabs?

Je fis remarquer au petit prince que les baobabs ne sont pas des arbustes, mais des arbres grands comme des églises et que, si même il emportait avec lui tout un troupeau d'éléphants, ce troupeau ne viendrait pas à bout d'un seul baobab. L'idée du troupeau d'éléphants fit rire le petit prince:

-Il faudrait les mettre les uns sur les autres...

Mais il remarqua avec sagesse:

-Les baobabs, avant de grandir, ça commence par être petit.

-C'est exact! Mais pourquoi veux-tu que tes moutons mangent les petits baobabs?

Il me répondit:

- "Bien! Voyons!"

comme il s'agissait là d'une évidence. Et il me fallut un grand effort d'intelligence pour comprendre à moi seul ce problème. Et en effet, sur la planète du petit prince, il y avait comme sur toutes les planètes, de bonnes herbes et de mauvaises herbes. Par conséquent de bonnes graines de bonnes herbes et de mauvaises graines de mauvaises herbes. Mais les graines sont invisibles. Elles dorment dans le secrèt de la terre jusqu'à ce qu'il prenne fantaisie à l'une d'elles de se réveiller. Alors elle s'étire, et pousse d'abord timidement vers le soleil une ravissante petite brindille de radis ou de rosier, on peut la laisser pousser comme elle veut. Mais s'il s'agit d'une mauvaise plante, il faut arracher la plante aussitôt, dès qu'on a su la reconnaître. Or il y avait des graines terribles sur la planète du petit prince... c'étaient les graines de baobabs. le sol de la planète en était infesté. Or un baobab, si l'on si prend trop tard, on ne peut jamais plus s'en débarasser. Il encombre toute la planète. Il la perfore de ses racines. Et si la planète est trop petite, et si les baobabs sont trop nombreux, ils la font éclater.

- C'est une question de discipline,

me disait plus tard le petit prince.

- Quand on a terminé sa toilette du matin, il faut faire soigneusement la toilette de la planète. Il faut s'astreindre réguliérement à arracher les baobabs dès qu'on les distingue d'avec les rosiers auxquels ils se rassemblent beaucoup quand ils sont très jeunes. C'est un travail très ennuyeux, mais très facile.

Et un jour il me conseilla de m'appliquer à réussir un beau dessin, pour bien faire entrer ça dans la tête des enfants de chez moi.

- S'ils voyagent un jour, me disait-il, ça pourra leur servir. Il est quelquefois sans inconvénient de remettre à plus tard son travail. Mais, s'il s'agit des baobabs, c'est toujours une catastrophe. J'ai connu une planète, habitée par un paresseux. Il avait négligé trois arbustes...

Et, sur les indications du petit prince, j'ai dessiné cette planète-là. Je n'aime guère prendre le ton d'un moraliste. Mais le danger des baobabs est si peu connu, et les risques courus par celui qui s'égarerait dans un astéroïde sont si considérables, que, pour une fois, je fais exception à ma réserve. Je dis:

- Enfants! Faites attention aux baobabs!

C'est pour avertir mes amis du danger qu'ils frôlaient depuis longtemps, comme moi-même, sans le connaître, que j'ai tant travaillé ce dessin-là. la leçon que je donnais en valait la peine. Vous vous demanderez peut-être: Pourquoi n'y a-t-il pas dans ce livre, d'autres dessins aussi grandioses que le dessin des baobabs? La réponse est bien simple: J'ai essayé mais je n'ai pas pu réussir. Quand j'ai dessiné les baobabs j'ai été animé par le sentiment de l'urgence.»

(Antoine de Saint-Éxupery)


Thursday, November 22, 2007

Dia -755

A Árvore

Estava a dar a aula.
Uma aula bastante expositiva.
a exlusão social isto e aquilo. e a exclusão territorial assim. e a segregação espacial assado.
e os territórios rurais assim. e os territórios urbanos assado. e a diversidade. e isto. e aquilo.
E de repente calei-me.
Parei completamente.
Quando ouvi o silêncio.
O silêncio espantado dos alunos.
É que percebi que me tinha calado.
Que me tinha distraído sem me aperceber.
A olhar para a árvore ao fundo, além da janela.
Uma magnífica árvore.
Com as folhas carregadas de todos os tons do outono.
Quando expliquei isto aos alunos.
Olharam para mim como se não me conhecessem.
Apenas um, mais afoito, perguntou:
temos de saber isso para o teste, professora?

Wednesday, November 21, 2007

Dia -754

Downloads (ou isso)

A maior parte das pessoas faz downloads de música.
Já eu nunca os faço.
Em vez disso fico toda contente quando descubro que a Sage
tem todos (repito: todos) os artigos de todas (repito: todas)
as revistas que publica, em acesso completamente livre.
É até 30 de Novembro.

