Saturday, October 20, 2007

Dia -724

Tantas, muitas, demasiadas vezes

as palavras que espero
são ditas.
Os gestos que inventei
são feitos.
Os olhares que procurei
existem.
Mas a boca, os dedos, os olhos
não são os certos.
Ou talvez seja só o tempo.
Tenho pensado,
quando ainda me ocupo de pensar,
que sou eu
a desarrumada.
Que tudo o resto está certo.
Quando acontece.
Está tudo certo.
É tudo verdade.
Menos eu.

12 comments:

maria m. said...

tantas vezes trazemos a vida desarrumada
ou numa arrumação mui sui generis, que só nós conhecemos -

Lou Salomé said...

...já agora (e caso não tenhas ainda visto), deixo-te uma "prendinha", assim como quem volta de viagem e se lembra de trazer um mimo para algumas pessoas...

Vê como o Tarantino destrói mais um mito...
http://www.5min.com/Video/What-TOP-GUN-is-really-about-by-Quentin-Tarantino-10483

Elisa said...

maria m... o problema é quando a trazemos desarrumada de uma maneira que nem nós conhecemos :)

Elisa said...

Lou
Rs. Obrigada pela prenda. Eu nem gosto do Top Gun, mas visto por esta perspectiva é, de facto... muito interessante, para dizer o mínimo. Grande Tarantino!

Lou Salomé said...

às vezes ausentamo-nos um tempo. deixamos lugares. deixamos pessoas. deixamos espaços (que não são o mesmo que lugares). e depois sentimos saudades. de alguns. lugares. espaços. pessoas. esse regresso ao nosso interior, à nossa concha, funciona como uma peneira que separa as pérolas da palha. e nos reaproxima daquilo que é (será?) provavelmente, a nossa essência. só para te dizer que tive vontade de voltar aqui.

à parte isto: este foi o meu 1º comentário mas, fazendo jus à minha azelhice, não o postei acreditando que o tinha feito. outra coisa: a prendinha que te mandei foi pelo Tarentino, obviamente!, esse indefectível "olheiro dos humanos". é que o "Top Gun"...blhaaac...

Elisa said...

Eu não tenho saudades das pessoas. Só dos lugares. Ou então das situações. Na verdade, só há uma pessoa de quem tenho saudades.
Mas nem era isso... eram os erros de timing, os erros de casting. Os erros, sei lá. Porque erramos? Ou talvez? Porque é que não erramos mais e mais vezes?

bruno said...

Parece que, cada vez mais, somos actores secundários nos filmes dos outros e e realizadores e actores principais de um filme que não era exactamente assim que queriamos realizar.

Elisa said...

Hum... não era exactamente isso que eu queria dizer Bruno. Na verdade não sei o que queria dizer. E depois li há bocado uma frase que dizia: a vida deve ser desarrumada. Por isso. Portanto. Não sei.

bruno said...

Pois.Por isso. Portanto. Todavia. Não obstante. No entanto. Porém. Talvez. Tenhas razão. Nem eu sei.

Beijo

Elisa said...

Rs
não comeces miúdo.
beijos

bruno said...

Mas o que é que eu fiz agora? Eu, tudo eu. Que coisa... lol.
Só fiz um comentário. :)

Beijo

Elisa said...

pois pois um comentário, claro.
bj