Saturday, January 27, 2007

Dia -459

O Problema do(a) Papa e a Questão do Aborto
O meu sobrinho emprestado, que tem oito anos e o ouvido atento ao que dizem os adultos quando acham que ele não está a ouvir, teve a seguinte conversa com o pai:
Ele: sabes, pai, estou muito pessimista, acho que o não vai ganhar
O pai: então porquê, filho?
Ele: por causa do papa, que diz às pessoas para votarem não... e o papa tem muita influência nas pessoas não é?
O pai: ?...?
Ele: mas também... quem é que se chama papa? Que nome tão esquisito para um homem... papa... papa é comida de bebés, não é?

6 comments:

Paulo said...

Mas o mundo está cheio de bebés...

Assim... o nome até é apropriado.

(eu já senti na pele, ao de leve, essa veia inquisidora da igreja...)

Miguel Costa said...

E é também uma ordem. Desde logo, não inspira simpatia...

Elisa said...

De todo, Miguel.

Elisa said...

O mundo está cheio de bebés, Paulo?
Bom, sim, uma parte do mundo tem bebés a mais, que morrem antes dos cinco anos de idade, de fome e de epidemias diversas... situação para a qual, convenhamos (e em bom vernáculo), sua santidade - o papa-se está bem cagando, do alto da sua sanita muito provavelmente de ouro localizada no estado mais rico do mundo...
No resto do mundo, o mais 'civilizado' ao que dizem, há falta de bebés.

E porque sentiste tu na pele, ainda que ao de leve, a veia inquisidora da igreja?

Paulo said...

Não só bebés com menos de 5 anos de idade mas bebés com 22, 30, 40, 50 (...).

Papa é "comida de bebes"...

Essa multidão de crianças alimenta-se e esquece-se de procurar em si o proprio "alimento". PAPA.
Onde está o discernimento de pensarem e reflectirem por si?


Em vez disso - quais bebes - realizam, cegamente, o que esse senhor, sentado da sua altissima retrete de ouro resolve impor a todos os que dele se alimentam.

O papa tem muita influência nas pessoas. E a unica maneira de manter essa influencia passa pela imposição e não por incentivar a procura da reflxão e da ponderação de cada qual.

Em pleno século XXI, estas estruturas de imposição ideológica continuam enraizadas na sociedade. Basta deambularmos por uma destas aldeias que nos circundam. Penetrar um pouquinho nessa sociedade fechada e vemos como ousar "pensar" pela propria cabeça nos pode sair muito caro.

Eu voto sim. Mas não o posso afirmar muito alto na minha terrinha. Porque essa veia inquisidora, mais do que me afectar a mim, pode afectar aqueles que eu não quero nunca ver sofrer (inda mais por minha causa).

E este não é exemplo único.

Por isso, também tenho duvidas sobre a vitória do sim. Embora a minha esperança desta vez se situe na abstenção. Na abstenção daqueles que votariam não por ceguismo ideológico cristão. Mas que hoje começam a questionar essa sua postura!

Elisa said...

Paulo
valha-me santa engrácia ou o papa... só agora é que percebi que tu eras tu, foi a 'santa terrinha' que te denunciou :-) e o tom. Sim, tens razão, o mundo está cheio de bebés, nesse sentido que dizes.
Mais uma coisa... agora que percebi quem és... mesmo compreendendo as tuas razões para afirmares muito alto que votas sim, é sempre bom defendermos o que pensamos e aquilo em que acreditamos. Vá, mesmo que seja baixinho... não está provado que quem grita se faça ouvir melhor, aliás.