Sunday, November 18, 2007

Dia -752

Juro que não é verdade... *


Para si, os homens estão entre o desporto e a colecção de cromos.
Hedonista, gosta essencialmente de se divertir.
Não perde tempo a planear o futuro e só acredita em relações intensas mas fugazes.

* Se bem que a maioria dos homens seja de facto uma colecção de cromos... não é verdade esta primeira frase, aplicada ao meu caso. O resto sim. Se querem saber que personagem do Sexo e a Cidade seriam, cliquem na imagem.

Saturday, November 17, 2007

Dia -751

Great Concert*






* Não foi este. Foi no CC Vila Flor, no Guimarães Jazz 2007, em quarteto.
Mas também se ouviu a música que aqui toca o Ahmad Jamal Trio -
Poinciana.

Friday, November 16, 2007

Dia -750

A Solidão

*

é saber que nunca mais


n
u
n
c
a

m
a
i
s

te vejo.

*Amalia Gre. Uma jovem (e belíssima) cantora de jazz italiana em Io Cammino di notte da sola


Io cammino
di notte da sola
poi piango poi rido
e aspetto l’aurora
Ed è una realtà
tutta mia
e una strana atmosfera
pervade la mente
di sera
Io vivo
a volte infelice
a volte gaudente
talvolta vincente
o perdente
Ed è una vita d’artista
così altalenante
ma quello che creo
è importante per me
Io cammino
di notte da sola
poi piango, poi rido
poi parlo, poi rido
poi grido

Thursday, November 15, 2007

Dia -749

La veille d'un jour important, il y a 16 ans


La solitude ne se partage pas.

Wednesday, November 14, 2007

Dia -748

O Paulo*

não é bem uma daquelas pessoas malucas a que me referi no post anterior.
Mas se calhar até é.
Dá-me os parabéns, ali uns posts mais abaixo,
por tudo (?).
Tudo é o quê?
É praticamente o mesmo que nada.

*Miúdo: olha que talvez estejas a ficar maluco.
Dares os parabéns às pessoas, assim, por tudo e por nada,
bem pode ser o início de um processo de loucura, não?
Mas eu gosto de ti à mesma.

Tuesday, November 13, 2007

Dia -747

Eu acho

que as pessoas andam todas malucas. Acho mesmo.
Isso não seria um problema se
eu não estivesse destinada a cruzar-me com mais de metade delas.

Monday, November 12, 2007

Dia -746



Eu não devia viver dentro de uma canção de amor.
Dessas de onde apetece fugir.
Onde as notas são como facas.
Dessas canções.
De amor.
Onde as notas são lágrimas afiadas.
A vazar-nos os olhos.
A rasgar-nos a carne.
A queimar-nos a pele.
Eu devia viver dentro de uma canção de amor.
Onde o teu sorriso não estivesse.
A lembrar-me para sempre.
Onde era o amor.
Onde eram as notas.
Mansas.
Como as árvores centenárias.
Eu não devia viver dentro de uma canção de amor.
Dessas onde todas as árvores estão mortas.
Ou a arder.
E de qualquer maneira me empurram.
Ao morrer.
Para fora da floresta.

* Brad Mehldau Trio (4:23) in ‘The Art of the Trio, Volume 3: Songs’

Sunday, November 11, 2007

Dia -745

Arrumações

Não sei porque é que abri a primeira caixa.
Depois vi-te.
O resto é o teu sorriso imenso.
Nunca te conseguirei arrumar.
Em lado nenhum
O teu sorriso não cabe em lado nenhum.

Saturday, November 10, 2007

Dia -744

O Primeiro Dia





Gosto tanto do Sérgio Godinho.
E num dia em que sinto que as coisas
começam finalmente a mexer-se
que começamos a não ter receio de pensar
e debater...
num dia assim só me lembro desta música.
Adelante!

Friday, November 09, 2007

Dia -743

Ainda a Felicidade (algumas diferenças de género)



Cartoon de Maitena, da série Superadas

Thursday, November 08, 2007

Tuesday, November 06, 2007

Dia -741

I miei amici sono meglio di me
(particolarmente per Antonio)*


Io non meritano i miei amici.
Sono troppo buoni per me.
Oggi ho davvero bisogno di un abbraccio.
Un grande abbracio.
Mi sono recato all'ufficio postale per raccogliere una lettera raccomandata ...
Non era una lettera.
Ma una scatola (una grande) piena di cioccolatini.
Cioccolatini belgi.
Da la migliore casa di cioccolatini in tutto il mondo - Neu Haus.
Grazie mille Antonio.
Per la sorpresa.
Per il cioccolato
e per l'abbraccio che mi avete dato,
senza sapere che avevo bisogno.

* Scusa Antonio, ma mio italiano non è molto buono

Sunday, November 04, 2007

Dia -739

Sicko


Mais um tiro certeiro de Michael Moore.

Thursday, November 01, 2007

Dia -736

Conheço outros retratos teus onde também estás viva*

Vou ali.
É quase certo que volto.

Entretanto deixo-vos isto:



* Ruy Belo, Elogio de Maria Teresa.
Aqui dito, tão bonito, por Luís Miguel Cintra)

Wednesday, October 31, 2007

Dia -735

À Espera de um Milagre ou...



... porque raio acham que vamos ao cabeleireiro hein?


cartoon da incomparável Maitena, da série Superadas

Tuesday, October 30, 2007

Dia -734

Outono

Uma lâmina de ar
atravessando as portas. Um arco,
uma flecha cravada no Outono. E a canção
que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.
E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como
uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.
É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza
quando saio para a rua, molhado como um pássaro.
Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se
da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.
Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede
cumprimenta o sol. Procura-se viver.
Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.
Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se
como se, de repente, não houvesse mais nada senão
a imperiosa ordem de (se) amarem.
Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.
Não há um nome para a tua ausência. Há um muro
que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho
que a minha boca recusa. É outono.
A pouco e pouco despem-se as palavras.

(Joaquim Pessoa)

Sempre gostei deste poema e quando chega o Outono lembro-me sempre de como gosto dele.
Das palavras que se despem, como as árvores.
Das mulheres de botas que nos atravessam a tristeza.
Da ordem imperiosa para o amor.
Da desmedida ternura pelas palavras.
Dos nomes que não há para certas ausências.

Monday, October 29, 2007

Dia -733

Imagens

No espaço de uma semana, duas pessoas completamente diferentes, por razões radicalmente diversas disseram-me
"nunca me esqueci daquilo que disseste há 3 ou 4 anos atrás".
Num dos casos, o assunto era pessoal. No outro era profissional.
Mas estou um bocadinho preocupada.
Tanto mais que uma terceira pessoa teve a delicadeza de me escrever hoje a dizer
"tu pareces capaz de fazer sobressair o melhor que há nas pessoas".
Estou mesmo um bocadinho preocupada.
Nenhuma destas imagens que de mim têm estas
(e eventualmente outras) pessoas,
apesar de simpáticas e delicadas,
corresponde àquilo que sou.
Não sou sábia.
Não digo coisas de que as pessoas se recordem durante tanto tempo.
Coisas que sejam úteis e importantes.
Não sei fazer sobressair as qualidades dos outros.
E, confesso, disto tenho pena.
Assim como lamento que estas imagens que me favorecem tanto, não sejam verdade.

Sunday, October 28, 2007

Dia -732

Uma hora a mais

Gosto desta mudança da hora.
Gosto mesmo.
E às seis da tarde já estava tão escuro...
está a chegar o Inverno.
Yuuuupiiii!

Saturday, October 27, 2007

Dia -731

Estes miúdos tão simpáticos

foram os meus alunos todos os dias desta semana.
Na I Parte da disciplina de Research Methods II.
Gostei muito de conhecer todos eles.
Além de simpáticos, foram atentos, tolerantes, interessados e divertidos.

Thursday, October 25, 2007

Dia -729

Volver*



Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida...
Tengo miedo de la noche
que poblada de recuerdos
encadena mi soñar...

Hay cosas que sólo suenan bien en castellano.
Hoy este blog celebra dos años.
Aquí me encuentro con todos mis días pasados.
Quizás el pasado no sea importante.
Pero... mirar a esos días es como volver.
Volver al pueblo.
A los pequeños lugares donde hemos nacido.
Nacemos casi todos los días
(nos quedamos muertos, en todos los otros)
aunque no nos demos cuenta.
Pero a veces tenemos que volver.
A los días pasados.
A esos días mismos
en que hemos nacido.
Una y otra vez.

*A música original é de Carlos Gardel. A letra de Alfredo le Pera. Quem aqui canta é Estrella Morente. Pedro Almodovar usou esta música no filme exactamente chamado Volver. Fica aqui também uma versão de Astor Piazzola.


Tudo isto vem a propósito do facto de o blog que conta os dias a menos fazer hoje dois anos.

Wednesday, October 24, 2007

Dia -728

Mais Tales of Mere Existence






Tuesday, October 23, 2007

Dia -727

Ficções

Às vezes não sabemos se as pessoas
que conhecemos e de quem gostamos
são ainda as mesmas.
Mas
às vezes, aquilo que sabemos sobre alguém
é o bastante,
mesmo que seja já pouco
ou mesmo que seja já diferente.

Monday, October 22, 2007

Dia -726

As Mãos, os Dedos

Há gestos
como passares muito devagar
a ponta dos teus dedos
na minha cara demasiado branca
que me fazem querer ficar
para sempre
com as tuas mãos
marcadas
Gestos como o abraço
à porta da casa
que me fazem querer
para sempre
os teus dedos
como gritos de silêncio
apertados contra
as minhas costas cansadas
do peso das coisas
que nunca foram feitas
Há gestos
que se fazem
com as mãos abertas
ou só com ponta dos dedos
exaustos
os teus dedos
exaustos
onde se concentra toda a gravidade
das coisas belas
que me impedem de morrer
Gestos
como acordar de repente
no meio de uma áspera madrugada
tacteando
com os dedos sonolentos
a mesa de cabeceira
para encontrar
uma palavra cheia
cheia
como as tuas mãos
no meu rosto
lentamente

Sunday, October 21, 2007

Dia -725

Arrepio (ii)

Dizemos pouco, muito pouco, uns aos outros, gosto de ti.

Saturday, October 20, 2007

Momento de Intervalo...

... para responder

a esta corrente que a Rosário do Divas&Contrabaixos me lançou:
1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.

Ora então, eu tenho uns 10 ou 12 livros em cima da mesa de cabeceira. No trabalho tenho mais uns 10 ou 12 livros em cima da secretária. Mas pego num dos da mesa de cabeceira e aqui vai:
1. Bill Bryson - Na Terra dos Cangurus, Lisboa: Quetzal Editores (edição portuguesa de 2003)
2. Ok
3. Ok
4.O problema de Adelaide, ao que parece, é geográfico. A cidade situa-se na orla errada da Austrália civilizada, longe dos vitais mercados asiáticos e sem nada adjacente a não ser uma grande quantidade de nada. Para norte e para oeste ficam uns milhões de quilómetros quadrados de deserto queimado; para sul, nada a não ser o mar aberto até à Antárctida. Só para leste existem algumas cidades, mas até mesmo Melbourne fica a 720 quilómetros de distância e Sydney quase a 1600.
5. De facto, creio que não escolhi. A melhor frase. Ou sequer o melhor livro do Bill Bryson. Que isso do melhor livro entre todos os livros que já li e hei-de ler, seria uma tarefa difícil, para não dizer impossível. Gostava de conhecer a Austrália. A seu tempo lá irei, suponho.
6. Esta parte é a mais difícil. As pessoas cujos blogs gosto de ler não gostam muito de correntes (destas, pelo menos). Ainda assim passo esta corrente à Fátima, porque tem bom gosto e não lê os dicionários de Desordens Mentais; ao Luís (que vai protestar imenso e, provavelmente, não responderá); ao Bagaço Amarelo (que não vai compreender possivelmente, dado que a corrente lhe é lançada por uma mulher); ao Joaquim (porque poderíamos ter uma conversa como esta na esplanada mais bonita de Lisboa) e ao Bruno (porque provavelmente me responderá com uma frase do Murakami. Ou do Beck, noutro registo).
E lamento estar a ler uma coisa tão pouco poética, pour l'instant.

Dia -724

Tantas, muitas, demasiadas vezes

as palavras que espero
são ditas.
Os gestos que inventei
são feitos.
Os olhares que procurei
existem.
Mas a boca, os dedos, os olhos
não são os certos.
Ou talvez seja só o tempo.
Tenho pensado,
quando ainda me ocupo de pensar,
que sou eu
a desarrumada.
Que tudo o resto está certo.
Quando acontece.
Está tudo certo.
É tudo verdade.
Menos eu.

Friday, October 19, 2007

Dia -723

A Minha Esquizofrenia Explicada pela Fátima*

Os blogs de Elisa são muitos para uma pessoa só, estou a falar de mim.
Num deles faz uma contagem decrescente ou crescente,
nem vou verificar porque me pareceu inquietante.

*
Ela, por ser delicada, não lhe chama assim.
E sim, é melhor não verificar se a contagem é crescente ou decrescente porque até a mim me inquieta.

Thursday, October 18, 2007

Wednesday, October 17, 2007

Dia -721

How to Cope With Depression*


*Da série disponível no You Tube: Tales of Mere Existence (thanks Kika)

Tuesday, October 16, 2007

Dia -720

Biografia*

procurei-te na luz, no mar, no vento.

*extracto do pequenino poema Biografia de
Sophia de Mello Breyner Andresen

Monday, October 15, 2007

Dia -719

Arrepio

Tomamos tão pouco conta uns dos outros.

Sunday, October 14, 2007

Dia -718

Dizes-me que me deite, que adormeça com um poema

Os anjos que conheço são de erva e de silêncio.

António Ramos Rosa

Saturday, October 13, 2007

Dia -717

Tenho tantas saudades tuas, tantas saudades tuas, tantas saudades tuas... *

Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um

- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum

Eugénio de Andrade

*tenho. este não é o nome do poema. são mesmo só saudades tuas.
da terra limpa do teu rosto.

Friday, October 12, 2007

Dia -716

Sexta-feira à noite

"Sexta-feira à noite
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite

Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pénis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.

Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.”

Marina Colasanti

Obrigada, João.

Thursday, October 11, 2007

Dia -715

Coisas de Nada (III)

Comprei este livro, com fotografias e textos tão bonitos sobre um dos meus heróis (imperfeito, como todos) de uma editora magnífica (a tinta-da-china). Sim. Além do conteúdo eu gosto que os livros sejam bonitos. A Quetzal tinha umas edições tão bonitas há uns anos. Agora nem por isso. Por exemplo.


Estreou hoje The Inner Life of Martin Frost, de Paul Auster. E folgo em anunciar que a Norte do país o filme está no Medeia-Cidade do Porto e (pasme-se) no Fórum Aveiro. Viva!

Gosto muito do Paul Auster, o escritor que de vez em quando faz filmes*. Amanhã vou ver. Deviam fazer o mesmo, num cinema perto de vós.


*Realizou Lulu on The Bridge, Blue in the Face e Smoke (todos altamente recomendáveis). Escreveu muitos livros. Os meus preferidos são A Música do Acaso, A Solidão Reinventada e A Trilogia de Nova Iorque.

Tuesday, October 09, 2007

Dia -713

Silenzio

alguém que começo a conhecer
(de certeza: não existe)
alguém a quem me liga mais do que supus
(eu digo: não suponho)
por exemplo
a dor
a morte
o riso
(um dia: o esquecimento)
fala
(me)
assim
do silêncio

Eppure io credo se chi fosse un po' più di silenzio,
se tutti facessimo un po' di silenzio, forse qualcosa potremmo capire *

sim
se
(ao menos)
pudéssemos fazer um pouco mais de silêncio
(todos nós)
compreenderíamos
(certamente)
qualquer coisa nova
ou diferente
mas não
fizemos deste ruído
(dentro)
o nosso hábito
e não compreendemos
(quase)
nunca
nada

*fala de La vocce della luna, o último filme de Frederico Fellini.

E, no entanto, eu acredito que se houvesse um pouco mais de silêncio, se todos fizéssemos um pouco de silêncio, talvez pudéssemos compreender alguma coisa


Monday, October 08, 2007

Dia -712

Eu penso que já tinha dito,

mas, pelo sim pelo não, digo outra vez:

odeio comédias românticas*!


*bolas, que xaropada. E nada daquilo acontece na vida das pessoas mais ou menos normais... isto vem a propósito de ter ido ver uma comédia romântica: No Reservation (de Scott Hicks). Claro que saí de lá a lamentar que na minha vida não apareça um cozinheiro tão simpático e amoroso e romântico como o Aaron Eckhart. Bom, sim, claro... têm razão... eu também não sou a Catherine Zeta-Jones.
Pois. Deve ser isso. Bah.

Sunday, October 07, 2007

Dia -711

Género Hilariante-Repugnante



O lado mais sangrento de Grindhouse*. Delirante.
Os diálogos são ainda mais geniais que em Death Proof.
A banda sonora é que nem por isso...

* Grindhouse é o projecto duplo de Quentin Tarantino (Death Proof) e Robert Rodriguez (Planet Terror). Grind-House Theaters eram (são?) salas de cinema típicas das cidades do interior dos EUA (entre os anos 50 a 80) com sessões contínuas de filmes, geralmente de baixo orçamento, extremamente violentos ou de natureza marcadamente sexual (ou, ainda melhor, uma mistura de ambos).

Saturday, October 06, 2007

Dia -710

Gosto Disto


Se um dia me aproximar de ti
Não penses que é só um flirt
Não julgues que é um filme
Que já viste em qualquer parte
Pensa bem antes de agires
Evita ser imprudente
Faz a carta do meu signo
E vê à lupa o ascendente

Tem cuidado e tira a teima

Vê aquilo que sou

Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou

Tu não sonhas ao que venho

Não sabes do que sou capaz
Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás
Vem sentar-te à minha frente
E diz-me o que vês em mim
Não respondas já a quente
Pondera antes de dizer sim

Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima
Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima
Diz-me diz-me se vês o granito
Onde a cidade, os grandes temas
Diz-me se vês o amor infinito
Ou somente um par de algemas

Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou
Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou

Clã - Tira a teima

Friday, October 05, 2007

Dia -709

A República

está velha, coitadinha.
Faz 97 anos.
Felicitaciones!
Antes uma República velha
que uma nova monarquia!

Thursday, October 04, 2007

Dia -708

Meditativos Comboios

O Antonio escreveu-me a contar que atravessou a Hungria, passou pela Croácia, pela Eslovénia até que finalmente chegou a Itália, num comboio de meditação. Ou num meditativo comboio.
Eu, que também gosto de comboios, fiquei absolutamente rendida a esta imagem.
Já tinha os pensativos cigarros. Faltavam-me os meditativos comboios.

Tuesday, October 02, 2007

Dia -706

Coisas de Nada (II)

Ao almoço, pergunta-me:
- may I seat here?
- of course not!
- In that case... diz, afastando-se com o prato
- ehi! I was joking... sorry... you don't know me very well... sorry...
- I know you enough to want to keep in touch with you.
- :-)

Monday, October 01, 2007

Dia -705

Coisas de Nada (I)

Uma senhora espanhola, aí dos seus cinquenta anos,
que acompanhava um dos congressistas, pergunta-me:
- já acabou os seus estudos foi?
- ??? Como??
- Se ainda está a estudar ou se já acabou os seus estudos...
- ??? hum? Bom... já acabei há muitos anos...
- ???
- Eu já não sou uma miúda, sabe?
- Ora, não pode ter mais de 30 anos!
- :-) Já me fez ganhar o dia. Muchas Gracias.


A conversa foi em bom (mau) portunhol, que me abstenho de aqui reproduzir.

Sunday, September 30, 2007

Dia -704

Ai que Stress!

Bolas! Dia 26 levantei-me às 5 e meia da manhã. O que já de si é uma violência.
Cheguei ao destino às 24h. Depois de 2 voos. Umas quantas horas de espera e um autocarro.
Tudo somado dá 18h e meia de viagem.
A seguir 2 dias intensos de congresso. A começar às 9h. Praticamente sem intervalos.
Com jantares até às tantas.
A falar inglês e espanhol e italiano e francês e português e a certa altura a misturar tudo.
Ontem depois de me ter levantado às 8 da manhã, de um autocarro, de um voo e de um comboio, cheguei a casa às 22h.
Estou de rastos. Cheia de stress. Doem-me as costas. Estou com tonturas.
Esta vida, ainda que animada, é uma tortura!
Não tenho intenções de voltar a sair de Aveiro antes do fim do mês.
É uma dificuldade para ir a qualquer parte do mundo. É demorado. É caro.
Porque raio não vivo eu na Bélgica ou assim num desses países mais no centro da Europa?

PS - A Hungria e a maior parte dos húngaros continua
(tal como achei há 2 anos atrás, quando lá passei duas semanas, mais tranquilas)
a precisar de polimento.

Wednesday, September 26, 2007

Dia -700

Istenhozzád!

ÉN lesz hát ha Nem kérdezek iszik Tokaj felszánt ÉN died*

*ou qualquer coisa como isto que o meu húngaro não é grande coisa. De qualquer modo como escreveu Chico Buarque em Budapeste o húngaro é uma língua que nem o diabo gosta.

Tuesday, September 25, 2007

Dia -699

Estatura


Eu é que não tenho estatura para esta merda a que chamam política!


(E mais informo que nem sequer tenho simpatia por nenhum dos senhores em causa, nem por praticamente nenhum dos militantes do seu partido. Excepto o Pacheco Pereira. Mas esse é um tipo com coluna vertebral. O que para a política não conta, já se vê)

Monday, September 24, 2007

Dia -698

A Evidência Empírica que (me) Faltava para Comprovar que Estou a Ficar Senil

Já não falava com ela há alguns dias e assim peguei no telefone e marquei o número. Ela atende e diz-me oh amiga! Estás boa? E eu que sim, que estou mas e ela? Porque razão tem ela aquela vozinha sumida e rouca? Ah estive afónica dois dias... não conseguia mesmo falar... e eu: o quê??? Então estiveste afónica e nem me disseste nada??

A seguir vou à varanda fumar um cigarro e lá em baixo, na rua, num dos placards de publicidade deparo-me com o seguinte anúncio Dia xpto concerto do Padre Luís Borga e sua Banda Larga*.
Estive 3 ou 4 segundos para perceber que o anúncio não referia a largura ou o comprimento da banda.
Isto não é normal, pois não?

* Borga é um nome surreal para um padre, não acham? Bom, aquilo aconteceu depois de ter estado umas horas a ler em inglês sobre boadband penetration e narrowband penetration e o digital divide e o raio que me parta!

Sunday, September 23, 2007

Dia -697

Há-de flutuar uma cidade

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

(Al Berto)

Saturday, September 22, 2007

Dia -696

Comentários e Frigoríficos

Peço desculpa, mas eu interpreto esses gestos obscenos como uma ofensa ao frigorífico.
Porra que já não se pode ser frio e estar sossegadinho com o motor a ronronar baixinho, sem que venha um gajo qualquer a querer saltar-nos para cima??

Este foi o meu comentário a propósito deste post,
baseado numa notícia do Jornal de Notícias, do divorciado que não compreende as mulheres.

Thursday, September 20, 2007

Dia -695

Roedores de Lisboa Uni-vos e Prestai um Elevado Serviço à Nação


(Ana de Amsterdam - num post intitulado Sócrates)

Momento de Intervalo...

... Para Assinalar

que depois de ter estado hoje com alguns dos meus alunos admito,
porque tenho de admitir,
que estava cheia de saudades deles*.
Segunda-feira começa o novo ano lectivo.
Votos de muito sucesso académico.
Misturado com doses sensatas de diversão, claro.

*especialmente do meu aluno-ex-preferido... que deixou de usar o título no dia em que descobri que ele vestia aquelas fatiotas inenarráveis, pretas e cheias de um significado qualquer que eu não compreendo muito bem... é que sendo ele uma daquelas boas pessoas, difíceis de encontrar, não estava à espera que fosse adepto de carneiradas deste género ;-P .
Apesar da descoberta contar já com alguns meses, ainda não recuperei do desgosto.
Mas...
muito baixinho... continua a ser o meu aluno preferido.
Competindo com outra menina. Que já não é aluna. E a quem tenho o privilégio de poder chamar amiga.

Dia -694

Estava Aqui a Pensar que Talvez...

as pessoas se preocupem demais com o amor*.
Tenho a certeza que as pessoas se preocupam demais com o amor.
Depois de uma ronda pelos blogs dos outros isso é claro. Isso, ou seja
essa excessiva crença no amor como aquilo que poderá salvar-nos.
De que o amor É...
Ora eu estava aqui a pensar que...
já senti a extrema alegria de me apaixonar (muitas vezes)**.
Já senti uma solene comoção ao dizer amo-te (algumas vezes)
e isso ter sido inteiramente verdade, em três ou quatro casos***.
Ora eu estava aqui a pensar que, sim, o amor é uma coisa muito importante.
Apenas não acho que seja a coisa mais importante da minha vida.
A coisa mais importante da minha vida sou eu.
Isso (ainda que pareça egoísta) é uma inabalável verdade.


* Falo do amor romântico. Não do amor num sentido mais hum... universal?

**Apesar de ter dificuldade em gostar de pessoas... eu sou como aquele standard de jazz... I fall in love to easily, I fall in love to fast. E desapaixono-me exactamente com a mesma facilidade e rapidez. É uma limpeza, digamos.


***Não é que nos outros casos não fosse verdade no momento em que a palavra foi proferida. Mas era uma verdade frágil. Dessas que se desmoronam ao mínimo sopro. Os três ou quatro casos em que foi absolutamente verdade. É porque continua a ser absolutamente verdade o que eu senti em todos os momentos em que, nesses casos, proferi tal palavra.

Wednesday, September 19, 2007

Dia -693

Very Happy to See you Again

Boas notícias hoje.
Terminámos (a Elisabeth e eu*) o raio do paper.
Dia 26 lá partiremos para Eger, na Hungria, país onde será óptimo regressar.
Mas as boas notícias continuam:
1) a viagem sofre uma interrupção de 4 horas em Amesterdão.
Vai dar tempo para apanhar o comboio do aeoroporto para o centro.
A viagem demora uns meros 15 minutos e há o Café CoBrA que espera por mim na Museumplein.
2) Antonio, o maravilhoso contador de histórias italiano (ver dia -685) disse-me há pouco que muito provavelmente também estará em Eger. Acrescentando a frase que dá nome ao post.
Nunca a expressão I am looking forward to see you again teve tanto significado para mim.
É que estou mesmo. Looking forward to see him again.
Antecipo as gargalhadas e a boa conversa à volta da mesa.
É que boas pessoas. Com sentido de humor. E que falem italiano. São tão difíceis de encontrar**.

*Eu também me chamo Elisabete, para quem não saiba. A Elisabeth e eu formamos uma equipa do tipo Dupond&Dupont para as questões do turismo rural.

** Antes que alguém se lembre de me atirar que estou apaixonada, devo esclarecer que não estou.O Antonio é um senhor bastante mais velho que eu, muito feliz com a sua mulher e os seus filhos.É uma pessoa deslumbrante, de facto, mas por toda uma outra série de razões que não envolvem a paixão.Apenas o encantamento de encontrar uma pessoa de quem gostamos (e acreditem que isso, no meu caso, é muito pouco frequente).

Tuesday, September 18, 2007

Dia -692

Umas pérolas aqui, umas pérolas ali*

«There is only one [television] network in Norway and it is stupefyingly bad. It's not just that the programmes are dull, though in this respect they could win awards, but that the whole thing is so wondrously unpolished. Films finish and you get thirty seconds of scratchy white circles like you used to get when your home movies ran out and your dad didn't get to the projector fast enough, and then suddenly the lights come up on the day's host, looking faintly startled, as if he had been just about to do something that he wouldn't want the nation to see. [...] The best that can be said for Norwegian television is that it gives you the sensation of a coma without the worry and inconvenience.»

(Capítulo 2 - Hammerfest)

«By half-past eight Paris is a terrible place for walking. There's too much traffic. A blue haze of uncombusted diesel hangs over every boulevard. I know Baron Haussmann made Paris a grand place to look at, but the man had no concept of traffic flow. At the Arc de Triomphe alone thirteen roads come together. Can you imagine that? I mean to say, here you have a city with the world's most pathologically aggressive drivers - drivers who in other circumstances would be given injections of thorazine from syringes the size of bicycle pumps and confined to their beds with leather straps - and you give them an open space where they can all try to go in any of thirteen directions at once. Is that asking for trouble or what?
It's interesting to note that the French have had this reputation for bad driving since long before the invention of the internal combustion engine. Even in the eighteenth century British travellers to Paris were remarking on what lunatic drivers the French were, on "the astonishing speed with which the carriages and people moved through the streets ... It was not an uncommon sight to see a child run over and probably killed." I quote from The Grand Tour by Christopher Hibbert, a book whose great virtue is in pointing out that the peoples of Europe have for at least 300 years been living up to their stereotypes. [...]»

(Capítulo 4 - Paris)

«The brochures [in the town of Spa] were all for places with non-nonsense names like The Professor Henrijean Hydrology Institute and The Spa Therm Institution's Department of Radiology and Gastro-Enterology. Between them they offered a bewildering array of treatments that ran from immersion in 'natural carbogazeous baths' and slathering in hot and gooey mudpacks, to being connected to a free-standing electrical sub-station and briskly electrocuted, or so it looked from the photograph. These treatments were guaranteed to do a number of things I didn't realize it was desirable to do - "dilate the dermal vessels", "further the repose of the thermoregulatory centres" and "ease periarticular contractures", to name but three.
I decided without hesistation that my thermoregulatory centres were reposed enough, if not actually deceased, and although I do have the occasional periarticular contracture and pitch forward into my spaghetti, I decided I could live with this after seeing what the muscular, white-coated ladies of the Spa institutes do to you if they detect so much as a twinge in your particulars or suspect any backsliding among the dermals. The photographs showed a frankly worried-looking female patient being variously covered in tar, blown around a shower stall with a high-pressure hose, forced to recline in bubbling copper vats and otherwise subjected to a regimen that in other circumstances would bring ineluctably to mind the expression "war crimes". [...]»

(Capítulo 6 - Bélgica)

«It should have been written into the armistice treaty at the end of the [second world] war that the Germans would be required to lay down their accordians along with their arms.»

(Capítulo 9 - Aachen e Colónia)

«I love the way Italians park. You turn any street corner in Rome and it looks as though you've just missed a parking competition for blind people. [...] Romans park their cars the way I would park if I had just spilled a beaker of hydrochloric acid on my lap. [...]
Italians will park anywhere. All over the city you will see them bullying their cars into spaces about the size of a sofa cushion, holding up traffic and prompting every driver within three miles to lean on his horn and give a passable imitation of a man in an electric chair. If the opening is too small for a car, Italians will decorate it with litter [...]
Italians are entirely without any commitment to order. They live their lives in a kind of pandemonium, which I find very attractive. They don't queue, they don't pay their taxes, they don't turn up for appointments on time, they don't undertake any sort of labour without a small bribe, they don't believe in rules at all. [...]»

(Capítulo 13 - Roma)

«Still the [hotel] elevator didn't come. I decided to take the fire stairs. I bounded down them two at a time, the whole of my existence dedicated to the idea of a beer and a sandwich, and at the bottom found a padlocked door and a sign in Italian that said "If there is ever a fire here, this is where the bodies will pile up".»

(Capítulo 15 - Florença)

«The people of McDonald's need guidance. They need to be told that Europe is not Disneyland. They need to be instructed to take suitable premises on a side street and given, without option, a shop design that is recognizable, appropriate to its function and yet reasonably subdued. It should look like a normal European bistro, with perhaps little red curtains and a decorative aquarium and nothing to tell you from the outside that this is a McDonald's except for a discrete golden-arches transfer on each window and steady stream of people with enormous asses going in and out of the door. While we're at it, they should be told that they will no longer be allowed to provide each customer with his own weight in styrofoam boxes and waste paper. And finally they have to promise to shoot Ronald. When these conditions are met, McDonald's should be allowed to operate in Europe, but not until.»

(Capítulo 19 - Áustria)


*mais vale ler na língua original, sem qualquer dúvida, estas e outras pérolas de Bill Bryson em Neither Here Nor There, ou seja em Nem aqui, nem ali,
o livro que ontem (hoje) às 6 e meia da manhã acabei de ler,
no meio de sonoras gargalhadas.
Estas pérolas na língua em que foram escritas foram retiradas daqui.
Bom proveito